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LITURGIA

Liturgia Diária

Liturgia de 05 de setembro de 2026

Sábado da 22ª Semana do Tempo Comum

Memória Facultativa
Santa Maria no sábado

Antífona de entrada

Piedade de mim, ó Senhor, porque clamo por vós todo o dia! Ó Senhor, vós sois bom e clemente, sois perdão para quem vos invoca. (Cf. Sl 85, 3. 5)

Coleta

Deus onipotente, fonte de todo dom perfeito, semeai em nossos corações o amor ao vosso nome e, estreitando os laços que nos unem convosco, fazei crescer em nós o que é bom e guardai com amorosa solicitude o que nos destes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

Primeira Leitura — 1Cor 4, 6b-15

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios

6b Irmãos, apliquei essa doutrina a mim e a Apolo, por causa de vós, para que o nosso exemplo vos ensine a não vos inchar de orgulho, tomando o partido de um contra outro, e a “não ir além daquilo que está escrito”. 7 Com efeito, quem é que te faz melhor que os outros? O que tens que não tenhas recebido? Mas, se recebeste tudo que tens, por que, então, te glorias, como se não o tivesses recebido?

8 Vós já estais saciados! Já vos enriquecestes! Sem nós, já começastes a reinar! Oxalá estivésseis mesmo reinando, para nós também reinarmos convosco! 9 Na verdade, parece-me que Deus nos apresentou, a nós apóstolos, em último lugar, como pessoas condenadas à morte. Tornamo-nos um espetáculo para o mundo, para os anjos e os homens. 10 Nós somos os tolos por causa de Cristo, vós, porém, os sábios nas coisas de Cristo. Nós somos os fracos; vós, os fortes. Vós sois tratados com toda a estima e atenção, e nós, com todo o desprezo.

11 Até a presente hora, padecemos fome, sede e nudez; somos esbofeteados e vivemos errantes; 12 fadigamo-nos, trabalhando com as nossas mãos; somos injuriados, e abençoamos; somos perseguidos, e suportamos; 13 somos caluniados, e exortamos. Tornamo-nos como que o lixo do mundo, a escória do universo, até ao presente.

14 Escrevo-vos tudo isto, não com a intenção de vos envergonhar, mas para vos admoestar como meus filhos queridos. 15 De fato, mesmo que tivésseis dez mil educadores na vida em Cristo, não tendes muitos pais. Pois fui eu que, pelo anúncio do Evangelho, vos gerei em Jesus Cristo.

Palavra do Senhor.
Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 144(145), 17-18. 19-20. 21 (R. 18a)

É justo o Senhor em seus caminhos, é santo em toda obra que ele faz. Ele está perto da pessoa que o invoca, de todo aquele que o invoca lealmente.
O Senhor está perto de quem o invoca!

O Senhor cumpre os desejos dos que o temem, ele escuta os seus clamores e os salva. O Senhor guarda todo aquele que o ama, mas dispersa e extermina os que são ímpios.
O Senhor está perto de quem o invoca!

Que a minha boca cante a glória do Senhor e que bendiga todo ser seu nome santo desde agora, para sempre e pelos séculos.
O Senhor está perto de quem o invoca!

Sou o Caminho, a Verdade e a Vida: ninguém vem ao Pai, senão por mim. (Jo 14, 6)
Aleluia, Aleluia, Aleluia.

Evangelho — Lc 6, 1-5

O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas
Glória a vós, Senhor.

Num sábado, Jesus estava passando através de plantações de trigo. Seus discípulos arrancavam e comiam as espigas, debulhando-as com as mãos. 2 Então alguns fariseus disseram: “Por que fazeis o que não é permitido em dia de sábado?”

3 Jesus respondeu-lhes: “Acaso vós não lestes o que Davi e seus companheiros fizeram, quando estavam sentindo fome? 4 Davi entrou na casa de Deus, pegou dos pães oferecidos a Deus e os comeu, e ainda por cima os deu a seus companheiros. No entanto, só os sacerdotes podem comer desses pães”. 5 E Jesus acrescentou: “O Filho do Homem é senhor também do sábado”.

Palavra da Salvação.
Glória a vós, Senhor.

PALAVRA DE VIDA
O que não é permitido… (Lc 6,1-5)

Este Evangelho registra mais uma vez os fariseus do tempo de Jesus em suas tentativas birrentas de criar dificuldades e preparar arapucas contra o Mestre. O mesmo pode acontecer entre nós, quando a letra da lei e a rigidez dos regulamentos são colocados acima de outros valores, em nome de um formalismo que ignora a caridade, a boa convivência e mesmo a vida do próximo.

Se me permitem um exemplo… Levei minha mãe, 94 anos, já inconsciente, até o hospital da cidade vizinha. Lá, o motorista da ambulância baixou a maca no chão da portaria, e ali minha mãe ficou uma hora inteira esperando pela chegada do novo médico de plantão. A médica que ali estava não quis atendê-la, pois já estava no final de seu turno. Uma hora inteira! Dona Esther nos deixaria dois dias depois…

Isto é formalismo. Mas é também indiferença. Normas e horários acima do amor e da caridade. Semelhante à atitude dos fariseus que veem os discípulos de Jesus mascando algumas espigas de trigo em dia de sábado, e se aprestam em acusá-los de quebrar o repouso sabático dos judeus.

Entre os judeus, a lei era algo sagrado. Lei recebida por Moisés diretamente de Deus. Gravada a fogo nas pedras do Sinai pelo “dedo da mão direita do Pai”. As Dez Palavras eram intocáveis. Mas basta ler o livro do Levítico, por exemplo, para verificar o emaranhado de normas e preceitos que tornam impraticável o seu cumprimento. Aliás, chega a chocar o leitor o fato de que alguns desses preceitos preveem a pena de morte (cf. Lv 24,14), quando o 5º mandamento proibia matar…

O Talmud judaico listava nada menos que 613 preceitos (mitzvot) que envolviam toda a vida do povo: podia-se dar um nó na linha em dia de sábado, mas não era permitido desmanchar o mesmo nó; podia-se raspar um pergaminho já escrito, mas não era permitido escrevê-lo de novo em pleno shabbat!

Quando vejo nas redes sociais os candidatos a “fiscal de liturgia” que nos dizem, todos os dias, aquilo que é permitido, e o que não é permitido nas missas, vejo muita semelhança nessa atitude de quem vê religião como uma camisa de força. Quando o Papa João Paulo II sugeriu os mistérios luminosos – apenas sugestão, não obrigação! – um católico piedoso reclamou: – “Estragaram o meu rosário!”

E Jesus volta até Davi, no passado daquele povo, para mostrar que uma justa necessidade levara o “rei segundo o meu coração” a comer os pães da proposição, consagrados sobre o altar do Senhor Yahweh, e que só os sacerdotes podiam comer. Era comer ou morrer de fome. E o fariseu certamente dirá: – “Morra, mas não saia das normas!”

Orai sem cessar: “__Já não és escravo, mas filho!” (Gl 4,7)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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