Terça-feira – XXIII semana do tempo comum
(verde, ofício do dia)
Antífona
– Vós sois justo, na verdade, ó Senhor, e os vossos julgamentos são corretos. Conforme vosso amor, Senhor, tratai-me (Sl 118,137.124).
Coleta
– Ó Deus, olhai com bondade os que redimistes e adotastes como filhos e filhas, e concedei aos que creem no Cristo a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: Cl 2,6-15
– Leitura da carta de São Paulo aos Colossenses: Irmãos, 6assim como aceitastes a Cristo Jesus como Senhor, assim continuai a guiar-vos por ele: 7enraizados nele e edificados sobre ele, apoiados na fé que vos foi ensinada, dando-lhe muitas ações de graças. 8Estai alerta, para que ninguém vos enrede com sua filosofia e com doutrina falsa, baseando-se em tradição humana e remontando às forças elementares do mundo, sem se fundamentar em Cristo. 9Pois nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade. 10Dele também vós estais repletos, pois ele é a Cabeça de todas as forças e de todos os poderes. 11Nele, vós também recebestes uma circuncisão, não feita por mão humana, mas uma circuncisão que é de Cristo, pela qual renunciais ao corpo perecível. 12Com Cristo fostes sepultados no batismo; com ele também fostes ressuscitados por meio da fé no poder de Deus, que ressuscitou a Cristo dentre os mortos. 13Ora, vós estáveis mortos por causa dos vossos pecados, e vossos corpos não tinham recebido a circuncisão, até que Deus vos trouxe para a vida, junto com Cristo, e a todos nós perdoou os pecados. 14Existia contra nós uma conta a ser paga, mas ele a cancelou, apesar das obrigações legais, e a eliminou, pregando-a na cruz; 15Ele despojou as autoridades e os poderes sobre-humanos e os expôs publicamente em espetáculo, levando-os em cortejo triunfal.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.
Salmo Responsorial: Sl 145,1-2.8-9.10-11 (R: 9a)
– O Senhor é muito bom para com todos.
R: O Senhor é muito bom para com todos.
– Ó meu Deus, quero exaltar-vos, ó meu Rei, e bendizer o vosso nome pelos séculos. Todos os dias haverei de bendizer-vos, hei de louvar o vosso nome para sempre.
R: O Senhor é muito bom para com todos.
– Misericórdia e piedade é o Senhor, ele é amor, é paciência, é compaixão. O Senhor é muito bom para com todos, sua ternura abraça toda criatura.
R: O Senhor é muito bom para com todos.
– Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder!
R: O Senhor é muito bom para com todos.
Aclamação ao santo Evangelho.
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Eu vos escolhi a fim de que deis, no meio do mundo, um fruto que dure
(Jo 15,16).
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 6,12-19
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas
– Glória a vós, Senhor!
– 12Naqueles dias, Jesus foi à montanha para rezar. E passou a noite toda em oração a Deus. 13Ao amanhecer, chamou seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu o nome de apóstolos: 14Simão, a quem impôs o nome de Pedro, e seu irmão André; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu; 15Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelota; 16Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, aquele que se tornou traidor. 17Jesus desceu da montanha com eles e parou num lugar plano. Ali estavam muitos dos seus discípulos e grande multidão de gente de toda a Judeia e de Jerusalém, do litoral de Tiro e Sidônia. 18Vieram para ouvir Jesus e ser curados de suas doenças. E aqueles que estavam atormentados por espíritos maus também foram curados. 19A multidão toda procurava tocar em Jesus, porque uma força saía dele, e curava a todos.
– Palavra da salvação.
– Glória a vós, Senhor!
Liturgia comentada
Passou a noite a orar… (Lc 6,12-19)
Jesus Cristo não era um homem “comum”. Homem verdadeiro, sim, mas também verdadeiro Deus. Por isso mesmo, somos inclinados a imaginar que, para ele, as coisas fossem mais fáceis do que são para nós.
Em sua natureza divina, Jesus de Nazaré teria – imaginamos nós, inocentemente – uma visão completa da situação, perceberia logo a saída para os impasses e teria resposta pronta para todos os problemas. Ledo engano. Ao se encarnar e assumir nossa natureza humana, o Filho de Deus abrira mão, voluntariamente, de suas prerrogativas divinas: agora, humano como nós, deverá “crescer” como todo filho do homem. Crescer plenamente no físico, no psíquico, no espiritual.
Por isso mesmo, não devemos admirar que, na iminência de escolher o primeiro grupo de seus apóstolos, Jesus Cristo tenha passado em vigília toda uma noite de oração, buscando aquelas luzes interiores necessárias a toda escolha. Ao recorrer ao Pai, em busca de luz e entendimento, Jesus manifesta sua total dependência em relação Àquele que o enviara a este mundo.
Sim, a oração é sinal de “dependência”. Toda pessoa que reconhece seus limites de criatura, acode prontamente ao Criador. O filho obediente não age sem antes obter a aprovação do pai. E Jesus Cristo é, por excelência, esse Filho submisso, obediente aos desígnios de seu Pai.
Aliás, aqui mesmo está o nosso grande problema. Nós vivemos cheios de impulsos personalistas, preferências próprias, gostos pessoais. Pior ainda, ousamos chamar tudo isso de “inspiração”. Nós costumamos tomar sérias decisões que determinarão todo o nosso futuro (casar-se? / ter filhos? / assumir uma profissão? / mudar de emprego?) sem um tempo suficiente de oração, discernimento e orientação.
Bem, é que nós nos sentimos muito seguros, não é? Nós nos bastamos. Confiamos em nosso taco… Assim sendo, não precisamos rezar, não é? E lá vamos nós por caminhos tortuosos, dando trombadas e atropelando pessoas, fundamentados apenas em nosso infalível instinto de… pecadores…
O exemplo de Jesus deve animar-nos a corrigir diariamente a nossa rota. Abrir mão de nossa autossuficiência. Reconhecer nossa extrema dependência. Orientar de novo nossa vida para Deus e buscar as luzes do Espírito Santo. Este Espírito de sabedoria é quem pode ensinar-nos todas as coisas, mostrar-nos toda a verdade (cf. Jo 16,13).
Quanto tempo de nosso dia temos dedicado à oração?
Orai sem cessar: “O Senhor preservará teu pé de toda cilada.” (Pr 3,26)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.