Sábado – Santíssimo nome de Jesus
(branco, pref. do Natal – ofício do dia)
Antífona
– Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, para que todos recebêssemos a filiação adotiva (Gl 4,4s).
Coleta
– Deus eterno e todo poderoso, pela vinda do vosso Filho unigênito, vos manifestastes em nova luz. Assim como merecemos que ele participasse da nossa humanidade, nascendo da Virgem, possamos também participar de sua vida no Reino. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos
1ª Leitura: 1 Jo 2,29-3,6
– Leitura da primeira carta de São João: Caríssimos: 29 Já que sabeis que ele é justo, sabei também que todo aquele que pratica a justiça nasceu dele. 3,1Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai. 2 Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é. 3 Todo o que espera nele, purifica-se a si mesmo, como também ele é puro. 4 Todo o que comete pecado comete também a iniquidade, porque o pecado é a iniquidade. 5 Vós sabeis que ele se manifestou para tirar os pecados e que nele não há pecado. 6 Todo aquele que peca mostra que não o viu, nem o conheceu.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.
Salmo Responsorial: Sl 98,1.3cd-4.5-6 (R: 3a)
– Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus.
R: Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus.
– Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! Sua mão e seu braço forte e santo alcançaram-lhe a vitória.
R: Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus.
– Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus. Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos e exultai!
R: Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus.
– Cantai salmos ao Senhor ao som da harpa e da cítara suave! Aclamai, com os clarins e as trombetas, ao Senhor, o nosso Rei!
R: Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus.
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– A Palavra se fez carne, entre nós ela habitou; e todos os que a acolheram, de Deus filhos se tornaram (Jo 1,14.12).
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo João: Jo 1,29-34
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo João.
– Glória a vós, Senhor!
– 29 No dia seguinte, João viu Jesus aproximar-se dele e disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. 30 Dele é que eu disse: Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque existia antes de mim. 31 Também eu não o conhecia, mas se eu vim batizar com água, foi para que ele fosse manifestado a Israel”. 32 E João deu testemunho, dizendo: “Eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu, e permanecer sobre ele. 33Também eu não o conhecia, mas aquele que me enviou a batizar com água me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, este é quem batiza com o Espírito Santo’. 34Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus!”
– Palavra da salvação.
– Glória a vós, Senhor!
Liturgia comentada
Como uma pomba… (Jo 1, 29-34)
É a este Evangelho que devemos a representação do Espírito Santo na figura de uma pomba, ainda que pudéssemos identificar raízes ainda mais antigas naquela pomba que levou o ramo verde para a arca.
Dou a palavra a Lev Gillet, que por muitos anos se manteve anônimo sob o pseudônimo de “um monge da Igreja do Oriente”:
“João vê o Espírito descer do céu como uma pomba e pousar sobre Jesus. Este traço é de importância fundamental. O movimento do Espírito – naquilo que se torna manifesto aos homens – é um movimento PARA JESUS, um movimento orientado e dirigido para o Cordeiro.” Esquecer esta verdade é desviar-se do caminho.
“Desde já, devemos – e de um modo radical – rejeitar a quimera que perdeu tantas inteligências, aliás nobres e piedosas. Referimo-nos ao sonho de um “terceiro reino”, o reino do Espírito que substituiria a Jesus – um reino final que sucederia ao Reino do Pai. Não existe reino do Espírito independente do “Reino de Deus”, o que anuncia o Evangelho e do qual Jesus Cristo é o dispensador. Mais do que ator, e sendo ele mesmo todo ação e realização, o Espírito Santo constitui o instrumento deste Reino; e o instrumento age de maneira tão perfeita, coincide tão estreitamente com a obra, que o próprio Espírito se identifica com o Reino.”
Não admira, então, que, em alguns manuscritos muito antigos do Evangelho de São Lucas, a Oração do Senhor traga uma petição pelo Espírito ali onde nós costumamos pedir pelo Reino. Mesmo assim, o Espírito não se faz de “possuidor”. Se o Espírito é Rei, “sua realeza consiste em inclinar seus súditos para Aquele que disse a Pilatos: ‘Eu sou Rei’ (cf. Jo 19, 37). A ação do Espírito, seu reinado invisível sobre as almas, cria e manifesta a Realeza do Verbo feito carne”.
Sim, nossa Igreja é cristocêntrica. Não é pneumatocêntrica. O lugar central não é ocupado pelo Espírito Santo, mas por Jesus. Desde Pentecostes, a Pomba de fogo que vem sobre cada um, em forma de línguas individuais, leva a confessar Jesus como Senhor e Salvador. Só nesse Espírito podemos dizer “Abba”, como diz o Filho (cf. Gl 4, 6), reconhecendo a Deus como nosso Pai.
“A Pomba desce sobre o Cordeiro para no-lo mostrar. O Espírito Santo desperta e aviva em nós a lembrança de Jesus. Mas estas palavras são fracas. O Espírito põe Jesus diante de nós. Ele traça diante de nós a imagem, a Pessoa do Salvador. Ele é o eco da Palavra. Ele é o ressonador, o amplificador do Verbo de Deus.”
O Espírito revela Jesus. E Jesus nos conduz ao Pai.
Orai sem cessar: “O Espírito e a esposa dizem: Vem!” (Ap 22, 17)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança