4ª feira da 3ª Semana da Quaresma
Antífona de entrada
Guiai os meus passos, Senhor, segundo a vossa palavra, e que nenhuma injustiça domine sobre mim! (Cf. Sl 118, 133)
Coleta
Concedei-nos, Senhor, que, formados pela observância quaresmal e alimentados pela vossa palavra, nos dediquemos de todo o coração à prática da santa penitência e perseveremos unidos na oração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — Dt 4, 1. 5-9
Leitura do Livro do Deuteronômio
Moisés falou ao povo, dizendo: 1“Agora, Israel, ouve as leis e os decretos que eu vos ensino a cumprir, para que, fazendo-o, vivais e entreis na posse da terra prometida que o Senhor Deus de vossos pais vos vai dar. 5Eis que vos ensinei leis e decretos conforme o Senhor meu Deus me ordenou, para que os pratiqueis na terra em que ides entrar e da qual tomareis posse.
6Vós os guardareis, pois, e os poreis em prática, porque neles está vossa sabedoria e inteligência perante os povos, para que, ouvindo todas as leis, digam: ‘Na verdade, é sábia e inteligente esta grande nação!’ 7Pois, qual é a grande nação cujos deuses lhe são tão próximos como o Senhor nosso Deus, sempre que o invocamos? 8E que nação haverá tão grande que tenha leis e decretos tão justos, como esta lei que hoje vos ponho diante dos olhos? 9Mas toma cuidado! Procura com grande zelo não te esqueceres de tudo o que viste com os próprios olhos, e nada deixes escapar do teu coração por todos os dias de tua vida; antes, ensina-o a teus filhos e netos”.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 147(147B), 12-13. 15-16. 19-20 (R. 12a)
R. Glorifica o Senhor, Jerusalém!
– Glorifica o Senhor, Jerusalém! Ó Sião, canta louvores ao teu Deus! Pois reforçou com segurança as tuas portas, e os teus filhos em teu seio abençoou.
– Glorifica o Senhor, Jerusalém!
– Ele envia suas ordens para a terra, e a palavra que ele diz corre veloz. Ele faz cair a neve como lã e espalha a geada como cinza.
– Glorifica o Senhor, Jerusalém!
– Anuncia a Jacó sua palavra, seus preceitos, suas leis a Israel. Nenhum povo recebeu tanto carinho, a nenhum outro revelou os seus preceitos.
– Glorifica o Senhor, Jerusalém!
– Senhor, tuas palavras são espírito, são vida; só tu tens palavras de vida eterna! (Cf. Jo 6, 63c. 68c)
– Glória a Cristo, Palavra eterna do Pai, que é amor!
Evangelho – Mt 5, 17-19
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠segundo Mateus
– Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 17“Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas”. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. 18Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da lei, sem que tudo se cumpra.
19Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar, será considerado grande no Reino dos Céus.
– Palavra da Salvação.
–Glória a vós, Senhor.
PALAVRA DE VIDA
Praticar e ensinar… (Mt 5,17-19)
Neste Evangelho, Jesus Cristo vem reforçar a “validade permanente” da Lei de Deus. Ela não oscila e não cede nenhum terreno diante dos modismos, das correntes filosóficas, das pressões de César Augusto. Por isso mesmo, a “Lei” – que é a manifestação explícita da vontade de Deus – continua sendo o referencial para a conduta humana. Se o quinto mandamento clama: “Não matarás!”, minha atitude pessoal irá definir-me como filho obediente ou como um… fora da lei.
Existe, pois, uma “grandeza” na obediência à Lei de Deus. Jesus nos ensina: “Quem praticar e ensinar [os mandamentos] será considerado grande no Reino dos céus” (v. 19b). A obediência que engrandece o filho de Deus inclui necessariamente dois aspectos: PRATICAR e ENSINAR.
É conhecida a triste frase atribuída a algum pai ou educador: “Façam o que eu falo, e não o que eu faço!” Frase que desmente em profundidade qualquer intenção educativa, pois o mau exemplo lança por terra o bom conteúdo do ensino. Aliás, o próprio Jesus alertava seus discípulos a respeito dos fariseus de seu tempo: “Portanto, tudo o que eles vos disserem, fazei e observai, mas não imiteis suas ações” (Mt 23,3).
Quando lemos a vida dos santos, fica patente a grande coerência entre aquilo que ensinavam e o que eles viviam. Grandes educadores – como Dom Bosco, Paula Montal e La Salle – não se limitavam a ensinar, mas praticavam imenso amor para com seus alunos. Não eram repetidores de normas abstratas, mas comprometiam suas vidas com a vida dos discípulos. Seu exemplo culminante está na vida dos mártires, quando o anúncio do Evangelho se faz ao preço do próprio sangue.
Imaginemos, por exemplo, que São Francisco pregasse o valor da virtude da pobreza ao mesmo tempo que passeasse pelas ruas de Assis em uma carruagem puxada por quatro cavalos brancos, revestido de um manto de veludo… Ninguém o levaria a sério. Eram exatamente suas sandálias gastas e poeirentas que confirmavam o permanente elogio à Irmã Pobreza. Óbvio, aqui e ali, tanto no campo eclesial quanto governamental, o povo não se deixa iludir, mas percebe e rejeita as incoerências dos pregadores e propagandistas. Não acredita no que ouve, mas no que vê…
Este Evangelho não se limita a confirmar a perenidade da Lei de Deus. Traz-nos um alerta a respeito de nossa atitude em relação à mesma Lei. Afinal, ela é como espada que separa o bem do mal, a verdade da mentira, a essência da aparência. E o povo ri baixinho: “Por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento…”
Orai sem cessar: “Os que educaram para a justiça brilharão como estrelas.” (Dn 12,3)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança