L Liturgia

Liturgia de 21 de fevereiro de 2018

QUARTA-FEIRA DA I SEMANA DA QUARESMA
(roxo - ofício do dia)

 

Antífona da entrada

- Lembrai-vos de vossa misericórdia e de vosso amor, pois são eternos. Nossos inimigos não triunfem sobre nós; libertai-nos, ó Deus, de toda angustia! (Sl 24,6.3.22)

Oração do dia

- Considerai, ó Deus, com bondade o fervor do vosso povo. E, enquanto mortificamos o corpo, sejamos espiritualmente fortalecidos pelos frutos das boas obras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

1ª Leitura: Jn 3,1-10


- Leitura da profecia de Jonas - 1A palavra do Senhor foi dirigida a Jonas, pela segunda vez: 2"Levanta-te e põe-te a caminho da grande cidade de Nínive e anuncia-lhe a mensagem que eu te vou confiar". 3Jonas pôs-se a caminho da grande cidade de Nínive, conforme a ordem do Senhor. Ora, Nínive era uma cidade muito grande; eram necessários três dias para ser atravessada. 4Jonas entrou na cidade, percorrendo o caminho de um dia; pregava ao povo, dizendo: "Ainda quarenta dias, e Nínive será destruída". 5Os ninivitas acreditaram em Deus; aceitaram fazer jejum, e vestiram sacos, desde o superior ao inferior. 6A pregação chegara aos ouvidos do rei de Nínive; ele levantou-se do trono e pôs de lado o manto real, vestiu-se de saco e sentou-se em cima de cinza. 7Em seguida, fez proclamar, em Nínive, como decreto do rei e dos príncipes: "Homens e animais bovinos e ovinos não provarão nada! Não comerão e não beberão água. 8Homens e animais se cobrirão de sacos, e os homens rezaram a Deus com força; cada um deve afastar-se do mau caminho e de suas práticas perversas. 9Deus talvez volte atrás, para perdoar-nos e aplacar sua ira, e assim não venhamos a perecer". 10Vendo Deus as suas obras de conversão e que os ninivitas se afastavam do mau caminho, compadeceu-se e suspendeu o mal, que tinha ameaçado fazer-lhes, e não o fez.

- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus.

Salmo Responsorial: Sl 51,3-4.12-13.18-19 (R: 19b)

- Ó Senhor, não desprezeis um coração arrependido!

R: Ó Senhor, não desprezeis um coração arrependido!

 

- Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! Na imensidão de vosso amor, purificai-me! Lavai-me todo inteiro do pecado, e apagai completamente a minha culpa!

R: Ó Senhor, não desprezeis um coração arrependido!

 

- Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo um espírito decidido. Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!

R: Ó Senhor, não desprezeis um coração arrependido!

 

- Pois não são de vosso agrado os sacrifícios, e, se oferto um holocausto, o rejeitais. Meu sacrifício é minha alma penitente, não desprezeis um coração arrependido!

R: Ó Senhor, não desprezeis um coração arrependido!

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 11,29-32

Jesus Cristo, sois bendito, sois o ungido de Deus Pai!

Jesus Cristo, sois bendito, sois o ungido de Deus Pai!

- Voltai ao Senhor, vosso Deus, ele é bom, compassivo e clemente (Jl 2,12).

Jesus Cristo, sois bendito, sois o ungido de Deus Pai!

- O Senhor esteja convosco.

- Ele está no meio de nós.

 

- Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas.

- Glória a vós, Senhor!

- Naquele tempo, 29quando as multidões se reuniram em grande quantidade, Jesus começou a dizer: "Esta geração é uma geração perversa. Ela busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas. 30Com efeito, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim também será o Filho do Homem para esta geração. 31No dia do julgamento, a rainha do Sul se levantará juntamente com os homens desta geração, e os condenará. Porque ela veio de uma terra distante para ouvir a sabedoria de Salomão. E aqui está quem é maior que Salomão. 32No dia do julgamento, os ninivitas se levantarão juntamente com esta geração e a condenarão. Porque eles se converteram quando ouviram a pregação de Jonas. E aqui está quem é maior do que Jonas".

- Palavra da salvação.

- Glória a vós, Senhor!

 

Liturgia comentada
O sinal de Jonas... (Lc 11,29-32)

Deus fala. Diferentes dos ídolos mudos, Deus insiste em comunicar-se com o homem. O primeiro grande “sinal” de sua presença foi a própria Criação: a contemplação do Cosmo, do microscópico ao macroscópioco, deveria bastar à criatura para dobrar os joelhos em adoração, saltando da obra ao Operário, dos vasos ao Oleiro, da argila ao Sopro...

Mas Deus vem falando incansavelmente, ao longo dos séculos, também por meio de seus profetas (Isaías, Gandhi, Luther King...), por meio de sonhos (Abimelec [Gn 20,2ss], José de Nazaré [Mt 1,20ss], Paulo [At 16,9]), por meio dos acontecimentos (o êxodo, o cativeiro de Babilônia, a destruição do Templo, a Shoá, a Segunda Guerra mundial...). Telespectadores atentos hão de ouvi-lo no fundo dos noticiários da TV.

Apesar de toda esta divina comunicação, os racionalistas de cada geração ainda pedem por “sinais”: algo de esmagadora potência que os convencesse sem a necessidade do humilde ato de fé. Foi assim também no tempo de Jesus: como se não bastassem os cegos que viam, os surdos que ouviam, os leprosos purificados, os paralíticos mobilizados, escribas e fariseus exigem de Jesus um sinal definitivo.

Ora, “doutores da lei” que eram, eles deveriam “ler” com olhos de fé a Escritura que ciosamente conservavam. Nela, entre outros sinais, saltava aos olhos a narrativa de um tal Jonas, convocado por Deus a despertar os ninivitas para uma oportunidade de salvação. Em lugar de Nínive (1200 km a Nordeste), Jonas foge para Társis, a Espanha (5500 km a Oeste). Na rota de fuga, acaba lançado ao mar e deglutido por um grande peixe.

No coração (kardia) do mar, na barriga (koilia) do peixe, duplamente sepultado, Jonas reza belíssimo salmo: “O abismo me circunda / algas se agarram à minha cabeça / mas tiraste da fossa a minha vida!” (Jn 2,6-7). Deus ouve e responde, devolvendo à superfície o profeta fujão vomitado pelo peixe.

Eis o sinal: após três dias no ventre da morte (Jn 2,3), voltar ao mundo dos vivos e anunciar a salvação. A figura de Jonas era o tipo do Messias – também ele mergulhado nas trevas de nosso pecado! – que, após ser envolvido pelos vagalhões da morte, ressurge à luz de nossa História para anunciar a Notícia salvadora. Hoje, como naquele tempo, não nos será dado outro “sinal”.

No comentário de Santo Efrém de Nisíbia [306-373 d.C.], “se os ninivitas tivessem desprezado Jonas, teriam descido em vida à mansão dos mortos, como Jonas no ventre do peixe. Como, porém, fizeram penitência, foram resgatados da morte, como Jonas. Assim é em relação a Nosso Senhor: ou bem os homens vivem por sua morte, ou bem morrem por ela”.

Ainda querem um sinal?

Orai sem cessar: “O Senhor reergue os abatidos...” (Sl 145,14)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
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