São João Maria Vianney, Presbítero, Memória
Antífona de entrada
Vossos sacerdotes, Senhor, se vistam de justiça e vossos santos exultem de alegria. (Cf. Sl 131, 9)
Coleta
Deus de poder e misericórdia, que tornastes o presbítero São João Maria Vianney admirável por seu zelo pastoral, concedei-nos, por seu exemplo e intercessão, conquistar no amor irmãos e irmãs para Cristo e com eles alcançar a glória eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — Jr 30, 1-2. 12-15. 18-22
Leitura do Livro do Profeta Jeremias
1 Palavra que foi dirigida a Jeremias, da parte do Senhor: 2 “Isto diz o Senhor, Deus de Israel: Escreve para ti, num livro, todas as palavras que te falei. 12 Isto diz o Senhor: Incurável é tua ferida, maligna tua chaga; 13 não há quem conheça teu diagnóstico; uma úlcera tem remédio, mas em ti não se produz cicatrização.
14 Todos os teus amigos te esqueceram, não te procuram mais; eu te causei uma ferida, como se fosses inimigo, como um castigo cruel: por causa do grande número de maldades que te fez endurecer no pecado.
15 Por que gritas em teu sofrimento? É insanável a tua dor. Eu te tratei com rudeza por causa das tuas inúmeras maldades e por causa do teu endurecimento no pecado. 18 Isto diz o Senhor: Eis que eu mudarei a sorte das tendas de Jacó e terei compaixão de suas moradias, a cidade ressurgirá das suas ruínas e a fortaleza terá lugar para suas fundações; 19 de lá sairão cânticos de louvor e sons festivos. Hei de multiplicá-los, eles não diminuirão, hei de glorificá-los, eles não serão humilhados.
20 Teus filhos serão felizes como outrora, e sua comunidade, estável na minha presença; e agirei contra todos os que os molestarem.
21 Para chefe será escolhido um dos seus, e o soberano sairá do seu meio; eu o incitarei, e ele se aproximará de mim. Quem dará a vida em penhor da sua aproximação de mim? — diz o Senhor. 22 Sereis meu povo e eu serei vosso Deus”.
Palavra do Senhor.
Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 101(102), 16-18. 19-21. 29 e 22-23 (R. 20b)
O Senhor olhou a terra do alto céu.
As nações respeitarão o vosso nome, e os reis de toda a terra, a vossa glória; quando o Senhor reconstruir Jerusalém e aparecer com gloriosa majestade, ele ouvirá a oração dos oprimidos e não desprezará a sua prece.
O Senhor olhou a terra do alto céu.
Para as futuras gerações se escreva isto, e um povo novo a ser criado louve a Deus. Ele inclinou-se de seu templo nas alturas, e o Senhor olhou a terra do alto céu, para os gemidos dos cativos escutar e da morte libertar os condenados.
O Senhor olhou a terra do alto céu.
Assim também a geração dos vossos servos terá casa e viverá em segurança, e ante vós se firmará sua descendência. Para que cantem o seu nome em Sião e louve ao Senhor Jerusalém, quando os povos e as nações se reunirem e todos os impérios o servirem.
O Senhor olhou a terra do alto céu.
Mestre, tu és o Filho de Deus, és Rei de Israel! (Jo 1, 49b)
Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Mt 15, 1-2. 10-14
O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Mateus
Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 1 alguns fariseus e mestres da Lei, vindos de Jerusalém, aproximaram-se de Jesus e perguntaram:
2 “Por que os teus discípulos não observam a tradição dos antigos? Pois não lavam as mãos quando comem o pão!”
10 Jesus chamou a multidão para perto de si e disse: “Escutai e compreendei.
11 Não é o que entra pela boca que torna o homem impuro, mas o que sai da boca, isso é que torna o homem impuro”.
12 Então os discípulos se aproximaram e disseram a Jesus: “Sabes que os fariseus ficaram escandalizados ao ouvir as tuas palavras?”
13 Jesus respondeu: “Toda planta que não foi plantada pelo meu Pai celeste será arrancada.
14 Deixai-os! São cegos guiando cegos. Ora, se um cego guia outro cego, os dois cairão no buraco”.
Palavra da Salvação.
Glória a vós, Senhor.
PALAVRA DE VIDA
Ficaram indignados… (Mt 15,1-2.10-14
Este Evangelho registra a indignação dos homens da Lei judaica diante da pregação de Jesus de Nazaré, que opunha ao ensino moralista e casuístico dos fariseus uma atitude de ampla liberdade, reconduzindo a prática religiosa ao essencial e libertando-a das picuinhas com que os maus mestres envenenavam o povo.
E a reação de Jesus diante dessa indignação raia pelo desprezo: “Deixai-os!” É o mesmo que dizer: “Esqueçam essa gente! Joguem fora esse ensinamento!” Com isso, os “mestres de Israel” (cf. Jo 3,10) caíam em descrédito e perdiam sua pretensa autoridade moral e espiritual junto à população.
Em nossos dias, repete-se o triste cenário dos pregadores que reduzem a Boa Nova de Jesus a um conjunto de fórmulas e receitas prontas que apenas contribuem para tornar distante e antipático o Filho de Deus que deu sua vida por nós. Aquele que veio como libertador acaba apresentado como uma camisa de força. Troca-se o fiel animado pela liberdade do Espírito Santo por uma espécie de múmia sem alma e sem coração.
Jesus prega um “Evangelho do coração”, uma lei interior justificada pelo amor, livre de quinquilharias que só servem para conservar o crente em vidros de formol. Jesus troca a pureza ritual, buscada em gestos exteriores, pela pureza do coração.
O biblista Hébert Roux comenta esta passagem: “Aqui, como na maior parte dos textos evangélicos, o coração designa o ser humano enquanto dotado de vontade e capaz de dedicação e afeto. O erro dos fariseus e de suas prescrições formalistas consiste em crer que a impureza é exterior ao homem, e que é possível preservar-se dela graças a algumas precauções e cerimônias. Sua prática ritual tem por efeito produzir uma falsa obediência e uma falsa liberdade, pois elas submetem as almas a alguma coisa que não é Deus; favorecem o afastamento do coração que se considera livre de dívida, a baixo preço, em relação às reais exigências da Lei”.
De fato, em nosso encontro definitivo, o Senhor não vai perguntar se lavamos as mãos antes do jantar, mas se viemos para o festim nupcial com o coração cheio de amor e de misericórdia. E a misericórdia prevalecerá sobre as mãos sujas…
Orai sem cessar: “É para a liberdade que Cristo nos libertou…” (Gl 5,1)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.