6ª feira da 5ª Semana da Páscoa
Antífona de entrada
O Cordeiro imolado é digno de receber o poder, a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor, aleluia. (Ap 5, 12)
Coleta
Concedei-nos, Senhor, viver plenamente os mistérios pascais; e o que celebramos com alegria sempre nos fortaleça e nos comunique a salvação. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — At 15, 22-31
Leitura dos Atos dos Apóstolos
Naqueles dias, 22 pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos, de acordo com toda a comunidade de Jerusalém, escolher alguns da comunidade para mandá-los a Antioquia, com Paulo e Barnabé.
Escolheram Judas, chamado Bársabas, e Silas, que eram muito respeitados pelos irmãos. 23 Através deles enviaram a seguinte carta: “Nós, os apóstolos e os anciãos, vossos irmãos, saudamos os irmãos vindos do paganismo e que estão em Antioquia e nas regiões da Síria e da Cilícia. 24 Ficamos sabendo que alguns dos nossos causaram perturbações com palavras que transtornaram vosso espírito. Eles não foram enviados por nós. 25 Então decidimos, de comum acordo, escolher alguns representantes e mandá-los até vós, junto com nossos queridos irmãos Barnabé e Paulo, 26 homens que arriscaram suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. 27 Por isso, estamos enviando Judas e Silas, que pessoalmente vos transmitirão a mesma mensagem. 28 Porque decidimos, o Espírito Santo e nós, não vos impor nenhum fardo, além destas coisas indispensáveis: 29 abster-se de carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, das carnes de animais sufocados e das uniões ilegítimas. Vós fareis bem se evitardes essas coisas. Saudações!”
30 Depois da despedida, Judas e Silas foram para Antioquia, reuniram a assembleia e entregaram a carta. 31 A sua leitura causou alegria, por causa do estímulo que trazia.
Palavra do Senhor.
Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 56(57), 8-9. 10-12 (R. 10a)
Vou louvar-vos, Senhor, entre os povos.
Meu coração está pronto, meu Deus, está pronto o meu coração! Vou cantar e tocar para vós: desperta, minh’alma, desperta! Despertem a harpa e a lira, eu irei acordar a aurora!
Vou louvar-vos, Senhor, entre os povos.
Vou louvar-vos, Senhor, entre os povos, dar-vos graças, por entre as nações! Vosso amor é mais alto que os céus, mais que as nuvens a vossa verdade! Elevai-vos, ó Deus, sobre os céus, vossa glória refulja na terra!
Vou louvar-vos, Senhor, entre os povos.
Eu vos chamo meus amigos, pois vos dei a conhecer o que o Pai me revelou. (Jo 15, 15b)
Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Jo 15, 12-17
O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João
Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 12 “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. 13 Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos.
14 Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. 15 Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. 16 Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça. O que, então, pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo concederá. 17 Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros”.
Palavra da Salvação.
Glória a vós, Senhor.
PALAVRA DE VIDA
A própria vida pelos amigos… (Jo 15,12-17)
Neste mundo, nós vivemos cercados de muitos amores, em diferentes gradações. Em sua obra magistral “Os Quatro Amores” (trad. portuguesa, Ed. Martins Fontes, 2005), o escritor irlandês C. S. Lewis deixou bem clara a diferença que existe entre um amor-necessidade, mero egoísmo, e um amor-doação, que de algum modo se assemelha ao amor que Deus sempre manifestou por nós.
Os gregos antigos sabiam distinguir entre a afeição familiar, o erotismo da paixão, a amizade por escolha e, enfim, o amor-caridade que leva a dar a vida pelo outro. Por isso mesmo, utilizavam verbos diferentes para cada um desses “amores”: érein (amor de Eros), stérguein (amor parental, amor ‘do sangue’), phylein (amor de amizade) e, enfim, agapán (amor de caridade ou de adoração a Deus).
Neste Evangelho, Jesus nos fala do amor maior: “Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida pelos seus amigos.” E logo ele mesmo passaria pessoalmente à ação, abraçando a cruz salvadora e entregando-se à morte por nós – os “amigos” –, para mostrar a que culminância atingia o amor de Deus por nós!
Claro que esse amor não é merecido! É puro dom, um presente grátis, fruto da Graça. Como observa Lewis com perspicácia, “existe em cada um de nós algo que não pode ser amado naturalmente. Não é defeito dos outros não o amar. Só o que é amável pode ser amado naturalmente. É como pedir às pessoas que gostem do sabor do pão embolorado ou do som da furadeira elétrica. Apesar disso, podemos receber perdão, misericórdia e amor pela Caridade – não há outro modo”.
É assim que Deus nos ama: apesar de nossos pecados, da lama malcheirosa que nos cobre, seu amor de ágape insiste em nos salvar e santificar, além de toda expectativa humana. Perdão e misericórdia sem limites são a marca de seu imenso amor por nós. Os santos – aqueles que mergulharam nesse amor de caridade – manifestam em sua vida o mesmo amor que não conhece fronteiras.
Abrindo mão de todo projeto pessoal – inclusive o de conservar a própria vida, como Maximiliano Kolbe, Gianna Beretta Molla e uma legião de mártires do Séc. XX -, os santos são impelidos pelo amor a se transformarem em hóstias vivas (Cf. Rm 12,1-2) e consagrar todos os seus esforços, tempo e recursos humanos para o bem-estar, o progresso e a salvação dos outros. E o fazem cheios de alegria, pois são impelidos pelo amor.
Por isso mesmo, todo aquele que se encontra com um santo, acaba encontrando-se com Deus…
Orai sem cessar: “Senhor, tu sabes que te amo!” (Jo 21,16b)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.