Quarta-feira – Santa Teresinha – virgem e doutora
(branco, pref. comum ou das virgens – ofício da memória)
Antífona
– O Senhor cercou-a de cuidados e a instruiu, guardou-a como a pupila dos seus olhos. Como águia estendeu as suas asas, tomou-a e levou-a nos seus ombros. Somente o Senhor foi o seu guia (Dt 32,10ss).
Coleta
– Ó Deus, que preparais o vosso Reino para os pequenos e humildes, fazei-nos seguir confiantes o caminho de Santa Teresinha do Menino Jesus, para que, por sua intercessão, nos seja revelada a vossa glória eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: Ne 2,1-8
– Leitura do livro de Neemias: 1Era o mês de Nisã, no vigésimo ano do rei Artaxerxes. Como o vinho estivesse diante do rei, eu peguei no vinho e ofereci-o ao rei. Como em sua presença eu nunca podia estar triste, 2o rei disse-me: “Por que estás com a fisionomia triste? Não estás doente. Isso só pode ser tristeza do coração”. Fiquei muito apreensivo e disse ao rei: 3“Que o rei viva para sempre! Como o meu rosto poderia não estar triste, quando está em ruínas a cidade onde estão os túmulos de meus pais e suas portas foram consumidas pelo fogo?” 4E o rei disse-me: “Que desejas?” Então, fazendo uma oração ao Deus do céu, 5eu disse ao rei: “Se for do agrado do rei e se o teu servo achar graça diante de ti, deixa-me ir para a Judeia, à cidade onde se encontram os túmulos de meus pais, a fim de que possa reconstruí-la”. 6O rei, junto de quem a rainha se sentara, perguntou-me: “Quanto tempo vai durar a tua viagem e quando estarás de volta?” Eu indiquei-lhe a data do regresso e ele autorizou-me a partir. 7Eu disse ainda ao rei: “Se parecer bem ao rei, sejam-me dadas cartas para os governadores de além do rio, para que me deixem passar, até que chegue à Judeia. 8E também outra carta para Asaf, guarda da floresta do rei, para que me forneça madeira de construção para as portas da cidadela do templo, para as muralhas da cidade, e para a casa em que vou morar”. E o rei concedeu-me tudo, pois a bondosa mão de Deus me protegia.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.
Salmo Responsorial: Sl 137,1-2.3-4.5-6 (R: 6a)
– Que se prenda a minha língua ao céu da boca, se de ti Jerusalém, eu me esquecer!
R: Que se prenda a minha língua ao céu da boca, se de ti Jerusalém, eu me esquecer!
– Junto aos rios da Babilônia nos sentávamos chorando, com saudades de Sião. Nos salgueiros por ali penduramos nossas harpas.
R: Que se prenda a minha língua ao céu da boca, se de ti Jerusalém, eu me esquecer!
– Pois foi lá que os opressores nos pediram nossos cânticos; nossos guardas exigiam alegria na tristeza: “Cantai hoje para nós algum canto de Sião”
R: Que se prenda a minha língua ao céu da boca, se de ti Jerusalém, eu me esquecer!
– Como havemos de cantar os cantares do Senhor numa terra estrangeira? Se de ti, Jerusalém, algum dia eu me esquecer, que resseque a minha mão.
R: Que se prenda a minha língua ao céu da boca, se de ti Jerusalém, eu me esquecer!
– Que se cole a minha língua e se prenda ao céu da boca, se de ti não me lembrar! Se não for Jerusalém minha grande alegria!
R: Que se prenda a minha língua ao céu da boca, se de ti Jerusalém, eu me esquecer!
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Em tudo considero como perda e como lixo a fim de eu ganhar Cristo e ser achado nele! (Fl 3,8).
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 9,57-62
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas
– Glória a vós, Senhor!
– Naquele tempo, 57enquanto Jesus e seus discípulos caminhavam, alguém na estrada disse a Jesus: “Eu te seguirei para onde quer que fores”. 58Jesus lhe respondeu: “As raposas têm tocas e os pássaros têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça”. 59Jesus disse a outro: “Segue-me”. Este respondeu: “Deixa-me primeiro ir enterrar meu pai”. 60Jesus respondeu: “Deixa que os mortos enterrem os seus mortos; mas tu, vai anunciar o Reino de Deus”. 61Um outro ainda lhe disse: “Eu te seguirei, Senhor, mas deixa-me primeiro despedir-me dos meus familiares”. 62Jesus, porém, respondeu-lhe: “Quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino de Deus”.
– Palavra da salvação.
– Glória a vós, Senhor!
Liturgia comentada
Quem olha para trás… (Lc 9,57-62)
Nós somos humanos. No entusiasmo do primeiro amor, assumimos prontamente o compromisso de evangelizar. Aquela profunda pulsação que vibra em nós, queremos que outros a experimentem em sua vida.
Mas continuamos sempre humanos. Logo se apresentam as barreiras, dificuldades inesperadas, as mais duras incompreensões. Somos tentados a desanimar e abandonar tudo. Assim, a imagem empregada por Jesus define bem a situação: pôr a mão no arado e… olhar para trás…
Quando nós lemos a vida dos santos, descobrimos com certa surpresa que todos eles passaram por essa mesma encruzilhada. E não era para menos… São João Bosco sente o chamado para estender a ação de sua Congregação para outros países, mas enfrenta a oposição direta de seu bispo. Só lhe resta obedecer. São José de Calasanz é caluniado gravemente por dois de seus sacerdotes. Roma manda fechar a sua Obra. O Santo obedece e morre. Só após sua morte as Escolas Pias seriam reabertas e se espalhariam pelo mundo. Também São Francisco de Assis vê sua Ordem dominada pelos “doutores” e é praticamente aposentado nas montanhas geladas.
Certamente, todos eles foram perseverantes e não abandonaram o seu arado. Mas sabemos perfeitamente que sofrimentos íntimos precisaram enfrentar! É assim que acontece igualmente quando os casais enfrentam as dificuldades do casamento e são tentados a romper o juramento prestado diante de Deus e da Igreja. Acontece, ainda, com os estudantes que se sentem incapazes de atender às exigências dos professores. Acontece igualmente com os educadores e os profissionais da saúde que trabalham sem as mínimas condições materiais.
Acontece, enfim, com os doentes crônicos ou já em fase terminal, normalmente rondados pelos terríveis fantasmas do desespero.
A todos eles, Jesus está dizendo em tom suave, mas sério: “Não olhe para trás! Você não está sozinho! Abrace firme a sua cruz e sinta a minha presença do seu lado… Estaremos juntos até o fim…”
O Papa João Paulo II foi até o fim em sua missão. Quando sugeriram que deixasse a Cátedra de Pedro, devido aos graves problemas de saúde que enfrentava, ele disse: “O Papa não pede demissão.” E o apóstolo Paulo escreveu na mesma linha: “Consciente de não ter ainda conquistado a meta, só procuro isto: prescindindo do passado e atirando-me ao que resta para a frente, persigo o alvo, rumo ao prêmio celeste, ao qual Deus nos chama, em Jesus Cristo.” (Fl 3, 13-14.)
Orai sem cessar: “O Senhor não há de abandonar a sua herança.” (Sl 94,14)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Nova Aliança.