L Liturgia

Liturgia de 23 de fevereiro de 2018

SEXTA FEIRA – I SEMANA DA QUARESMA
(Roxo, ofício do dia)

Antífona da entrada

 

- Livrai-me, Senhor, de minhas aflições vede minha miséria e minha dor, perdoai todos os meus pecados  (Sl 24,17).

Oração do dia

 

- Concedei, ó Deus que vossos filhos e filhas se preparem dignamente para a festa da Páscoa, de modo que a mortificação desta Quaresma frutifique em todos nós. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

1ª Leitura: Ez 18,21-28

 

- Leitura da Profecia de Ezequiel: Assim fala o Senhor: 21“Se o ímpio se arrepender de todos os pecados cometidos, e guardar todas as minhas leis, e praticar o direito e a justiça, viverá com certeza e não morrerá. 22Nenhum dos pecados que cometeu será lembrado contra ele. Viverá por causa da justiça que praticou. 23Será que eu tenho prazer na morte do ímpio? — oráculo do Senhor Deus. Não desejo, antes, que mude de conduta e viva? 24Mas, se o justo se desviar de sua justiça e praticar o mal, imitando todas as práticas detestáveis feitas pelo ímpio, poderá fazer isso e viver? Da justiça que ele praticou, nada mais será lembrado. Por causa da infidelidade e do pecado que cometeu, por causa disso morrerá. 25Mas vós andais dizendo: ‘A conduta do Senhor não é correta’. Ouvi, vós da casa de Israel: É a minha conduta que não é correta, ou antes é a vossa conduta que não é correta? 26Quando um justo se desvia da justiça, pratica o mal e morre, é por causa do mal praticado que ele morre. 27Quando um ímpio se arrepende da maldade que praticou e observa o direito e a justiça, conserva a própria vida. 28Arrependendo-se de todos os seus pecados, com certeza viverá; não morrerá”.


- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus.

Salmo Responsorial: Sl 130,1-2.3-4.5-6.7-8 (R: 3)

- Se levardes em conta nossas faltas, quem haverá de subsistir?

R: Se levardes em conta nossas faltas, quem haverá de subsistir?


- Do abismo profundo eu clamo a vós, Senhor, escutai a minha voz! Vossos ouvidos estejam bem atentos ao clamor da minha prece!

R: Se levardes em conta nossas faltas, quem haverá de subsistir?


- Se levardes em conta nossas faltas, quem haverá de subsistir? Mas em vós se encontra o perdão, eu vos temo e em vós espero.

R: Se levardes em conta nossas faltas, quem haverá de subsistir?


- No Senhor ponho a minha esperança, espero em sua palavra. A minh’alma espera no Senhor, mais que o vigia pela aurora.

R: Se levardes em conta nossas faltas, quem haverá de subsistir?


- Espere Israel pelo Senhor, mais que o vigia pela aurora! Pois no Senhor se encontra toda graça e copiosa redenção. Ele vem libertar a Israel de toda a sua culpa.

R: Se levardes em conta nossas faltas, quem haverá de subsistir?

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 5,20-26

Salve, ó Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai

Salve, ó Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai

- Lançai para bem longe toda a vossa iniqüidade! Criai em vós um novo espírito e um novo coração!  (Ex 18,31)

Salve, ó Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai

- O Senhor esteja convosco.

- Ele está no meio de nós.

 

- Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus

- Glória a vós, Senhor!  

 

- Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 20“Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus. 21Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal’. 22Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo; quem disser ao seu irmão: ‘Patife!’ será condenado pelo tribunal; quem chamar o irmão de ‘tolo’ será condenado ao fogo do inferno. 23Portanto, quando tu estiveres levando a tua oferta para o altar, e ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24deixa a tua oferta ali diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão. Só depois vem apresentar a tua oferta. 25Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu serás jogado na prisão. 26Em verdade eu te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo”.

- Palavra da salvação.

- Glória a vós, Senhor!  

 

Liturgia comentada
Do abismo profundo... (Salmo 130 [129] )

O salmo da Liturgia de hoje – conhecido pelas palavras latinas que o iniciam na Vulgata, o De Profundis - é um dos poemas da Bíblia que mais tem inspirado músicos e poetas de todos os tempos. Sem dúvida, isto se explica porque o homem é perito em quedas e, uma vez no fundo do poço, torna-se capaz das mais belas expressões de fé.

E ninguém se espante com isso: quando as coisas correm bem, quando somos amados e aplaudidos, quando não passamos fome nem frio, nossa tendência natural é esquecer-nos de Deus. Bem, confessemos: na prática, nós nos sentíamos verdadeiros deuses. Logo, por que buscaríamos por outro Deus?

Ouçamos o comentário de Santo Agostinho: “Esta noite, nós decidimos fazer uma vigília. Conservemos acordados não somente os nossos olhos, mas também nosso coração. Experimentemos cantar este salmo com inteligência: Do fundo do abismo, eu gritei para vós, Senhor; Senhor, ouvi minha voz!” É um cântico das subidas e a oração de um homem que sobe para Jerusalém. Também cada um de nós deve ver qual é para ele este fundo de abismo de onde deve subir sua oração para Deus.”

Agostinho recorda o profeta Jonas, que rezou belíssimo salmo a partir do “coração” [kardia] do oceano e da “barriga” [koilia] do peixe (cf. Jn 2,3ss). “Jonas gritou do fundo de um abismo; ele estava no ventre da baleia (sic), e não apenas no fundo do mar, mas ainda nas entranhas de um monstro. E, no entanto, nem a massa da besta nem as vagas retiveram sua oração, não a impediram de chegar até Deus. Ela atravessou tudo, rompeu todos os obstáculos e chegou até os ouvidos de Deus.”

O melhor vem a seguir. Para Santo Agostinho, nada pôde impedir que o grito de Jonas chegasse aos ouvidos do Senhor porque seus ouvidos estavam... no coração do suplicante! E aqui cai por terra nossa mortal ilusão acerca de um Deus distante, como aquele interpelado pelo poeta Castro Alves no “Navio Negreiro”, aparentemente neutro diante do sofrimento vivido pelos africanos no porão do navio: “Onde estás, que não respondes? Em que mundo, em que estrela tu te escondes?”

É sempre a virtude da esperança – a virtude menina de Claudel - que leva o fiel a permanecer em vigília: “Minha alma espera pelo Senhor, mais que as sentinelas pela autora” (v. 6). A ausência da oração aponta na direção do desespero. Afinal, por que rezar, se ninguém me escuta? Ao contrário, esperando contra toda esperança, quando todos já cruzaram os braços, o fiel persevera na oração.

Ainda persevero na vida de oração?

Orai sem cessar: “Invoquei o Senhor e ele me atendeu!” (Jn 2,3)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
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