São Bonifácio, Bispo e Mártir, Memória
Antífona de entrada
Este santo lutou até à morte pela lei do seu Deus e não teve medo das ameaças dos ímpios, sua casa estava fundada sobre a rocha.
Ou:
Um duro combate o Senhor deu-lhe enfrentar para que aprendesse a vencer, pois a sabedoria é em tudo a mais poderosa. (Cf. Sb 10, 12)
Coleta
Interceda por nós, Senhor, o mártir São Bonifácio, para que guardemos fielmente e proclamemos por nossas ações a fé que ele ensinou pela palavra e selou com o seu sangue. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — 2Tm 3, 10-17
Leitura da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo
Caríssimo,10 tu me tens seguido fielmente no ensino, no procedimento, nos projetos, na fé, na paciência, no amor, na perseverança,11 nas perseguições e nos sofrimentos que suportei em Antioquia, Icônio e Listra. E que perseguições sofri! Mas de todas elas o Senhor me livrou.12 Aliás, todos os que quiserem levar uma vida fervorosa em Cristo Jesus, serão perseguidos.13 Os homens maus e sedutores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados.14 Permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como verdade; tu sabes de quem o aprendeste.15 Desde a infância conheces as Sagradas Escrituras: elas têm o poder de te comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Cristo Jesus.16 Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para argumentar, para corrigir e para educar na justiça,17 a fim de que o homem de Deus seja perfeito e qualificado para toda boa obra.
Palavra do Senhor.
Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 118(119), 157. 160. 161. 165. 166. 168 (R. 165a)
Os que amam vossa lei, têm grande paz!
Tantos são os que me afligem e perseguem, mas eu nunca deixarei vossa Aliança!
Os que amam vossa lei, têm grande paz!
Vossa palavra é fundada na verdade, os vossos justos julgamentos são eternos.
Os que amam vossa lei, têm grande paz!
Os poderosos me perseguem sem motivo; meu coração, porém, só teme a vossa lei.
Os que amam vossa lei, têm grande paz!
Os que amam vossa lei têm grande paz, e não há nada que os faça tropeçar.
Os que amam vossa lei, têm grande paz!
Ó Senhor, de vós espero a salvação, pois eu cumpro sem cessar vossos preceitos.
Os que amam vossa lei, têm grande paz!
Serei fiel à vossa lei, vossa Aliança; os meus caminhos estão todos ante vós.
Os que amam vossa lei, têm grande paz!
Quem me ama, realmente, guardará minha palavra e meu Pai o amará, e a ele nós viremos. (Jo 14, 23)
Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Mc 12, 35-37
O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Marcos
Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 35 Jesus ensinava no Templo, dizendo: “Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? 36 O próprio Davi, movido pelo Espírito Santo, falou: ‘Disse o Senhor ao meu Senhor: senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos debaixo dos teus pés’. 37 Portanto, o próprio Davi chama o Messias de Senhor. Como é que ele pode então ser seu filho?” E uma grande multidão o escutava com prazer.
Palavra da Salvação.
Glória a vós, Senhor.
PALAVRA DE VIDA
Filho de Davi… (Mc 12,35-37)
Em sua entrada triunfal em Jerusalém (cf. Mt 21), a multidão aclamaria a Jesus de Nazaré com o título real de Filho de Davi. Na prática, aquela aclamação significava reconhecê-lo como o Messias prometido a Israel.
Quando o Rei Davi, pensou em construir um templo para Yahweh, foi-lhe feita uma promessa (2Sm 7,12): um de seus descendentes ocuparia um trono eterno, e seria tratado por Deus como verdadeiro filho. A leitura posterior dos Padres da Igreja percebeu aqui uma alusão clara à pessoa do Messias.
No Evangelho de hoje, Jesus, interpelado pela malícia dos doutores da lei e dos fariseus, devolve-lhes na mesma moeda. Como os escribas ensinavam que o Messias esperado era “Filho de Davi”, Jesus se vale de um texto do próprio Davi (Salmo 110,1) para mostrar que Davi, paradoxalmente, chamava o Messias de “Senhor”, um título divino, reconhecendo que Davi lhe era inferior.
O povo simples se deliciava quando via a pretensa sabedoria dos “doutores” desmascarada pelos argumentos um simples aprendiz de carpinteiro. Em seu Evangelho, São Mateus registra que esse episódio foi a gota d’água: dali em diante, desistiram de apanhar Jesus em alguma armadilha doutrinária.
Também hoje, em nossos dias, proliferam aqui e ali muitos doutores a ensinar suas próprias doutrinas, suas teologias particulares, ricamente imaginadas, ainda que seus livros e estudos colidam de frente com a sã doutrina e a tradição multissecular da Igreja de Jesus. Curiosamente, não se envergonham de atacar a Igreja, a “Mãe” a quem devem tudo: acolhida, instrução e autoridade…
Sem prudência nem discernimento, os novos “doutores” tratam arbitrariamente de questões delicadas como o homossexualismo, o aborto, o sacerdócio das mulheres e o próprio papel de Jesus como nosso Salvador. E se o Magistério eclesial se pronuncia, alertando sobre os erros ou emitindo sanções, os “doutores” se fazem de vítimas perseguidas pelo poder absolutista do Papa (sic). Claro, o fiel saberá escolher entre os palpites de um teólogo e a solidez do magistério eclesial…
O Apóstolo nos preveniu: viriam falsos doutores, lobos com pele de cordeiro (At 20,29), a espalhar suas falsas doutrinas, semeando a dúvida e a divisão na comunidade. No fundo, compromissos de ordem ideológica, interesses financeiros e acadêmicos ou a simples vaidade dos soberbos, somada a feridas mal curadas, costumam explicar a rebeldia dos cismas e das heresias. Como disse Paulo, “a ciência incha…” (1Cor 8,1)
Orai sem cessar: “Hosana ao Filho de Davi!” (Mt 21,9)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.