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LITURGIA

Liturgia Diária

Liturgia de 15 de agosto de 2026

Sábado da 19ª Semana do Tempo Comum

Memória Facultativa
Santa Maria no Sábado

Antífona de entrada

Lembrai-vos, Senhor, da vossa aliança, e nunca esqueçais a vida dos vossos pobres. Levantai-vos Senhor, e julgai vossa causa, e não fecheis o ouvido ao clamor dos que vos procuram. (Cf. Sl 73, 20. 19. 22. 23)

Coleta

Deus eterno e todo-poderoso, a quem, inspirados pelo Espírito Santo, ousamos chamar de Pai, farei crescer em nossos corações o espírito de adoção filial, para merecermos entrar um dia na posse da herança prometida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

Primeira Leitura — Ez 18, 1-10. 13b. 30-32

Leitura da Profecia de Ezequiel

1 A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: 2 “Que provérbio é esse que andais repetindo em Israel: ‘Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos ficaram embotados?’ 3 Juro por minha vida — oráculo do Senhor Deus —, já não haverá quem repita esse provérbio em Israel. 4 Todas as vidas me pertencem. Tanto a vida do pai como a vida do filho são minhas. Aquele que pecar, é que deve morrer.

5 Se um homem é justo e pratica o direito e a justiça, 6 não participa de refeições rituais sobre os montes, não levanta os olhos para os ídolos da casa de Israel, não desonra a mulher do próximo, nem se aproxima da mulher menstruada; 7 se não oprime ninguém, devolve o penhor devido, não pratica roubos, dá alimento ao faminto e cobre de vestes o que está nu; 8 se não empresta com usura, nem cobra juros, afasta sua mão da injustiça, e julga imparcialmente entre homem e mulher; 9 se vive conforme as minhas leis e guarda os meus preceitos, praticando-os fielmente, tal homem é justo e, com certeza, viverá — oráculo do Senhor Deus.

10 Mas, se tiver um filho violento e assassino, que pratica uma dessas ações, 13b porque fez todas essas coisas abomináveis, com certeza, morrerá; ele é responsável pela sua própria morte.

30 Pois bem, vou julgar cada um de vós, ó casa de Israel, segundo a sua conduta — oráculo do Senhor Deus. Arrependei-vos, convertei-vos de todas as vossas transgressões, a fim de não terdes ocasião de cair em pecado. 31 Afastai-vos de todos os pecados que praticais. Criai para vós um coração novo e um espírito novo. Por que haveis de morrer, ó casa de Israel? 32 Pois eu não sinto prazer na morte de ninguém — oráculo do Senhor Deus. Convertei-vos e vivereis!”

Palavra do Senhor.
Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 50(51), 12-13. 14-15. 18-19 (R. 12a)

Ó Senhor, criai em mim um coração que seja puro!

Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo um espírito decidido. Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!
Ó Senhor, criai em mim um coração que seja puro!

Dai-me de novo a alegria de ser salvo e confirmai-me com espírito generoso! Ensinarei vosso caminho aos pecadores, e para vós se voltarão os transviados.
Ó Senhor, criai em mim um coração que seja puro!

Pois não são de vosso agrado os sacrifícios, e, se oferto um holocausto, o rejeitais. Meu sacrifício é minha alma penitente, não desprezeis um coração arrependido!
Ó Senhor, criai em mim um coração que seja puro!

Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois revelaste os mistérios do teu Reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores! (Cf. Mt 11, 25)
Aleluia, Aleluia, Aleluia.

Evangelho — Mt 19, 13-15

O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus
Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 13 levaram crianças a Jesus, para que impusesse as mãos sobre elas e fizesse uma oração. Os discípulos, porém, as repreendiam. 14 Então Jesus disse: “Deixai as crianças e não as proibais de virem a mim, porque delas é o Reino dos Céus”. 15 E depois de impor as mãos sobre elas, Jesus partiu dali.

Palavra da Salvação.
Glória a vós, Senhor.

PALAVRA DE VIDA
Delas é o Reino dos céus… (Mt 19,13-15)

O Reino é das crianças? Na verdade, esta não parece a melhor tradução do que Jesus falou. O texto grego – o mais antigo de que dispomos – diz assim: o Reino é daqueles que se “assemelham” a eles (os pequeninos). Está em questão uma semelhança, uma aproximação, uma identificação.

Não admira, pois, que vários santos e pais espirituais falem em uma “infância espiritual”, uma atitude infantil, parecida com as palavras do Salmo 130, que mostra o fiel como “uma criança desmamada no colo de sua mãe”.

Esta imagem da criança, elogiada por Jesus, tem merecido variadas interpretações. Uma das mais comuns aponta para o “pequenino” por sua pureza e inocência. Mas parece que não era isto que Jesus tinha em mente. Na passagem paralela do Evangelho de São Marcos (10,14-15), podemos ler: “Quem não receber o Reino de Deus como uma criancinha não entrará nele”.

Uma forma de entender esta verdade pode ser, simplesmente, a leitura de “História de uma Alma”, da pequena Teresa de Lisieux. E ali teríamos uma espécie de pós-graduação no assunto. Não se merece o Reino. Não se conquista com mangas arregaçadas e camisa suada. Não precisamos subir as escadas se temos à disposição o elevador. Tudo é graça. Tudo é dom.

Aí está a infância que faz milagres: abrir-se à graça, acolher o amor que salva, ver em Deus o Pai amoroso, e não o juiz, não o Altíssimo, não o policial, não o vingador, não o supremo Arquiteto. Só o Pai. Ou, como diz o próprio Jesus. O nosso “abbá”, o paizinho…

A criança sabe de sua fragilidade. Sabe de sua inexperiência. Sabe que DEPENDE. E por isso ela OBEDECE.

É o tipo de orientação que desagrada os superativos, os conquistadores, os soldados da fé, os autores de grandes projetos pastorais e que, por isso mesmo, não têm mais tempo para o silêncio, a contemplação, o abandono em Deus.

Em tempo: já na época de Jesus de Nazaré – como na maioria das sociedades de então – a criança era um zero à esquerda. Não eram contadas nos recenseamentos. Não tinham nenhum direito. O pater familias romano decidia se o recém-nascido devia viver ou ser lançado em um barranco. Jean Jacques Rousseau, em pleno século XVIII, abandou seus cinco filhos em um orfanato.

Hoje, existe o Estatuto da Criança. Mas ela continua sendo “eliminada” ainda na barriga das mães. Pobres pequeninos!

Orai sem cessar: “__Se alguém for pequenino, venha a mim!” (Pr 9,4)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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