Santa Dulce Lopes Pontes, Virgem, Memória
Antífona de entrada
Vinde, benditos do meu Pai, diz o Senhor. Eu estava doente e cuidastes de mim. Em verdade vos digo, que todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes. (Mt 25, 34. 36. 40)
Coleta
Ó Deus de misericórdia, que concedestes a Santa Dulce o dom de socorrer os necessitados nas suas enfermidades, dai-nos, por seu exemplo, o espírito de pobreza e a graça de vos servir com solicitude nos irmãos sofredores. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — Ez 12, 1-12
Leitura da Profecia de Ezequiel
1 A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: 2 “Filho do homem, estás morando no meio de um povo rebelde. Eles têm olhos para ver e não veem, ouvidos para ouvir e não ouvem, pois são um povo rebelde. 3 Quanto a ti, Filho do homem, prepara para ti uma bagagem de exilado, em pleno dia, à vista deles. Emigrarás do lugar onde estás, à vista deles, para outro lugar. Talvez percebam que são um povo rebelde. 4 Deverás tirar a bagagem em pleno dia, à vista deles, como se fosse a bagagem de um exilado. Mas deverás sair à tarde, à vista deles, como quem vai para o exílio.
5 À vista deles deverás cavar para ti um buraco no muro, pelo qual sairás; 6 deverás carregar a bagagem nas costas e retirá-la no escuro. Deverás cobrir a face para não ver o país, pois eu fiz de ti um sinal para a casa de Israel”.
7 Eu fiz assim como me foi ordenado. Tirei a bagagem durante o dia, como se fosse a bagagem de exilado; à tarde, abri com a mão um buraco no muro. Saí ao escuro, carregando a bagagem às costas, diante deles. 8 De manhã, a palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: 9 “Filho do homem, não te perguntaram os da casa de Israel, essa gente rebelde, o que estavas fazendo?
10 Dize-lhes: Assim fala o Senhor Deus: Este oráculo refere-se ao príncipe de Jerusalém e a toda a casa de Israel que está na cidade. 11 Dize: Eu sou um sinal para vós. Assim como eu fiz, assim será feito com eles: irão cativos para o exílio. 12 O príncipe que está no meio deles levará a bagagem às costas e sairá ao escuro. Farão no muro um buraco para sair por ele. O príncipe cobrirá o rosto para não ver com seus olhos o país”.
Palavra do Senhor.
Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 77(78), 56-57. 58-59. 61-62 (R. cf. 7c)
Das obras do Senhor não se esqueçam.
Mesmo assim, eles tentaram o Altíssimo, recusando-se a guardar os seus preceitos. Como seus pais, se transviaram, e o traíram como um arco enganador que volta atrás;
Das obras do Senhor não se esqueçam.
Irritaram-no com seus lugares altos, provocaram-lhe o ciúme com seus ídolos. Deus ouviu e enfureceu-se contra eles, e repeliu com violência a Israel.
Das obras do Senhor não se esqueçam.
Entregou a sua arca ao cativeiro, e às mãos do inimigo a sua glória; fez perecer seu povo eleito pela espada, e contra a sua herança enfureceu-se.
Das obras do Senhor não se esqueçam.
Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos! (Sl 118, 135)
Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Mt 18, 21-19, 1
O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Mateus
Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 18, 21 Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” 22 Jesus respondeu: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23 Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24 Quando começou o acerto, trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna.
25 Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. 26 O empregado, porém, caiu aos pés do patrão, e, prostrado, suplicava: ‘Dá-me um prazo! E eu te pagarei tudo’. 27 Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida. 28 Ao sair dali, aquele empregado encontrou um dos seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Paga o que me deves’.
29 O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dá-me um prazo! E eu te pagarei’. 30 Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. 31 Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo. 32 Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: ‘Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. 33 Não devias tu também, ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’
34 O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. 35 É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”. 19, 1 Ao terminar estes discursos, Jesus deixou a Galileia e veio para o território da Judeia além do Jordão.
Palavra da Salvação.
Glória a vós, Senhor.
PALAVRA DE VIDA
O Senhor lhe perdoou a dívida… (Mt 18,21-19,1)
A Boa Nova de Jesus situa o perdão das ofensas bem no coração de sua mensagem. De um lado, Deus nos perdoa; do outro, nós perdoamos o próximo.
Antoine Bloom comenta: “Assim como os hebreus foram chamados por Moisés para fugirem do Egito, segui-lo na noite escura, atravessar o Mar Vermelho, cada um de nós é conduzido ao deserto onde começa uma nova etapa. Entre o Egito e o deserto, entre a escravidão e a liberdade, estende-se uma linha de demarcação. É o momento do ato decisivo, pelo qual nos tornamos homens novos, em uma situação moral totalmente nova.
Em termos de geografia, esta linha foi o Mar Vermelho, mas na oração do Senhor, ela é o “perdoai nossas ofensas como também nós perdoamos”. Este “como nós perdoamos” representa o momento em que tomamos nossa salvação em nossas próprias mãos, pois tudo o que Deus faz depende do que nós fazemos; e isto é de extrema importância na vida diária.
Se as pessoas que saem do Egito levam consigo seus medos, seus ressentimentos, seus ódios, suas queixas, elas permanecerão escravas na Terra Prometida. Não serão homens livres, nem mesmo homens em condições de construir sua liberdade. É por isso que, entre a provação sofrida e a tentação de nossos demônios familiares, encontra-se esta condição absoluta para a qual Deus jamais aceita algum tipo de arranjo: não haverá dois pesos, duas medidas; assim como perdoais, sereis perdoados. E o que não perdoais será retido contra vós.
Não é que Deus não nos queira perdoar, mas se recusamos o perdão, transformamos em fiasco o mistério do amor, nós o recusamos e já não há lugar no Reino para nós. Já não podemos ir adiante se não somos perdoados, e não podemos ser perdoados enquanto não perdoarmos a todos aqueles que nos fizeram mal. […]
A lei do perdão não é um estreito regato na fronteira entre a escravidão e a liberdade; ela é larga e profunda, é o Mar Vermelho. Os judeus não a transpuseram por seus próprios esforços, em barcos feitos pela mão do homem. O Mar Vermelho abriu-se pelo poder de Deus. Foi preciso que Deus os ajudasse a atravessá-lo. Mas, para sermos conduzido por Deus, devemos entrar em comunhão com essa qualidade de Deus, que é a capacidade de perdoar.”
Então, perdoaremos?
Orai sem cessar: “Por amor a meus irmãos, eu direi: paz para ti!” (Sl 122,8)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.