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Liturgia de 01 de março de 2018

QUINTA-FEIRA DA II SEMANA DA QUARESMA
(roxo - ofício do dia)

 

Antífona da entrada

- Provai-me, ó Deus, e conhecei meus pensamentos: vede se ando pela vereda do mal e conduzi-me no caminho da eternidade (Sl 138,23).

Oração do dia

- Ó Deus, que amais e restaurais a inocência, orientai para vós os corações dos vossos filhos e filhas, para que, renovados pelo vosso Espírito, sejamos firmes na fé e eficientes nas obras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

1ª Leitura: Jr 17, 5-10


- Leitura do livro do Profeta Jeremias: 5Isto diz o Senhor: “Maldito o homem que confia no homem e faz consistir sua força na carne humana, enquanto o seu coração se afasta do Senhor; 6como os cardos no deserto, ele não vê chegar a floração, prefere vegetar-se na secura do ermo, em região salobra e desabitada. 7Bendito o homem que confia no Senhor, cuja esperança é o Senhor; 8é como a árvore plantada junto às águas, que estende as raízes em busca da umidade, por isso não teme a chegada do calor: sua folhagem mantém-se verde, não sofre míngua em tempo de seca e nunca deixa de dar frutos. 9Em tudo é enganador o coração, e isto é incurável; quem poderá conhecê-lo? 10Eu sou o Senhor, que perscruto o coração e provo os sentimentos, que dou a cada qual conforme o seu proceder e conforme o fruto de suas obras”.

- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus.

Salmo Responsorial: Sl 1, 1-2.3.4.6 (R: Sl 40,5a)

 

- É feliz quem a Deus se confia!

R: É feliz quem a Deus se confia!

 

- Feliz é todo aquele que não anda conforme os conselhos dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem junto aos zombadores vai sentar-se; mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar.

R: É feliz quem a Deus se confia!

 

- Eis que ele é semelhante a uma árvore, que à beira da torrente está plantada; ela sempre dá seus frutos a seu tempo, e jamais as suas folhas vão murchar. Eis que tudo o que ele faz vai prosperar.

R: É feliz quem a Deus se confia!

 

- Mas bem outra é a sorte dos perversos. Ao contrário, são iguais à palha seca espalhada e dispersa pelo vento. Pois Deus vigia o caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva à morte.

R: É feliz quem a Deus se confia!

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 16, 19-31

Glória a Cristo, palavra eterna do Pai, que é amor!

Glória a Cristo, palavra eterna do Pai, que é amor!

- Felizes os que observam a palavra do Senhor de reto coração; e que produzem muitos frutos, até o fim perseverantes! (Lc 8,15)

Glória a Cristo, palavra eterna do Pai, que é amor!

- O Senhor esteja convosco.

- Ele está no meio de nós.

 

- Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas.

- Glória a vós, Senhor!

- Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: 19”Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias”.

20Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão, à porta do rico. 21Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas. 22Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado. 23Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado.24Então gritou: ‘Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas’. 25Mas Abraão respondeu: ‘Filho, lembra-te de que recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. 26E, além disso, há grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós’. 27O rico insistiu: ‘Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa do meu pai, 28porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento’. 29Mas Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os profetas, que os escutem!’ 30O rico insistiu: ‘Não, Pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter’. 31Mas Abraão lhe disse: ‘Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos”’.

- Palavra da salvação.

- Glória a vós, Senhor!

 

Liturgia comentada
Há um grande abismo... (Lc 16,19-31)

Houve um tempo para o pobre: doença, miséria, feridas lambidas pelos cães. Houve um tempo para o rico: banquetes, roupas de luxo, indiferença pelo pobre. Um dia, o tempo acaba e as coisas se cristalizam, já não aceitam correções.

Findo o tempo, há um juízo, isto é, uma “separação”. O conceito de justiça – que costumamos representar pela espada – exige esta “crise”, uma separação final entre luz e treva, entre bem e mal, entre verdade e mentira. É assim que Lázaro se encontra agora no seio de Abraão (um espaço de acolhida, uma metáfora para nosso “céu”) e o rico indiferente acaba no Xeol, a mansão dos mortos, torturado e sedento.

Quando o rico da parábola divisa ao longe, no seio de Abraão, a figura de um “conhecido” – aquele miserável Lázaro que ele “desconhecera” todo o tempo -, vê a oportunidade de ser aliviado em seus tormentos. Mas o pedido que ele faz a Abraão não pode ser atendido: existe um abismo [no grego, chasma; em latim, chaos] intransponível entre o pobre consolado e o rico condenado.

Obviamente, trata-se do abismo da indiferença em relação ao Outro. A ponte que não foi estendida durante a vida é a mesma ponte que fará falta depois da morte. De certo modo, o próprio rico obrigou Deus a tomar partido...

André Louf pergunta: “De que lado se encontra Deus?” E passa a responder: “Uma primeira resposta é bem evidente: Deus se põe do lado dos pobres. Cuida deles, defende seus direitos, os direitos do pobre, da viúva e do órfão. E Deus não só tem cuidado dos pobres, mas veio colocar-se do lado deles, veio ocupar o lugar deles, identificar-se com eles. Ele se despojou – dizem os grandes textos de São Paulo -, ele se esvaziou, ele se rebaixou (cf. Fl 2,2), de rico ele se fez pobre. Em Jesus Cristo, pobre e abaixado, Deus assumiu o rosto da miséria humana e, desde então, é pra eles que a boa nova é dirigida, é a eles que pertence o Reino.”

O que ocorre quando o pobre grita? “A cada grito do pobre, Deus nos interpela, Deus nos estende a mão, Deus se faz nosso mendigo. Sobre nossa terra, de agora em diante, toda pobreza é um sinal evidente de Deus.”

Se isto assustasse um rico, que poderia ele fazer em sua defesa? Francisco abre mão das riquezas. Charles de Foucauld distribui seus bens aos pobres. Albert Schweitzer vai exercer a medicina entre os nativos do Congo. Pauline Jaricot evangeliza as operárias pobres. São muitos os caminhos.

Mas essas iniciativas só deram certo porque Francisco, Charles, Albert e Pauline se sentiam pobres e, por isso mesmo, dependiam de Deus em tudo. E só mesmo Deus pode estender uma ponte sobre nossos abismos...

Orai sem cessar: “A ti, Senhor, o pobre se abandona confiante!” (Sl 10,14)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
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