Quarta-feira – Santa Teresinha – Virgem e Doutora da Igreja
(branco, pref. comum ou das virgens – ofício da memória)
Antífona
– Assim como a corça suspira pelas águas correntes, suspira igualmente min´alma por vós, ó meu Deus! Minha alma tem sede de Deus e deseja o Deus vivo. (Sm 41,2s).
Coleta
– Ó Deus, pelo vosso espírito suscitaste Santa Teresinha para indicar à Igreja um novo caminho na busca da perfeição; concedei-nos encontrar sempre alimento em sua doutrina espiritual e ser inflamados pelo desejo da verdadeira santidade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: Rm 2,1-11
– Leitura da carta de São Paulo aos Romanos: 1Ó homem, qualquer que sejas, tu que julgas, não tens desculpa; pois, julgando os outros, te condenas a ti mesmo, já que fazes as mesmas coisas, tu que julgas. 2Ora, sabemos que o julgamento de Deus se exerce segundo a verdade contra os que praticam tais coisas. 3Ó homem, tu que julgas os que praticam tais coisas e, no entanto, as fazes também tu, pensas que escaparás ao julgamento de Deus? 4Ou será que desprezas as riquezas de sua bondade, de sua tolerância, de sua longanimidade, não entendendo que a benignidade de Deus é um insistente convite para te converteres? 5Por causa de teu endurecimento no mal e por teu coração impenitente, estás acumulando ira para ti mesmo, no dia da ira, quando se revelará o justo juízo de Deus. 6Deus retribuirá a cada um segundo as suas obras. 7Para aqueles que, perseverando na prática do bem, buscam a glória, a honra e a incorruptibilidade, Deus dará a vida eterna; 8porém, para os que, por espírito de rebeldia, desobedecem à verdade e se submetem à iniquidade, estão reservadas ira e indignação. 9Tribulação e angústia para toda pessoa que faz o mal, primeiro para o judeu, mas também para o grego; 10glória, honra e paz para todo aquele que pratica o bem, primeiro para o judeu, mas também para o grego; 11pois Deus não faz distinção de pessoas.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.
Salmo Responsorial: Sl 62,2-3.6-7.9 (R: 13b)
– Senhor pagais a cada um conforme suas obras.
R: Senhor pagais a cada um conforme suas obras.
– Só em Deus a minha alma tem repouso, porque dele é que me vem a salvação! Só ele é meu rochedo e salvação, a fortaleza, onde encontro segurança!
R: Senhor pagais a cada um conforme suas obras.
– Só em Deus a minha alma tem repouso, porque dele é que me vem a salvação! Só ele é meu rochedo e salvação, a fortaleza, onde encontro segurança!
R: Senhor pagais a cada um conforme suas obras.
– Povo todo, esperai sempre no Senhor, e abri diante dele o coração: nosso Deus é um refúgio para nós!
R: Senhor pagais a cada um conforme suas obras.
Aclamação ao santo Evangelho.
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Minhas ovelhas escutam minha voz, eu as conheço e elas me seguem
(Jo 10,27).
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 11,42-46.
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas.
– Glória a vós, Senhor!
– Naquele tempo, disse o Senhor: 42“Ai de vós, fariseus, porque pagais o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as outras ervas, mas deixais de lado a justiça e o amor de Deus. Vós deveríeis praticar isso, sem deixar de lado aquilo. 43Ai de vós, fariseus, porque gostais do lugar de honra nas sinagogas, e de serdes cumprimentados nas praças públicas. 44Ai de vós, porque sois como túmulos que não se veem, sobre os quais os homens andam sem saber”. 45Um mestre da Lei tomou a palavra e disse: “Mestre, falando assim, insultas-nos também a nós!” 46Jesus respondeu: “Ai de vós também, mestres da Lei, porque colocais sobre os homens cargas insuportáveis, e vós mesmos não tocais nessas cargas, nem com um só dedo”.
– Palavra da salvação.
– Glória a vós, Senhor!
Liturgia comentada
Sois como túmulos… (Lc 11,42-46)
Entre os preceitos da Antiga Aliança, figurava este alerta: quem tocasse em um túmulo estaria ritualmente impuro pelo período de sete dias (cf. Nm 19,16), devendo submeter-se a estrito ritual de purificação. Por isso mesmo, os túmulos eram caiados, para que a brancura da cal chamasse a atenção dos distraídos.
Jesus se vale desta imagem para denunciar a duplicidade dos fariseus, que se esmeravam no cumprimento de pequenos detalhes preceituais, mas deixavam de cumprir mandamentos essenciais, como o amor ao próximo. Exteriormente, uma aparência de pureza; internamente, completa corrupção. Ou seja, uma “religião” feita de máscaras…
Sempre houve este risco de valorizar o culto e as atitudes exteriores em detrimento de uma interioridade sincera. A viúva rica doava os vitrais para a igreja, mas fazia questão de que seu nome fosse gravado no vidro. O fazendeiro avisou que não daria mais garrotes para o leilão, porque seu nome não fora citado na hora dos lances. Vamos para a missa de domingo com roupa limpinha, mas continuamos a ver as novelas de TV com seu desfile de pornografia, violência, traições e desprezo pela virtude…
Esta deformação da vida cristã merece o mesmo rótulo que Jesus aplicou aos fariseus de seu tempo: hipocrisia. Em lugar de uma humilde submissão à vontade de Deus, expressa nos mandamentos e no magistério da Igreja, acha-se uma forma de aparentar um ar de religiosidade, enquanto o coração permanece rebelde, apegado ao próprio eu, movido apenas por interesses pessoais.
Sem dúvida, o servidor de Deus recusa a ostentação e o luxo, abre mão do supérfluo, acolhe os necessitados, gasta tempo e dinheiro com os outros. Que pensar de evangelizadores e “ministérios” de música que só se apresentam sob a condição de polpuda remuneração?
Em nosso tempo, o risco de duplicidade é ainda maior: com a exposição pelos meios de comunicação os evangelizadores se arriscam a viver como simples animadores de TV, artistas de palco, tornando-se ídolos de uma plateia que os “consome”.
Jesus de Nazaré – que não tinha onde repousar a cabeça (cf. Mt 8,20) – continua sendo nosso modelo extremo de fidelidade à missão que o Pai lhe confiara, sem se preocupar com os agrados e os aplausos da multidão.
Orai sem cessar: “Não são os mortos que louvam o Senhor!” (Sl 115,17)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.