Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus, Virgem, Memória
Antífona de entrada
O caminho dos justos é como luz esplêndida que surge e cresce do amanhecer até o pleno dia. (Cf. Pr 4, 18)
Coleta
Deus eterno e todo-poderoso, que conduzistes Santa Paulina pelo caminho da santidade através das provações, do trabalho humilde e da oração constante, concedei-nos, por sua intercessão, suportar com fortaleza os sofrimentos de cada dia e servir com generosidade os mais necessitados. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — Os 11, 1-4. 8c-9
Leitura da Profecia de Oseias
Assim fala o Senhor: 1 “Quando Israel era criança, eu já o amava, e desde o Egito chamei meu filho. 2 Quanto mais eu os chamava tanto mais eles se afastavam de mim; imolavam aos Baals e sacrificavam aos ídolos.
3 Ensinei Efraim a dar os primeiros passos, tomei-o em meus braços, mas eles não reconheceram que eu cuidava deles. 4 Eu os atraía com laços de humanidade, com laços de amor; era para eles como quem leva uma criança ao colo, e rebaixava-me a dar-lhes de comer. 8c Meu coração comove-se no íntimo e arde de compaixão. 9 Não darei largas à minha ira, não voltarei a destruir Efraim, eu sou Deus, e não homem; o santo no meio de vós, e não me servirei do terror”.
Palavra do Senhor.
Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 79(80), 2ac e 3b. 15-16 (R. 4b)
Sobre nós iluminai a vossa face e, então, seremos salvos, ó Senhor!
Ó Pastor de Israel, prestai ouvidos. Vós, que sobre os querubins vos assentais, despertai vosso poder, ó nosso Deus, e vinde logo nos trazer a salvação!
Sobre nós iluminai a vossa face e, então, seremos salvos, ó Senhor!
Voltai-vos para nós, Deus do universo! Olhai dos altos céus e observai. Visitai a vossa vinha e protegei-a! Foi a vossa mão direita que a plantou; protegei-a, e ao rebento que firmastes!
Sobre nós iluminai a vossa face e, então, seremos salvos, ó Senhor!
Convertei-vos e crede no Evangelho, pois o Reino de Deus está chegando! (Mc 1, 15)
Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Mt 10, 7-15
O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Mateus
Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7 “Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. 8 Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar!
9 Não leveis ouro nem prata nem dinheiro nos vossos cintos; 10 nem sacola para o caminho, nem duas túnicas nem sandálias nem bastão, porque o operário tem direito ao seu sustento. 11 Em qualquer cidade ou povoado onde entrardes, informai-vos para saber quem ali seja digno. Hospedai-vos com ele até a vossa partida.
12 Ao entrardes numa casa, saudai-a. 13 Se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; se ela não for digna, volte para vós a vossa paz. 14 Se alguém não vos receber, nem escutar vossa palavra, saí daquela casa ou daquela cidade, e sacudi a poeira dos vossos pés. 15 Em verdade vos digo, as cidades de Sodoma e Gomorra serão tratadas com menos dureza do que aquela cidade, no dia do juízo”.
Palavra da Salvação.
Glória a vós, Senhor.
PALAVRA DE VIDA
Nem ouro, nem prata… (Mt 10,7-15)
Ao comentar este Evangelho, o teólogo luterano Dietrich Bonhoeffer, mártir da fé sob a perseguição do regime nazista, traduziu assim as instruções de Jesus aos discípulos enviados em missão:
“Mostrai claramente que, com toda a riqueza que tendes a distribuir, não desejais para vós nem a posse, nem a consideração, nem a aprovação e nem mesmo o reconhecimento! Aliás, sobre que poderíeis fundamentar vossas pretensões a tais coisas? Toda honra que recai sobre nós, nós a roubamos daquele a quem, na verdade, ela pertence: o Senhor que nos enviou. A liberdade dos enviados de Jesus deve manifestar-se em sua pobreza.”
Como é consolador ler as palavras de alguém que foi encarcerado, teve sua tarefa precocemente amputada, mas permanece fiel ao Evangelho de Jesus, um Evangelho de simplicidade e pobreza!
Bonhoeffer prossegue: “O estado daquilo que os discípulos possuem está regulamentado em seus mínimos detalhes. Eles não devem fazer-se notar como mendigos vestidos de farrapos, nem ficar ao encargo dos outros como parasitas. Mas é revestidos da libré da pobreza que eles devem ir adiante. Devem também ter poucas coisas consigo, como aquele que atravessa uma região com a certeza de, ao cair da noite, encontrar-se entre amigos, na casa que o acolherá é lhe fornecerá o alimento necessário. Por certo, não precisam depositar esta confiança nos homens, mas naquele que os enviou e no Pai celeste que deles cuidará”.
Parece ingênuo? Parece infantil? Se parece, deve andar bem raquítica a nossa fé. Se me permitem um testemunho pessoal, quando deixei o magistério para me dedicar à evangelização em tempo integral, nossa família experimentou um tempo de dez anos inteiros sem salário e sem nenhuma renda fixa. E em todo esse período, nada nos faltou e os dois filhos cursaram a universidade. A serviço do Evangelho, aprendemos que a Providência divina não é uma lenda infantil, mas uma realidade palpável nos pequenos eventos de cada dia, o que incluía anônimas sacolas de alimentos na varanda e as doações mais imprevistas em viagens missionárias.
Como conclui Dietrich Bonhoeffer, “é assim que eles [os discípulos em missão] tornarão digna de fé a mensagem que anunciam, esta mensagem da soberania de Deus que faz irrupção sobre a terra”.
Orai sem cessar: “Em Deus confio, não temerei!” (Sl 56,4)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.