2ª feira da 10ª Semana do Tempo Comum
Memória Facultativa
Santo Efrém, Diácono e Doutor da Igreja
Antífona de entrada
O Senhor é minha luz e minha salvação, de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei? São eles, inimigos e opressores, que tropeçam e sucumbem. (Cf. Sl 26, 1-2)
Coleta
Ó Deus, fonte de todo o bem, atendei ao nosso apelo e fazei-nos, por vossa inspiração, pensar o que é certo e realizá-lo com vossa ajuda. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — 1Rs 17, 1-6
Leitura do Primeiro Livro dos Reis
Naqueles dias, 1 o profeta Elias, tesbita de Tesbi de Galaad, disse a Acab: “Pela vida do Senhor, o Deus de Israel, a quem sirvo, não haverá nestes anos nem orvalho nem chuva, senão quando eu disser!”
2 E a palavra do Senhor foi dirigida a Elias nestes termos: 3 “Parte daqui e toma a direção do oriente. Vai esconder-te junto à torrente de Carit, que está defronte ao Jordão. 4 Lá beberás da torrente. E eu ordenei aos corvos que te deem alimento”. 5 Elias partiu e fez como o Senhor lhe tinha ordenado, e foi morar junto à torrente de Carit, que está defronte do Jordão. 6 Os corvos traziam-lhe pão e carne, tanto de manhã como de tarde, e ele bebia da torrente.
Palavra do Senhor.
Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 120(121), 1-2. 3-4. 5-6. 7-8 (R. cf. 2)
Do Senhor é que me vem o meu socorro, do Senhor que fez o céu e fez a terra!
Eu levanto os meus olhos para os montes: de onde pode vir o meu socorro? “Do Senhor é que me vem o meu socorro, do Senhor que fez o céu e fez a terra!”
Do Senhor é que me vem o meu socorro, do Senhor que fez o céu e fez a terra!
Ele não deixa tropeçarem os meus pés, e não dorme quem te guarda e te vigia. Oh! não! ele não dorme nem cochila, aquele que é o guarda de Israel!
Do Senhor é que me vem o meu socorro, do Senhor que fez o céu e fez a terra!
O Senhor é o teu guarda, o teu vigia, é uma sombra protetora à tua direita. Não vai ferir-te o sol durante o dia, nem a lua através de toda a noite.
Do Senhor é que me vem o meu socorro, do Senhor que fez o céu e fez a terra!
O Senhor te guardará de todo o mal, ele mesmo vai cuidar da tua vida! Deus te guarda na partida e na chegada. Ele te guarda desde agora e para sempre!
Do Senhor é que me vem o meu socorro, do Senhor que fez o céu e fez a terra!
Alegrai-vos, vós todos, porque grande há de ser a recompensa nos céus que um dia tereis! (Mt 5, 12a)
Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Mt 5, 1-12
O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Mateus
Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 1 vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, 2 e Jesus começou a ensiná-los:
Palavra da Salvação.
Glória a vós, Senhor.
PALAVRA DE VIDA
Os pobres em espírito… (Mt 5,1-12)
Esta expressão, incluída por Jesus entre as beatitudes do Sermão da Montanha, faria brotar rios de tinta ao longo dos séculos. É que ela incomoda, interpela, subverte a sociedade pagã do orgulho e do lucro. Por isso, muitos tentam adocicar seu alcance, puxando para o lado do espírito e fugindo do lado da pobreza, a quem Francisco chamava de irmã. Vejamos o sóbrio comentário de S. Leão Magno:
“Quando Jesus diz ‘felizes os pobres em espírito’, ele nos mostra que o Reino dos céus será dado antes à humildade do coração que à ausência de riquezas. Entretanto, não há dúvida de que os pobres obtêm esse dom mais facilmente que os ricos, pois a pobreza os inclina mais facilmente à bondade, e a riqueza dos outros leva-os mais à arrogância.
Apesar disso, muitos ricos possuem esse espírito que não põe a abundância a serviço de seu prestígio, mas das obras de benemerência. Para estes, o ganho maior é o que eles gastam para suavizar a miséria e o sofrimento de outrem. Assim, a humildade do coração é partilhada por pessoas de todas as condições. Nós podemos ser iguais nas disposições, mesmo sem o ser na fortuna. Seja qual for a desigualdade de seus bens terrestres, não há distância entre aqueles que são iguais em nível dos bens espirituais. Feliz, pois, a pobreza que não deseja aumentar suas riquezas aqui de baixo, mas aspira a enriquecer-se dos bens celestes.
Depois do Senhor, os primeiros que nos deram o exemplo dessa pobreza magnânima foram os apóstolos. Deixando todos os seus bens ao chamado do divino Mestre, alegremente se converteram e abandonaram a pescaria de peixes para se tornarem pescadores de homens (cf. Mt 4,18-20). Entre estes, muitos se assemelharam a eles ao imitar sua fé: junto aos primeiros filhos da Igreja, “todos os fiéis tinham um só coração e uma só alma” (At 4,32). Despojados de todas as suas posses, estavam enriquecidos dos bens eternos graças à santa pobreza. A partir da pregação dos apóstolos, eles se alegravam por nada possuírem neste mundo, mas possuírem tudo em Cristo.”
É fácil perceber que a “opção preferencial pela pobreza” adotada pelos primeiros cristãos não brotava de alguma aversão pelo dinheiro, mas derivava diretamente de uma profunda experiência de plenitude: Jesus Cristo bastava para preencher o coração deles! Cheios de Deus, não havia em seu coração espaço algum para acumular as quinquilharias amareladas deste planeta mineral…
Quanto a mim, devo considerar o polo oposto: se estou muito ocupado em acumular bens materiais, de duvidosa validade, não será porque meu coração ainda não está cheio de Deus?
Orai sem cessar: “A Ti, Senhor, o pobre se recomenda!” (Sl 10,14b)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.