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LITURGIA

Liturgia Diária

Liturgia de 04 de junho de 2026

Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, Solenidade


Antífona de entrada

O Senhor os alimentou com a flor do trigo e com o mel do rochedo os saciou. (Cf. Sl 80, 17)


Glória

Glória a Deus nas alturas,
e paz na terra aos homens por Ele amados.
Senhor Deus, rei dos céus,
Deus Pai todo-poderoso.

Nós vos louvamos,
nós vos bendizemos,
nós vos adoramos,
nós vos glorificamos,
nós vos damos graças
por vossa imensa glória.

Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito,
Senhor Deus, Cordeiro de Deus,
Filho de Deus Pai.

Vós que tirais o pecado do mundo,
tende piedade de nós.

Vós que tirais o pecado do mundo,
acolhei a nossa súplica.

Vós que estais à direita do Pai,
tende piedade de nós.

Só Vós sois o Santo,
só vós, o Senhor,
só vós, o Altíssimo,
Jesus Cristo,
com o Espírito Santo,
na glória de Deus Pai.

Amém.


Coleta

Senhor Jesus Cristo, neste admirável sacramento nos deixastes o memorial da vossa paixão; dai-nos venerar de tal modo o sagrado mistério do vosso Corpo e Sangue, que experimentemos continuamente os frutos da vossa redenção. Vós, que sois Deus, e viveis e reinais com o Pai, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.


Primeira Leitura — Dt 8, 2-3. 14b-16a

Leitura do Livro do Deuteronômio
Moisés falou ao povo, dizendo: 2 Lembra-te de todo o caminho por onde o Senhor teu Deus te conduziu, esses quarenta anos, no deserto, para te humilhar e te pôr à prova, para saber o que tinhas no teu coração, e para ver se observarias ou não seus mandamentos.

3 Ele te humilhou, fazendo-te passar fome e alimentando-te com o maná que nem tu nem teus pais conhecíeis, para te mostrar que nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca do Senhor.

14b Não te esqueças do Senhor teu Deus que te fez sair do Egito, da casa da escravidão, 15 e que foi teu guia no vasto e terrível deserto, onde havia serpentes abrasadoras, escorpiões, e uma terra árida e sem água nenhuma. Foi ele que fez jorrar água para ti da pedra duríssima, 16a e te alimentou no deserto com maná, que teus pais não conheciam.

Palavra do Senhor.
Graças a Deus.


Salmo Responsorial — Sl 147(147B), 12-13. 14-15. 19-20 (R. 12)

Glorifica o Senhor, Jerusalém; celebra teu Deus, ó Sião!

Glorifica o Senhor, Jerusalém! Ó Sião, canta louvores ao teu Deus! Pois reforçou com segurança as tuas portas, e os teus filhos em teu seio abençoou.
Glorifica o Senhor, Jerusalém; celebra teu Deus, ó Sião!

A paz em teus limites garantiu e te dá como alimento a flor do trigo. Ele envia suas ordens para a terra, e a palavra que ele diz corre veloz.
Glorifica o Senhor, Jerusalém; celebra teu Deus, ó Sião!

Anuncia a Jacó sua palavra, seus preceitos e suas leis a Israel. Nenhum povo recebeu tanto carinho, a nenhum outro revelou os seus preceitos.
Glorifica o Senhor, Jerusalém; celebra teu Deus, ó Sião!


Segunda Leitura — 1Cor 10, 16-17

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios
Irmãos: 16 O cálice da bênção, o cálice que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? E o pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo? 17 Porque há um só pão, nós todos somos um só corpo, pois todos participamos desse único pão.

Palavra do Senhor.
Graças a Deus.


Sequência
(Forma longa. A forma abreviada está indicada a partir dos colchetes)

Terra, exulta de alegria,
louva teu pastor e guia
com teus hinos, tua voz!

Tanto possas, tanto ouses,
em louvá-lo não repouses:
sempre excede o teu louvor!

Hoje a Igreja te convida:
ao pão vivo que dá vida
vem com ela celebrar!

Este pão, que o mundo o creia!
por Jesus, na santa ceia,
foi entregue aos que escolheu.

Nosso júbilo cantemos,
nosso amor manifestemos,
pois transborda o coração!

Quão solene a festa, o dia
que da santa Eucaristia
nos recorda a instituição!

Novo Rei e nova mesa,
nova Páscoa e realeza,
foi-se a Páscoa dos judeus.

Era sombra o antigo povo,
o que é velho cede ao novo:
foge a noite, chega a luz.

O que o Cristo fez na ceia,
manda à Igreja que o rodeia
repeti-lo até voltar.

Seu preceito conhecemos:
pão e vinho consagremos
para nossa salvação.

Faz-se carne o pão de trigo,
faz-se sangue o vinho amigo:
deve-o crer todo cristão.

Se não vês nem compreendes,
gosto e vista tu transcendes,
elevado pela fé.

Pão e vinho, eis o que vemos;
mas ao Cristo é que nós temos
em tão ínfimos sinais…

Alimento verdadeiro,
permanece o Cristo inteiro
quer no vinho, quer no pão.

É por todos recebido,
não em parte ou dividido,
pois inteiro é que se dá!

Um ou mil comungam dele,
tanto este quanto aquele:
multiplica-se o Senhor.

Dá-se ao bom como ao perverso,
mas o efeito é bem diverso:
vida e morte traz em si…

Pensa bem: igual comida,
se ao que é bom enche de vida,
traz a morte para o mau.

Eis a hóstia dividida…
Quem hesita, quem duvida?
Como é toda o autor da vida,
a partícula também.

Jesus não é atingido:
o sinal é que é partido;
mas não é diminuído,
nem se muda o que contém.

[Eis o pão que os anjos comem
transformado em pão do homem;
só os filhos o consomem:
não será lançado aos cães!

Em sinais prefigurado,
por Abraão foi imolado,
no cordeiro aos pais foi dado,
no deserto foi maná…

Bom pastor, pão de verdade,
piedade, ó Jesus, piedade,
conservai-nos na unidade,
extingui nossa orfandade,
transportai-nos para o Pai!

Aos mortais dando comida,
dais também o pão da vida;
que a família assim nutrida
seja um dia reunida
aos convivas lá do céu!]

Eu sou o pão vivo descido do céu; quem deste pão come, sempre há de viver! (Jo 6, 51)
Aleluia, Aleluia, Aleluia.


Evangelho — Jo 6, 51-58

O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João
Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo: disse Jesus às multidões dos judeus: 51 “Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”. 52 Os judeus discutiam entre si, dizendo: “Como é que ele pode dar a sua carne a comer?”

53 Então Jesus disse: “Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. 54 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. 55 Porque a minha carne é verdadeira comida, e o meu sangue, verdadeira bebida. 56 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. 57 Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por causa do Pai, assim aquele que me recebe como alimento viverá por causa de mim. 58 Este é o pão que desceu do céu. Não é como aquele que os vossos pais comeram. Eles morreram. Aquele que come este pão viverá para sempre”.

Palavra da Salvação.
Glória a vós, Senhor.


PALAVRA DE VIDA
Viverá eternamente… (Jo 6,51-58)

O narrador é Dom Claude Rault, que foi Bispo do Saara argelino:

“Há muitos anos, um religioso que convivia com os moradores de um bairro muçulmano, em uma cidade do Paquistão, tinha sido detido e encarcerado devido a uma denúncia falsa.

Sua prisão iria durar muitos meses. Sendo o preso um leigo consagrado, não podia ali celebrar nem receber a Eucaristia. Era seu vizinho, um muçulmano de condição humilde, que regularmente levava-lhe a Comunhão em um envelope:

  • Toma! – disse-lhe o amigo muçulmano na primeira vez. Trago para ti o pão que te faz viver!

E o homem comprometeu-se a fazer regularmente esse vai e vem da paróquia cristã até a prisão. Ele sabia que aquele alimento era vital para seu amigo. E isto é tudo!”

“Alimento vital!” Certamente, assim fica mais fácil entender o conteúdo do “discurso eucarístico” de Jesus, com as palavras que tantas vezes soam aos nossos ouvidos dispersos como uma lenda piedosa: “Eu sou o pão vivo que desci do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente”. (Jo 6,51) Estamos falando de uma vida “eterna” que já começa aqui no tempo, na história, alimentados com o sacramento que nos torna concorpóreos e consanguíneos de Jesus Cristo.

A oferta gratuita de Jesus, que tanto escandalizou seus ouvintes (cf. Jo 6,60.66), é dar sua carne em alimento. Fazer-se alimento para ser assimilado e penetrar no metabolismo místico de sua Igreja. Depois de receber como dom amoroso o sangue humano de sua Mãe, Jesus deseja agora que participemos de uma transfusão vital, sem a qual a Igreja não passaria de um corpo inerte, sem vida, sem dinamismo para a missão.

O Filho de Deus se fez carne para que nossa humanidade adâmica seja transfigurada em idêntica encarnação. E aqui percebo o salto de qualidade entre um primata qualquer e os filhos de Deus que o Filho alimenta com seu Corpo e Sangue. Como anotou o apóstolo, Deus “nos predestinou à adoção como filhos, por obra de Jesus Cristo” (Ef 1,5).

Na solenidade de Corpus Christi, a Igreja é intimamente desafiada não só a crer na “presença real” de Cristo nas espécies consagradas, mas também a deixar-se consagrar e transfigurar através da participação existencial no banquete eucarístico. Graças à Comunhão, saltando da Liturgia para a vida, Cristo pode contemplar a Igreja e repetir as palavras de Adão (Gn 2,23): “Carne de minha carne… ossos de meus ossos…” E acrescentar: “Sangue de meu sangue…”

Orai sem cessar: “O Senhor lhes enviou pão com fartura.” (Sl 78,25)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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