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LITURGIA

Liturgia Diária

Liturgia de 15 de julho de 2026

São Boaventura, Bispo e Doutor da Igreja, Memória

Antífona de entrada

No meio da Igreja o Senhor abriu os seus lábios, encheu-o com o espírito de sabedoria e inteligência e o revestiu com um manto de glória. (Cf. Eclo 15, 5)

Ou:

O justo tem nos lábios o que é sábio, sua língua tem palavras de justiça; traz a aliança do seu Deus no coração. (Cf. Sl 36, 30-31)

Coleta

Deus todo-poderoso, concedei que, na celebração da memória do bispo São Boaventura, aproveitemos a riqueza dos seus ensinamentos e imitemos sempre sua ardente caridade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

Primeira Leitura — Is 10, 5-7. 13-16

Leitura do Livro do Profeta Isaías

Assim fala o Senhor: 5 “Ai de Assur, vara de minha cólera, bastão em minhas mãos, instrumento de minha indignação! 6 Eu o envio contra uma nação ímpia e ordeno-lhe, contra um povo que me excita à ira, que o submeta à pilhagem e ao saque, que o calque aos pés como lama nas ruas.

7 Mas ele assim não pensava, seu propósito não era esse; pelo contrário, sua intenção era esmagar e exterminar não poucas nações. 13 Pois diz o rei da Assíria: ‘Realizei isso pela força da minha mão e com minha sagacidade, pois tenho experiência; aboli as fronteiras dos povos, saqueei seus tesouros, e derrubei de golpe os ocupantes de altos postos; 14 minha mão empalmou como um ninho a riqueza dos povos; e como se apanha uma ninhada de ovos, assim ajuntei eu os povos da terra, e não houve quem batesse asa ou abrisse o bico e desse um pio’.

15 Mas acaso gloria-se o machado, em detrimento do lenhador que com ele corta? Ou se exalta a serra contra o serrador que a maneja? Como se a vara movesse quem a levanta e um bastão erguesse aquele que não é madeira. 16 Por isso, enviará o Dominador, Senhor dos exércitos, contra aqueles fortes guerreiros o raquitismo; e abalará sua glória com convulsões que queimam como fogo”.

Palavra do Senhor.
Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 93(94), 5-6. 7-8. 9-10. 14-15 (R. 14a)

O Senhor não rejeita o seu povo.

Eis que oprimem, Senhor, vosso povo e humilham a vossa herança; estrangeiro e viúva trucidam, e assassinam o pobre e o órfão!
O Senhor não rejeita o seu povo.

Eles dizem: “O Senhor não nos vê e o Deus de Jacó não percebe!” Entendei, ó estultos do povo; insensatos, quando é que vereis?
O Senhor não rejeita o seu povo.

O que fez o ouvido não ouve? Quem os olhos formou, não verá? Quem educa as nações, não castiga? Quem os homens ensina, não sabe?
O Senhor não rejeita o seu povo.

O Senhor não rejeita o seu povo e não pode esquecer sua herança: voltarão a juízo as sentenças; quem é reto andará na justiça.
O Senhor não rejeita o seu povo.

Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois revelaste os mistérios do teu Reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores! (Cf. Mt 11, 25)
Aleluia, Aleluia, Aleluia.

Evangelho — Mt 11, 25-27

O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus
Glória a vós, Senhor.

25 Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. 26 Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 27 Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”.

Palavra da Salvação.
Glória a vós, Senhor.

PALAVRA DE VIDA
Escondeste aos sábios e entendidos… (Mt 11,25-27)

Esta verdade vem até nós do coração de uma prece de Jesus ao Pai. E ela é motivo de louvor a Deus: “Eu te dou graças, Pai, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos”. Deus reserva aos “pequenos” deste mundo a compreensão dos mistérios que os “doutores” quiseram transformar em segredos para iniciados. Bem entendido, a reprovação é dirigida à ciência que incha, ao conhecimento que leva alguém a sentir-se superior a “essa maldita gentinha que não conhece a lei” (cf. Jo 7,49).

Não quer dizer que Deus desaprove o estudo, a busca do conhecimento, tantas vezes elogiada ao longo da Sagrada Escritura. O perigo está em sentir-nos autossuficientes com o conhecimento adquirido, o que levaria a um estado de arrogância e de autonomia, conhecida fonte de desvios e perdição. Se o conhecimento me basta, não preciso de ninguém. Nem de Deus?

Ora, o conhecimento de Jesus na qualidade de Filho de Deus não pode ser adquirido pela via racional do conhecimento humano. Não é resultado de pesquisa, de reflexão filosófica, de penetração em alguma gnose fora do alcance da maioria, mas, ao contrário, só se obtém pela “revelação”.

Ao mesmo tempo, Jesus aponta para a vantagem que levam os “pequeninos”. Quem são eles? Hébert Roux procura identificá-los: “Os pequeninos evidentemente não são considerados em sua inocência, mas em sua fraqueza e sua ignorância, e por causa do desprezo que recebem. Aqui, reencontramos um dos temas essenciais do Sermão da Montanha, que será retomado no capítulo 18: o Reino dos céus é dado, revelado não aos grandes, aos poderosos, aos sábios, aos satisfeitos, mas aos pequenos, aos humildes, aos pobres. Mas sua fé não provém de suas virtudes ou disposições naturais, elas lhes é dada por causa daquilo que lhes falta”.

Isto não deveria chocar a ninguém. Não é natural que o copo cheio não possa mais receber água? E a mão cheia de goiabas não possa mais acolher outra, mesmo mais madura? A sensação de plenitude impede uma nova acolhida; a certeza do próprio vazio abre o espaço para a visita de Deus.

Quando um sábio e poderoso realiza algo importante, ele receberá aplausos e louvores. Se a obra é realizada por alguém aparentemente incapaz, os elogios se dirigem a Deus. Isto explica, talvez, a escolha da pequena Maria de Nazaré…

É minha humana miséria que atrai a divina misericórdia…

Orai sem cessar: “O Senhor ergue o indigente da poeira…” (Sl 113,7)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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