Sábado – São João XXIII
(verde – memória facultativa)
Antífona
– Ao vosso poder, Senhor, tudo está sujeito, e não há quem possa resistir à vossa vontade, porque sois o criador de todas as coisas, do céu e da terra e de tudo que eles contêm; vós sois o Senhor do universo! (Est 4,17).
Coleta
– Deus eterno e todo-poderoso, que, no vosso imenso amor de Pai, nos concedeis mais do que merecemos e pedimos, infundi em nós vossa misericórdia, para perdoar o que nos pesa na consciência e para nos dar mais a oração ousa pedir. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: Jl 4,12-21
– Leitura da profecia de Joel: Assim fala o Senhor: 12“Levantem-se e ponham-se em marcha os povos, rumo ao Vale de Josafá; ali me sentarei como juiz para julgar todas as nações em redor. 13Tomai a foice, pois a colheita está madura; vinde calcar, que o lagar está cheio: as tinas transbordam, porque grande é a sua malícia. 14Povos e mais povos no Vale da Decisão: o dia do Senhor está próximo no Vale da Decisão. 15Escureceram o sol e a lua e as estrelas perderam o brilho. 16Desde Sião rugirá o Senhor, fará ouvir sua voz desde Jerusalém; tremerão céus e terra, mas o Senhor será refúgio para o seu povo, será a fortaleza dos filhos de Israel. 17Sabereis, então, que eu sou o Senhor, vosso Deus, que habito em Sião, meu santo monte; Jerusalém será lugar sagrado, por onde não mais passarão estranhos. 18Acontecerá naquele dia que os montes farão correr vinho, e as colinas manarão leite; aos regatos de Judá não há de faltar água, e da casa do Senhor brotará uma fonte, que irá alimentar a corrente de Setim. 19O Egito será devastado, e a Idumeia, devastada e deserta, por causa de suas atrocidades contra os filhos de Judá, derramando sangue inocente em suas terras. 20Judá será habitada para sempre, e Jerusalém, por todos os séculos. 21Vingarei meu sangue, não o deixarei sem castigo. O Senhor está habitando em Sião.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.
Salmo Responsorial: Sl 97,1-2.5-6.11-12 (R: 12a)
– Ó Justos, alegrai-vos no Senhor.
R: Ó Justos, alegrai-vos no Senhor.
– Deus é Rei! Exulte a terra de alegria, e as ilhas numerosas rejubilem! Treva e nuvem o rodeiam no seu trono, que se apóia na justiça e no direito.
R: Ó Justos, alegrai-vos no Senhor.
– As montanhas se derretem como cera ante a face do Senhor de toda a terra; e assim proclama o céu sua justiça, todos os povos podem ver a sua glória.
R: Ó Justos, alegrai-vos no Senhor.
– Uma luz já se levanta para os justos, e a alegria, para os retos corações. Homens justos, alegrai-vos no Senhor, celebrai e bendizei seu santo nome!
R: Ó Justos, alegrai-vos no Senhor.
Aclamação ao santo Evangelho.
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Feliz quem ouve e observa a Palavra de Deus! (Lc 11-28).
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 11,27-28
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas
– Glória a vós, Senhor!
– Naquele tempo, 27enquanto Jesus falava, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e lhe disse: “Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram”. 28Jesus respondeu: “Muitos mais felizes são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática”.
– Palavra da salvação.
– Glória a vós, Senhor!
Liturgia comentada
Bem-aventurada! (Lc 11,27-28)
Apenas dois versículos, mas costumam incomodar quando mal interpretados… Do meio do povo, uma mulher emocionada além da conta deixa escapar um grito: “Bem-aventurada aquela que te trouxe no seio e te amamentou!”
Ouvindo a pregação de Jesus, seduzida por sua voz amorosa, tocada pelo fogo das palavras do Mestre, aquela mulher do povo deve ter pensado: “Que homem! Eu quisera ter um filho assim!” O próximo passo foi refletir? “Mulher feliz aquela que o trouxe ao mundo!” E, logo, se perguntar: “Quem seria a sua mãe?” Não espanta, pois, que se descontrolasse a gritar, sem qualquer pudor perante a multidão: “Bem-aventurada!”
A resposta de Jesus surpreende o leitor desavisado: “Bem-aventurados antes os que ouvem a palavra de Deus e a observam!” Muitos entenderam (mal!) que Jesus desmerecia a pessoa de Maria, sua Mãe, aquela que o gestara e amamentara. Na verdade, Jesus está reorientando o olhar e a compreensão de seus ouvintes para o fato de que, acima da maternidade biológica de Maria, o que realmente a fez “feliz” (bem-aventurada) foi sua atitude de acolhida do Verbo (=Palavra), a ponto de gerá-lo em sua natureza humana.
Outra coisa não ensina o Concílio Vaticano II: “Esta união entre Mãe e Filho na obra da salvação manifesta-se desde o tempo da virginal concepção de Cristo até sua morte”. (LG, 57.) “No decurso da pregação de seu Filho, ela recebeu as palavras pelas quais, exaltando o Reino acima de raças e vínculos de carne e sangue, Ele proclamou bem-aventurados os que ouvem e guardam a palavra de Deus, tal como ela mesma fielmente o fazia”. (LG, 58.)
Assim, nem de longe Jesus pretende rejeitar o elogio que a mulher do povo dirige à sua Mãe. Afinal, “todas as gerações a proclamariam bem-aventurada” (cf. Lc 1,48), e a mulher anônima simplesmente cumpre aquela profecia. O bom Filho apenas aponta para as motivações mais profundas da “felicidade” de sua Mãe.
Além do mais, um olhar atento verá que Maria cumpre todas as bem-aventuranças de Mateus 5: foi pobre e chorou, foi mansa e sedenta de justiça, misericordiosa e pura, pacífica e perseguida. E ainda se acha, hoje, quem a injurie por causa de seu Filho… Precisa mais?
Orai sem cessar: “Felizes os que habitam em tua casa, Senhor!” (Sl 84,5)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.