L Liturgia

Liturgia de 27 de março de 2018

TERÇA FEIRA - SEMANA SANTA
(Roxo pref. Paixão II, ofício do dia)

Antífona da entrada

 

- Não me deixeis, Senhor, à mercê de meus adversários, pois contra mim se levantaram testemunhas falsas, mas volta-se contra eles a sua iniquidade

(Sl 26,12).

Oração do dia

 

- Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos celebrar de tal modo os mistérios da paixão do Senhor, que possamos alcançar vosso perdão. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

1ª Leitura: Is 49,1-6

 

- Leitura do Profeta Isaías: 1Nações marinhas, ouvi-me, povos distantes, prestai atenção: o Senhor chamou-me antes de eu nascer, desde o ventre de minha mãe ele tinha na mente o meu nome; 2fez de minha palavra uma espada afiada, protegeu-me à sombra de sua mão e fez de mim uma flecha aguçada, escondida em sua aljava, 3e disse-me: “Tu és o meu Servo, Israel, em quem serei glorificado”.  4E eu disse: “Trabalhei em vão, gastei minhas forças sem fruto, inutilmente; entretanto o Senhor me fará justiça e o meu Deus dará recompensa”. 5E agora me diz o Senhor – ele que me preparou desde o nascimento para ser seu Servo – que eu recupere Jacó para ele e faça Israel unir-se a ele; aos olhos do Senhor esta é a minha glória. 6Disse ele: “Não basta seres meu Servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até aos confins da terra”.

- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus.

Salmo Responsorial: Sl 71,1-2.3-4a.5-6ab.15.17 (R: 15)

 

- Minha boca anunciará vossa justiça.

R: Minha boca anunciará vossa justiça.


- Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor: que eu não seja envergonhado para sempre! Porque sois justo, defendei-me e libertai-me! Escutai a minha voz, vinde salvar-me!

R: Minha boca anunciará vossa justiça.


- Sede uma rocha protetora para mim, um abrigo bem seguro que me salve! Porque sois a minha força e meu amparo, o meu refúgio, proteção e segurança! Libertai-me, ó meu Deus, das mãos do ímpio.

R: Minha boca anunciará vossa justiça.


- Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança, em vós confio desde a minha juventude! Sois meu apoio desde antes que eu nascesse. Desde o seio maternal, o meu amparo.

R: Minha boca anunciará vossa justiça.


- Minha boca anunciará todos os dias vossa justiça e vossas graças incontáveis. Vós me ensinastes desde a minha juventude, e até hoje canto as vossas maravilhas.

R: Minha boca anunciará vossa justiça.

Evangelho de Jesus Cristo, segundo João: Jo 13,21-33.36-38

 

Honra, glória, poder e louvor a Jesus, nosso Deus e Senhor!

Honra, glória, poder e louvor a Jesus, nosso Deus e Senhor!

 

- Salve, ó rei, obediente ao Pai, vós fostes levado para ser crucificado, como um manso cordeiro é conduzido à matança.

Honra, glória, poder e louvor a Jesus, nosso Deus e Senhor!

- O Senhor esteja convosco.

- Ele está no meio de nós.

 

- Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo João

- Glória a vós, Senhor!  

 

- Naquele tempo, estando à mesa com seus discípulos, 21Jesus ficou profundamente comovido e testemunhou: “Em verdade, em verdade vos digo, um de vós me entregará”. 22Desconcertados, os discípulos olhavam uns para os outros, pois não sabiam de quem Jesus estava falando. 23Um deles, a quem Jesus amava, estava recostado ao lado de Jesus. 24Simão Pedro fez-lhe um sinal para que ele procurasse saber de quem Jesus estava falando. 25Então, o discípulo, reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe: “Senhor, quem é?” 26Jesus respondeu: “É aquele a quem eu der o pedaço de pão passado no molho”. Então Jesus molhou um pedaço de pão e deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. 27Depois do pedaço de pão, Satanás entrou em Judas. Então Jesus lhe disse: “O que tens a fazer, executa-o depressa”. 28Nenhum dos presentes compreendeu por que Jesus lhe disse isso. 29Como Judas guardava a bolsa, alguns pensavam que Jesus lhe queria dizer: ‘Compra o que precisamos para a festa’, ou que desse alguma coisa aos pobres. 30Depois de receber o pedaço de pão, Judas saiu imediatamente. Era noite. 31Depois que Judas saiu, disse Jesus: “Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele. 32Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e o glorificará logo. 33Filhinhos, por pouco tempo estou ainda convosco. Vós me procurareis, e agora vos digo, como eu disse também aos judeus: ‘Para onde eu vou, vós não podeis ir’”. 36Simão Pedro perguntou: “Senhor, para onde vais?” Jesus respondeu-lhe: “Para onde eu vou, tu não me podes seguir agora, mas seguirás mais tarde”. 37Pedro disse: “Senhor, por que não posso seguir-te agora? Eu darei a minha vida por ti!” 38Respondeu Jesus: “Darás a tua vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: o galo não cantará antes que me tenhas negado três vezes”.

- Palavra da salvação.

- Glória a vós, Senhor!  

  

Liturgia comentada
Desde o meu nascimento... (Is 49,1-6)

Os inspirados ícones orientais da Natividade de Jesus Cristo – geralmente intitulados de “gennesis”, pois em Belém a História humana reparte do zero, com o nascimento do Novo Adão -, retratam o recém-nascido envolvido em faixas, como uma pequena múmia. E isto não é por acaso: a imagem escolhida pelos monges iconógrafos tem uma intenção catequética, apontando para o destino da criança, isto é, morrer e, envolvida em bandagens, ser afinal depositada no túmulo.

A contemplação aponta para uma vida toda situada entre duas grutas: a de Belém e a do Santo Sepulcro. Por absurdo que nos pareça, Jesus nasce para... morrer! Considerada sob este ângulo, a morte de Jesus já não parecerá um acidente de percurso, um evento ligado às circunstâncias históricas ou, pior ainda, ao abandono do Pai. Não por acaso, o Símbolo dos Apóstolos assim resume a vida de Cristo: “nasceu... padeceu... foi crucificado, morto e sepultado...”

Esta passagem de Isaías 49 fala de um “chamado”, isto é, vocação e missão, cujas raízes estão situadas “no seio de minha mãe”, ou seja, desde o primeiro instante. Imagem forte que nos ensina, por um lado, que não existem vidas “por acaso”. Antes, sinaliza que cada pessoa que vem a este mundo foi querida pessoalmente por Deus, independentemente das circunstâncias de sua concepção.

Por outro lado, cada existência humana corresponde a um chamado de Deus, isto é, uma intencional orientação do novo ser para uma tarefa personalizada, típica, intransferível. Basta isto para demonstrar a dignidade de cada pessoa humana, por mais frágil e deficiente que ela nos pareça...

Alguém diria que isto desvaloriza nossa história... Ou que parecemos marionetes nos cordéis de um demiurgo. Que somos despojados de nossa liberdade. Nada disso! Nós permanecemos sempre livres para dizer ‘não’. Somos livres para recusar o chamado de Deus e traçar nosso próprio caminho, orientados por nossos instintos, pela propaganda do sistema ou por sonhos de grandeza e poder.

Só que Jesus Cristo não fez assim. Seu exemplo é bem outro. Consciente da missão que o Pai lhe confiara - “desde o seio de minha Mãe” -, Jesus segue adiante, obediente e fiel. Graças à sua obediência, nós fomos salvos das trevas do pecado. Vimos a luz brilhar em nosso caminho.

Há muita gente, ainda hoje, que vive nas trevas. Se recusamos nossa vocação, eles permanecerão nas trevas...

Orai sem cessar: “Em vós eu me apoiei desde que nasci!” (Sl 71,6)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
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