Sexta-feira – Beatos André, Ambrósio, presbiteros Mateus e companheiros, mártires
(vermelho, pref. comum ou dos mártires – ofício da memória)
Antífona
– Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro. (Ap 7,14).
Coleta
– Ó Deus, concedestes admirável constância no martírio aos Santos André e Ambrósio, presbítero, Mateus Moreira e seus companheiros leigos; fazei que o seu testemunho de fé fortaleça as nossas comunidades e estimule a ação missionária de vossa Igreja. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: Br 1,15-22
– Leitura do livro de Baruc: 15Ao Senhor nosso Deus, cabe justiça; enquanto a nós, resta-nos corar de vergonha, como acontece no dia de hoje aos homens de Judá e aos habitantes de Jerusalém, 16aos nossos reis, nossos príncipes e sacerdotes, aos nossos profetas e nossos antepassados: 17pois pecamos diante do Senhor e lhe desobedecemos 18e não ouvimos a voz do Senhor, nosso Deus, que nos exortava a viver de acordo com os mandamentos que ele pôs sob os nossos olhos. 19Desde o dia em que o Senhor tirou nossos pais do Egito, até hoje, temos sido desobedientes ao Senhor nosso Deus, procedemos inconsideradamente, deixando de ouvir sua voz; 20por isso perseguem-nos as calamidades e a maldição, que o Senhor nos lançou por meio de Moisés, seu servo, no dia em que tirou nossos pais do Egito, para nos dar uma terra que mana leite e mel, como de fato é hoje. 21Mas não escutamos a voz do Senhor, nosso Deus, como vem nas palavras dos profetas que ele nos enviou, 22e entregamo-nos, cada qual, às inclinações do perverso coração, para servir a outros deuses e praticar o mal aos olhos do Senhor, nosso Deus!
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.
Salmo Responsorial: Sl 79,1-2.3-5.8.9 (R: 9b)
– Por vosso nome e vossa glória, libertai-nos, ó Senhor!
R: Por vosso nome e vossa glória, libertai-nos, ó Senhor!
– Invadiram vossa herança os infiéis, profanaram, ó Senhor, o vosso templo. Jerusalém foi reduzida a ruínas! Lançaram aos abutres como pasto os cadáveres dos vossos servidores; e às feras da floresta entregaram os corpos dos fiéis, vossos eleitos.
R: Por vosso nome e vossa glória, libertai-nos, ó Senhor!
– Derramaram o seu sangue como água em torno das muralhas de Sião, e não houve quem lhes desse sepultura! Nós nos tornamos o opróbrio dos vizinhos, um objeto de desprezo e zombaria para os povos e àqueles que nos cercam. Mas até quando, ó Senhor, veremos isto? Conservareis eternamente a vossa ira? Como fogo arderá a vossa cólera?
R: Por vosso nome e vossa glória, libertai-nos, ó Senhor!
– Não lembreis as nossas culpas do passado, mas venha logo sobre nós vossa bondade, pois estamos humilhados em extremo.
R: Por vosso nome e vossa glória, libertai-nos, ó Senhor!
– Ajudai-nos, nosso Deus e Salvador! Por vosso nome e vossa glória, libertai-nos! Por vosso nome, perdoai nossos pecados!
R: Por vosso nome e vossa glória, libertai-nos, ó Senhor!
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: Não fecheis os corações como em Meriba!
(Sl 94,8).
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 10,13-16
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas
– Glória a vós, Senhor!
– Naquele tempo, disse Jesus: 13“Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque se em Tiro e Sidônia tivessem sido realizados os milagres que foram feitos no vosso meio, há muito tempo teriam feito penitência, vestindo-se de cilício e sentando-se sobre cinzas. 14Pois bem: no dia do julgamento, Tiro e Sidônia terão uma sentença menos dura do que vós. 15Ai de ti, Carfanaum! Serás elevada até o céu? Não, tu serás atirada no inferno. 16Quem vos escuta a mim escuta; e quem vos rejeita a mim despreza; mas quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou”.
– Palavra da salvação.
– Glória a vós, Senhor!
Liturgia comentada
Quem vos ouve, a mim ouve… (Lc 10,13-16)
Nós sabemos e cremos que a Igreja é o Corpo de Cristo. O ensinamento paulino não deixa nenhuma dúvida a este respeito. Neste “corpo”, Cristo é a cabeça; nós, os seus membros. (Cf. Rm 12,4-5; 1Cor 12,12ss; Ef 5,30; Cl 1,18.) Por isso mesmo, Cristo e sua Igreja são inseparáveis, vivem em simbiose, uma vida comum de recíprocas relações. São Cirilo de Jerusalém observa que nós, ao participarmos da Santíssima Eucaristia, alimentando-nos com o Corpo e o Sangue de Cristo, nos tornamos com ele um só corpo (sýssomos) e um só sangue (sýnaimos).
E São João Crisóstomo ouve dizer-lhe o Cristo: “Desci novamente à terra, não só para me misturar com os da tua gente, mas também para te abraçar: deixo-me comer por ti e deixo-me partir em pequenos pedaços, para que a nossa união e amálgama sejam verdadeiramente perfeitas. De fato, enquanto os seres que se unem mantêm perfeitamente distinta a sua individualidade, eu, invés, formo uma unidade contigo. Aliás, não quero que nada se meta entre nós; só quero o seguinte: que ambos formemos uma só coisa”.
Além dessa união individual com cada fiel, com cada batizado, Jesus Cristo está unido a toda a Igreja como um corpo. O Espírito Santo, dado à Igreja em Pentecostes, é o mesmo Espírito de Jesus, que ele, na cruz, entrega ao Pai: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu Espírito”. (Lc 23,46.) O Espírito Santo é o “outro Consolador” (cf. Jo 14,16) que Jesus prometera pedir ao Pai.
Quando a sociedade humana olha para a Igreja como se ela fosse apenas uma organização jurídica, administrativa e hierárquica, ignora sua realidade mística, isto é, sua profunda identidade com o próprio Senhor. Fixam seu olhar desatento apenas nas aparências externas, deixando de perceber a vida de Deus que pulsa na Igreja, sua profunda unidade com Cristo.
Se eles tivessem noção dessa in-corporação, certamente aceitariam que Deus fala pela boca da Igreja, mesmo quando esta, com base no Evangelho, parece emitir conceitos bem práticos e sugerir princípios éticos para o tratamento de questões aparentemente estranhas à sua natureza íntima, como quando o magistério eclesial analisa problemas sociais, ambientais e econômicos.
Há muita gente falando mal da Igreja, como se ela fosse apenas uma sociedade humana, um clube de religiosos. No fundo, ainda se ouve a voz do Senhor: “Quem vos ouve, a mim ouve. Quem vos rejeita, é a mim que rejeita. Quem me rejeita, rejeita o Pai, que me enviou.” (Lc 10,16)
Orai sem cessar: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim.” (Gl 2,20)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.