Domingo – XIX semana do tempo comum
(verde, glória, creio – III semana do saltério)
Antífona
– Lembrai-vos, Senhor, da vossa aliança e nunca esqueçais a vida dos vossos pobres. Levantai-vos, Senhor, e julgai vossa causa, e não fecheis o ouvido ao clamor dos que vos procuram (Sl 73,20.19.22).
Coleta
– Deus eterno e todo-poderoso, a quem, inspirados pelo Espírito Santo, ousamos chamar de Pai, fazei crescer em nosso coração o espírito de adoção filial, para merecermos entrar um dia na posse da herança prometida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: Sb 18,6-9
– Leitura do livro da Sabedoria: 6A noite da libertação fora predita a nossos pais, para que, sabendo a que juramento tinham dado crédito, se conservassem intrépidos. 7Ela foi esperada por teu povo, como salvação para os justos e como perdição para os inimigos. 8Com efeito, aquilo com que puniste nossos adversários serviu também para glorificar-nos, chamando-nos a ti. 9Os piedosos filhos dos bons ofereceram sacrifícios secretamente e, de comum acordo, fizeram este pacto divino: que os santos participariam solidariamente dos mesmos bens e dos mesmos perigos. Isso, enquanto entoavam antecipadamente os cânticos de seus pais.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.
Salmo Responsorial: Sl 33,1.12.18-19.20.22 (R: 12b)
– Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança!
R: Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança!
– Ó justos, alegrai-vos no Senhor! Aos retos fica bem glorificá-lo. Feliz o povo cujo Deus é o Senhor, e a nação que escolheu por sua herança!
R: Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança!
– Mas o Senhor pousa o olhar sobre os que o temem, e que confiam esperando em seu amor, para da morte libertar as suas vidas, e alimentá-los quando é tempo de penúria.
R: Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança!
– No Senhor nós esperamos confiantes, porque ele é nosso auxílio e proteção! Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos!
R: Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança!
2ª Leitura: Hb 11,1-2.8-12
– Leitura de carta aos Hebreus: Irmãos: 1A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se vêem. 2Foi a fé que valeu aos antepassados um bom testemunho. 8Foi pela fé que Abraão obedeceu à ordem de partir para uma terra que devia receber como herança, e partiu, sem saber para onde ia. 9Foi pela fé que ele residiu como estrangeiro na terra prometida, morando em tendas com Isaac e Jacó, os co-herdeiros da mesma promessa. 10Pois esperava a cidade alicerçada que tem Deus mesmo por arquiteto e construtor. 11Foi pela fé também que Sara, embora estéril e já de idade avançada, se tornou capaz de ter filhos, porque considerou fidedigno o autor da promessa. 12É por isso também que de um só homem, já marcado pela morte, nasceu a multidão “comparável às estrelas do céu e inumerável como a areia das praias do mar”.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– É preciso vigiar e ficar de prontidão; em que dia o Senhor há de vir não sabeis, não! (Mt 24,42.44).
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 12,32-48
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas
– Glória a vós, Senhor!
– Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 32“Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do Pai dar a vós o Reino. 33Vendei vossos bens e dai esmola. Fazei bolsas que não se estraguem, um tesouro no céu que não se acabe; ali o ladrão não chega nem a traça corrói. 34Porque, onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração. 35Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. 36Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrirem, imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater. 37Felizes os empregados que o Senhor encontrar acordados quando chegar. Em verdade eu vos digo: Ele mesmo vai cingir-se, fazê-los sentar à mesa e, passando, os servirá. 38E caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão, se assim os encontrar. 39Mas ficai certos: se o dono da casa soubesse a hora em que o ladrão iria chegar, não deixaria que arrombasse a sua casa. 40Vós também, ficai preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que menos o esperardes”. 41Então Pedro disse: “Senhor, tu contas esta parábola para nós ou para todos?” 42E o Senhor respondeu: “Quem é o administrador fiel e prudente, que o senhor vai colocar à frente do pessoal de sua casa, para dar comida a todos na hora certa? 43Feliz o empregado que o patrão, ao chegar, encontrar agindo assim! 44Em verdade eu vos digo: o senhor lhe confiará a administração de todos os seus bens. 45Porém, se aquele empregado pensar: ‘Meu patrão está demorando’, e começar a espancar os criados e as criadas, e a comer, a beber e a embriagar-se, 46o senhor daquele empregado chegará num dia inesperado e numa hora imprevista, ele o partirá ao meio e o fará participar do destino dos infiéis. 47Aquele empregado que, conhecendo a vontade do Senhor, nada preparou, nem agiu conforme a sua vontade, será chicoteado muitas vezes. 48Porém, o empregado que não conhecia essa vontade e fez coisas que merecem castigo, será chicoteado poucas vezes. A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!”
– Palavra da salvação.
– Glória a vós, Senhor!
Liturgia comentada
Bolsas que não se estraguem… (Lc 12,32-48)
Na verdade, a tradução literal do original grego seria “bolsas que não ficam velhas”. E nenhuma mulher elegante gosta de usar uma bolsa velha, arranhada, rasgada ou simplesmente fora de moda. Só que Jesus não está preocupado com a elegância feminina, mas com o rumo de nossa vida…
O Mestre sabe muito bem que nós temos uma inclinação natural para nos prendermos a bolsas furadas. Pode ser mesmo a Bolsa de Valores, que às vezes quebra – como em 1929 – causando a recessão econômica e a miséria de muita gente. Jesus está contrapondo os valores materiais – a “bolsa” é o símbolo deles – e os valores perenes, aqueles que duram além da morte.
Quanto às bolsas materiais, logo serão cuidadas pelos ladrões e pelas traças; roubadas ou corroídas, levarão seus donos à decepção. Ou, queira Deus, a uma tomada de consciência que reoriente o itinerário de sua existência. Muitos santos deram o primeiro passo na santidade exatamente a partir de uma decepção, de uma “roubada”. Pode ser uma perna quebrada, como a de Inácio de Loyola, ou o tombo de um cavalo, como aconteceu com Saulo de Tarso.
Neste Evangelho, Jesus vinha falando de lírios do campo e passarinhos, todos eles muito bem cuidados pelo Pai do céu, que veste os lírios de ouro e alimenta as aves que não semeiam nem colhem. Em uma palavra: Providência divina. Esta realidade espiritual – mas sempre traduzida do modo mais palpável e concreto! – se posiciona no polo oposto ao mundo capitalista, construído de dinheiro, poupanças, investimentos, megaprojetos, torres de Babel.
No Brasil, como em muitos países, discute-se a PREvidência como algo essencial para a sociedade, pois nada se espera da PROvidência. O que conta são os meios humanos, os recursos gerados pelo próprio homem, e são raros os que esperam algo das mãos de Deus. O tempo se encarregará de trazer à luz as loucuras do racionalismo materialista. Envolvido pelo sistema capitalista, o homem se faz escravo dos valores que procura, sacrificando a própria vida. Entre as coisas sacrificadas, a liberdade, o grande dom de Deus ao homem. Jesus acena aos com a experiência da liberdade, sem as cadeias da posse, da acumulação, dos cuidados sufocantes que amargam sua vida.
O ladrão se aproxima. Quer arrombar a casa, o cofre e os bens acumulados. Os pobres não o temem, pois só acumulam os dons de Deus…
Orai sem cessar: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão se cansam os construtores!” (Sl 127,1)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.