Segunda-feira – São João Vianney – Presbítero e confessor
(branco, pref. comum ou dos pastores – ofício da memória)
Antífona
– Vossos sacerdotes, Senhor, se vistam de justiça e vossos santos exultem de alegria (Sl 131,9).
Coleta
– Deus de poder e misericórdia, que tornastes o presbítero São João Maria Vianney admirável por seu zelo pastoral, concedei-nos, por seu exemplo e sua intercessão, conquistar no amor irmãos e irmãs para Cristo e com eles alcançar a glória eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: Nm 11,4b-15
– Leitura do livro dos Números – Naqueles dias, 4bos filhos de Israel começaram a lamentar-se, dizendo: “Quem nos dará carne para comer? 5Vêm-nos à memória os peixes que comíamos de graça no Egito, os pepinos e os melões, as verduras, as cebolas e os alhos. 6Aqui nada tem gosto ao nosso paladar, não vemos outra coisa a não ser o maná”. 7O maná era parecido com a semente do coentro e amarelado como certa resina. 8O povo se dispersava para o recolher e o moia num moinho, ou socava num pilão. Depois o cozinhavam numa panela e faziam broas com gosto de pão amassado com azeite. 9À noite, quando o orvalho caía no acampamento, caía também o maná. 10Moisés ouviu, pois, o povo lamentar-se em cada família, cada um à entrada de sua tenda. 11Então o Senhor tomou-se de uma cólera violenta, e Moisés, achando também tal coisa intolerável, disse ao Senhor: “Por que maltrataste assim o teu povo? Por que gozo tão pouco do teu favor, a ponto de descarregares sobre mim o peso de todo este povo? 12Acaso fui eu quem concebeu e deu à luz todo este povo, para que me digas: ‘Carrega-o ao colo, como a ama costuma fazer com a criança; e leva-o à terra que juraste dar a seus pais!’? 13Onde conseguirei carne para dar a toda esta gente? Pois se lamentam contra mim, dizendo: ‘Dá-nos carne para comer!’ 14Já não posso suportar sozinho o peso de todo este povo: é grande demais para mim. 15Se queres continuar a tratar-me assim, peço-te que me tires a vida, se achei graça a teus olhos, para que eu não veja mais tamanha desgraça”.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.
Salmo Responsorial: Sl 81,12-13.14-15.16-17 (R: 2a)
– Exultai no Senhor, nossa força.
R: Exultai no Senhor, nossa força.
– Mas meu povo não ouviu a minha voz, Israel não quis saber de obedecer-me. Deixei, então, que eles seguissem seus caprichos, abandonei-os a seu duro coração.
R: Exultai no Senhor, nossa força.
– Quem me dera que meu povo me escutasse! Que Israel andasse sempre em meus caminhos! Seus inimigos, sem demora, humilharia e voltaria minha mão contra o opressor.
R: Exultai no Senhor, nossa força.
– Os que odeiam o Senhor o adulariam, seria este seu destino para sempre; eu lhe daria de comer a flor do trigo, e com o mel que sai da rocha o fartaria.
R: Exultai no Senhor, nossa força.
Aclamação ao santo Evangelho.
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– O homem não vive somente de pão, mas de toda palavra da boca de Deus! (Mt 4,4b)
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 14,13-21
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus.
– Glória a vós, Senhor!
– Naquele tempo, 13quando soube da morte de João Batista, Jesus partiu e foi de barco para um lugar deserto e afastado. Mas quando as multidões souberam disso, saíram das cidades e o seguiram a pé. 14Ao sair da barca, Jesus viu uma grande multidão. Encheu-se de compaixão por eles e curou os que estavam doentes. 15Ao entardecer, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram: “Este lugar é deserto e a hora já está adiantada. Despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar comida!” 16Jesus porém lhes disse: “Eles não precisam ir embora. Dai-lhes vós mesmos de comer!” 17Os discípulos responderam: “Só temos aqui cinco pães e dois peixes”. 18Jesus disse: “Trazei-os aqui”. 19Jesus mandou que as multidões se sentassem na grama. Então pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu e pronunciou a bênção. Em seguida partiu os pães, e os deu aos discípulos. Os discípulos os distribuíram às multidões. 20Todos comeram e ficaram satisfeitos, e dos pedaços que sobraram, recolheram ainda doze cestos cheios. 21E os que haviam comido eram mais ou menos cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.
– Palavra da salvação.
– Glória a vós, Senhor!
Liturgia comentada
Todos comeram… (Mt 14,13-21)
Sim, todos comeram. E eram cinco mil, sem contar mulheres e crianças, que àquela época não se costumava recensear. Ninguém ficou com fome. E ainda sobraram quantos cestos cheios de pão? Doze.
Mas não era esta a intenção inicial dos discípulos de Jesus. Quando viram a multidão com fome e o adiantado da hora, sugeriram uma solução bem prática: devolver todo mundo para casa. Se desfalecessem pelo caminho, cavacos do ofício…
Pois não foi este o desígnio do Mestre. Por estranho que parecesse, ele deu a ordem: “Vocês mesmos deem a eles de comer…” É assim que Jesus nos obriga a entender que a fome do outro é, sim, problema nosso.
E fique bem claro que não havia comida suficiente para ser “partilhada” com a grande multidão, como pretendem certos pregadores distributivistas. Cinco pães e dois lambaris jamais saciariam tanta gente. Ou seja, estamos de fato diante de um milagre. Nós entramos com pouco e Deus entra com mais que o necessário. É sobre este descompasso entre o humano e o divino que Urs von Balthasar nos esclarece:
“O motivo atravessa os evangelhos: desde Caná, a primeira revelação pública, o homem tem pouco demais, e Deus lhe oferece em excesso. Mais vinho e, depois, por assim dizer, tarde demais, uma superabundância. Cinco pães e, após a saciedade de milhares de pessoas, doze cestos daquilo que sobrou e é devolvido aos discípulos para que o gerenciem.
Naturalmente, o paradoxo material é apenas um ‘sinal’. Uma parábola para aquilo é espiritual: o Todo-Poderoso é doce e humilde de coração, o revelador, rejeitado por todos, e recebe o julgamento total sobre o mundo que lhe é transmitido. Não se trata apenas da oposição entre a pobreza do homem e a riqueza de Deus, mas do paradoxo bem mais profundo de um Deus que se faz pobre para nos enriquecer a todos (cf. 2Cor 8,9). Ele, o perseguido, distribui diante de nós, precisamente nessa situação, a sua riqueza inconcebível.”
Os socialistas vão insistir nas fazendas coletivas. Os financistas dirão que é preciso, primeiro, deixar o bolo crescer para depois reparti-lo com quem sentir fome (se não tiver morrido ainda). Jesus é diferente: ele ensina a contar com Deus, aquele que multiplica nosso nada e divide o seu tudo.
É diferente a matemática de Deus…
Orai sem cessar: “O Senhor não deixa que o justo passe fome.” (Pr 10,3)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.