Liturgia de 13 de março de 2024

QUARTA FEIRA DA IV SEMANA DA QUARESMA

(roxo, ofício do dia)

 

Antífona

- Para vós elevo minha oração, nesse tempo favorável Senhor Deus! Respondei-me pelo vosso imenso amor, pela vossa salvação que nunca falha!  (Sl 68,14).

 

Coleta

- Ó Deus, que recompensais os méritos dos justos e perdoais aos pecadores que fazem penitência, tende compaixão dos que suplicam, para a confissão de nossas culpa possa alcançar o perdão dos nossos pecados. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e conosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

 

1ª Leitura: Is 49,8-15

- Leitura do livro do profeta Isaías: 8Isto diz o Senhor: “Eu atendo teus pedidos com favores e te ajudo na obra de salvação; preservei-te para seres elo de aliança entre os povos, para restaurar a terra, para distribuir a herança dispersa; 9para dizer aos que estão presos: ‘Saí!’ e aos que estão nas trevas: ‘Mostrai-vos’. E todos se alimentam pelas estradas e até nas colinas estéreis se abastecem; 10não sentem fome nem sede, não os castiga nem o calor nem o sol, porque o seu protetor toma conta deles e os conduz às fontes d’água.

11Farei de todos os montes uma estrada e os meus caminhos serão nivelados. 12Eis que estão vindo de longe, uns chegam do Norte e do lado do mar, e outros, da terra de Sinim”. 13Louvai, ó céus, alegra-te, terra; montanhas, fazei ressoar o louvor, porque o Senhor consola o seu povo e se compadece dos pobres. 14Disse Sião: “O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-se de mim!” 15Acaso pode a mulher esquecer-se do filho pequeno, a ponto de não ter pena do fruto de seu ventre? Se ela se esquecer, eu, porém não me esquecerei de ti.


- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 145,8-9.13cd-14.17-18 (R: 8a)

 

- Misericórdia e piedade é o Senhor.
R: Misericórdia e piedade é o Senhor.


- Misericórdia e piedade é o Senhor, ele é amor, é paciência, é compaixão. O Senhor é muito bom para com todos, sua ternura abraça toda criatura.

R: Misericórdia e piedade é o Senhor.


- O Senhor é amor fiel em sua palavra, é santidade em toda obra que ele faz. Ele sustenta todo aquele que vacila e levanta todo aquele que tombou.

R: Misericórdia e piedade é o Senhor.


- É justo o Senhor em seus caminhos, é santo em toda obra que ele faz. Ele está perto da pessoa que o invoca, de todo aquele que o invoca lealmente.

R: Misericórdia e piedade é o Senhor.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo João: Jo 5,17-30

 

Jesus Cristo sois bendito o ungido de Deus Pai!

Jesus Cristo sois bendito o ungido de Deus Pai!

 

- Eu sou a ressurreição, eu sou a vida, quem crê em mim, ainda que morra, viverá (Jo 11,25)

Jesus Cristo sois bendito o ungido de Deus Pai!

 

- O Senhor esteja convosco.

- Ele está no meio de nós.

 

- Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo João

- Glória a vós, Senhor!  

 

- Naquele tempo, 17Jesus respondeu aos judeus: “Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho”. 18Então, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque, além de violar o sábado, chamava Deus o seu Pai, fazendo-se, assim, igual a Deus. 19Tomando a palavra, Jesus disse aos judeus: “Em verdade, em verdade vos digo, o Filho não pode fazer nada por si mesmo; ele faz apenas o que vê o Pai fazer. O que o Pai faz, o Filho o faz também. 20O Pai ama o Filho e lhe mostra tudo o que ele mesmo faz. E lhe mostrará obras maiores ainda, de modo que ficareis admirados. 21Assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá a vida, o Filho também dá a vida a quem ele quer. 22De fato, o Pai não julga ninguém, mas ele deu ao Filho o poder de julgar, 23para que todos honrem o Filho, assim como honram o Pai. Quem não honra o Filho, também não honra o Pai que o enviou. 24Em verdade, em verdade, eu vos digo, quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, possui a vida eterna. Não será condenado, pois já passou da morte para a vida. 25Em verdade, em verdade, eu vos digo: está chegando a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus e os que a ouvirem viverão. 26Porque, assim como o Pai possui a vida em si mesmo, do mesmo modo concedeu ao Filho possuir a vida em si mesmo. 27Além disso, deu-lhe o poder de julgar, pois ele é o Filho do Homem. 28Não fiqueis admirados com isso, porque vai chegar a hora em que todos os que estão nos túmulos ouvirão a voz do Filho e sairão: 29aqueles que fizeram o bem, ressuscitarão para a vida; e aqueles que praticaram o mal, para a condenação. 30Eu não posso fazer nada por mim mesmo. Eu julgo conforme o que escuto, e meu julgamento é justo, porque não procuro fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.

 

- Palavra da salvação.

- Glória a vós, Senhor!

  

 

Liturgia comentada

Ouvirão a sua voz... (Jo 5,17-30)

Os mortos? Sim, os mortos. A voz de Deus se dirige também àqueles que estão nos túmulos (v. 28). Aliás, nada que devesse deixar-nos admirados, pois a 1ª Carta de São Pedro registra que Jesus Ressuscitado desceu à mansão dos mortos – o Xeol – para anunciar a Boa Nova também aos que já tinham morrido (cf. 1Pd 4,6). Também eles tinham direito à oportunidade de aderir ao Salvador. E os ícones da Ressurreição – a Anástasis – mostram Jesus arrombando as portas do Xeol, derrotando o demônio e puxando Adão pelo pulso, tirando-o de seu túmulo.

 

Jesus Cristo é Senhor dos vivos e dos mortos! A voz de Cristo se dirige a todos eles. E se o morto o ouve - Lázaro que o diga! – então a passagem para a vida definitiva está à sua disposição.

 

Sugiro, porém, olhar em outra direção. Refiro-me aos “mortos” deste mundo. Por exemplo, em cinco anos de serviço na Pastoral Carcerária, em um presídio de segurança máxima, nossa equipe da Comunidade Católica Nova Aliança teve a oportunidade de conviver com 900 presidiários. Eram ladrões, traficantes e assassinos. Aos olhos da sociedade, estavam mortos e enterrados.

 

No entanto, muitas vezes verificamos que continuavam sensíveis à palavra do Evangelho: “Se eu tivesse ouvido isto antes, não estaria aqui hoje!” Era comum ver lágrimas nos olhos dos presos que participavam dos encontros de evangelização. Muitos se confessavam e passavam a comungar. Alguns manifestaram o desejo de serem preparados para a primeira comunhão. Na capela da Casa de Detenção, pudemos realizar o casamento de um presidiário que já convivia com sua mulher. Na Comunidade, chegamos a receber visita de algum deles, já libertado da prisão.

 

Estavam mortos, mas ouviram a Palavra de Deus. Ninguém apostava neles, mas Deus ainda tinha cartas na manga...

 

E os demais “mortos”? São muitos: os drogados e traficantes, os fracassados aos olhos do mundo, os favelados sem futuro, todos aqueles que foram descartados pelo sistema. Foi por eles que Madre Teresa deixou a segurança de seu colégio de ricos para levar o abraço de Jesus aos mendigos e leprosos de Calcutá.

 

“Não se espantem”, escreve São João. “Vem a hora em que todos dos túmulos ouvirão a sua voz.” (Jo 5,28) Nossa sociedade inoculada de desespero e ceticismo será capaz de avivar esta chama de esperança? Estaremos dispostos a investir em nossos mortos? Ou já cruzamos os braços diante do inevitável?

 

Orai sem cessar: “Senhor, a tua promessa me faz viver!” (Sl 119,50)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
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