Terça feira – II semana do Advento
(roxo, pref. Advento I – ofício do dia)
Antífona
– Eis que o Senhor virá e com ele todos os seus santos, e naquele dia brilhará uma grande luz (Zc 2,5.7).
Coleta
– Deus, que manifestastes a vossa salvação até os confins da terra, dai-nos esperar com alegria a glória do seu Natal do vosso Filho. Ele que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: Is 40,1-11
– Leitura do livro do profeta Isaías: 1Consolai o meu povo, consolai-o! – diz o vosso Deus. 2Falai ao coração de Jerusalém e dizei em alta voz que sua servidão acabou e a expiação de suas culpas foi cumprida; ela recebeu das mãos do Senhor o dobro por todos os seus pecados. 3Grita uma voz: “preparai no deserto o caminho do Senhor, aplainai na solidão a estrada do nosso Deus. 4Nivelem-se todos os vales, rebaixem-se todos os montes e colinas; endireite-se o que é torto e alisem-se as asperezas: 5a glória do Senhor então se manifestará, e todos os homens verão juntamente o que a boca do Senhor falou”. 6Dizia uma voz: “Grita!” E respondi: “Que devo gritar?” A criatura humana é feno, toda a sua glória é como flor do campo; 7seca o feno, murcha a flor ao soprar o Senhor sobre eles. Sim, o povo é feno. 8Seca o feno, murcha a flor, mas a palavra de nosso Deus fica para sempre. 9Sobe a um alto monte, tu, que trazes a boa nova a Sião; levanta com força a tua voz, tu, que trazes a boa nova a Jerusalém, ergue a voz, não temas; dize às cidades de Judá: “Eis o vosso Deus, 10eis que o Senhor Deus vem com poder, seu braço tudo domina: eis, com ele, sua conquista, eis à sua frente a vitória. 11Como um pastor, ele apascenta o rebanho, reúne, com a força dos braços, os cordeiros e carrega-os ao colo; ele mesmo tange as ovelhas-mães”.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.
Salmo Responsorial: Sl 96,1-2.3.10ac.11-12.13 (R: Is 40,9-10)
– Olhai e vede: o nosso Deus vem com poder!
R: Olhai e vede: o nosso Deus vem com poder!
Cantai ao Senhor Deus um canto novo, cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira! Cantai e bendizei seu santo nome! Dia após dia anunciai sua salvação.
R: Olhai e vede: o nosso Deus vem com poder!
– Manifestai a sua glória entre as nações, e entre os povos do universo seus prodígios! Publicai entre as nações: “Reina o Senhor!” E os povos ele julga com justiça.
R: Olhai e vede: o nosso Deus vem com poder!
– O céu se rejubile e exulte a terra, aplauda o mar com o que vive em suas águas; os campos com seus frutos rejubilem e exultem as florestas e as matas.
R: Olhai e vede: o nosso Deus vem com poder!
– Na presença do Senhor, pois ele vem, porque vem para julgar a terra inteira. Governará o mundo todo com justiça, e os povos julgará com lealdade.
R: Olhai e vede: o nosso Deus vem com poder!
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Está perto o dia do Senhor, ele mesmo virá para salvar-nos!
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 18,12-14
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus.
– Glória a vós, Senhor!
– Naquele tempo disse Jesus aos seus discípulos: 12Que vos parece? Se um homem tem cem ovelhas, se uma delas se perde, não deixa ele as noventa e nove nas montanhas, para procurar aquela que se perdeu? 13Em verdade vos digo, se ele a encontrar, ficará mais feliz com ela, do que com as noventa e nove que não se perderam. 14Do mesmo modo, o Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequeninos.
– Palavra da salvação.
– Glória a vós, Senhor!
Liturgia comentada
Se uma delas se perde… (Mt 18,12-14)
O pastor da parábola tem cem ovelhas. Apenas uma delas se extraviou de seu rebanho. Segundo informa o exegeta Joachim Jeremias, que viveu muitos anos na Palestina, o dono dessas ovelhas não é muito rico. Entre os beduínos, o tamanho do rebanho oscila entre 20 e 200 cabeças de gado miúdo; com 300 cabeças, já se tem no direito judaico por um rebanho descomunal.
Ora, o pastor da parábola seria o proprietário de um rebanho de porte médio, que cuida pessoalmente de suas ovelhas, pois não teria mesmo recursos para pagar a um empregado. Assim, fica realçada a sua “relação pessoal” com o rebanho. No verão, certamente o pastor passa as noites no campo e dorme no meio de suas ovelhas. Tem o cheiro delas. Uma cena de intimidade…
Eis, porém, que uma das ovelhas se desgarra. Isolada, perde-se no semiárido. Dizem os entendidos que a visão da ovelha é muito fraca, e limitado é seu senso de orientação. Trata-se de animal muito dependente. Não admira, pois, que o pastor “abandone” as 99 ovelhas bem comportadas, para sair campeando por vales e outeiros, até encontrar a fujona e, cheio de júbilo, regressar ao redil.
Deixando de lado o suave bucolismo da imagem e o pitoresco desta cena, vamos fixar-nos no ponto essencial: este Pastor é figura do próprio Cristo, que deixa o “redil” do céu e desce à terra para “campear” a nós, os pecadores, perdidos e extraviados da casa do Pai. E o Bom Pastor não terá pousada nem descanso enquanto não nos recuperar.
Tal como na parábola da moeda perdida, a reação emocional do dono que recupera o bem perdido parece desproporcional: uma pobre moeda em dez, uma simples ovelha em cem – seria motivo “justo” para tal efusão de alegria? Jesus não nos deixa qualquer dúvida a esse respeito: “Esta é a vontade do Pai que está nos céus, que não se perca nenhum (nem um!) desses pequeninos.”
Nosso mundo está cheio de pequeninos: crianças sem lar, jovens famintos de Deus, estudantes doutrinados no ateísmo, populações inteiras à margem da cultura e da fé. Mas a história da Igreja registra uma notável multidão de “pastores” que se dedicaram a recuperar ovelhas tresmalhadas, desde Francisco Xavier e João Bosco, desde Dom Orione a Madre Teresa. Eles já cumpriram sua tarefa.
Hoje, as Comunidades Novas nascem do mesmo chamado a cuidar dos pequenos abandonados: moradores de rua, dependentes químicos, mães solteiras… os mesmos que Jesus reconheceu como ovelhas sem pastor. Aceitaríamos nós a missão de pastorear? Dedicaríamos nossa vida a salvar as ovelhas do Senhor?
Orai sem cessar: “Apascenta as minhas ovelhas!” (Jo 21,17)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança