Segunda-feira – Bem-aventurada Virgem Maria das Dores
(branco, seq. facultativa, pref. de Maria – ofício da memória)
Antífona
– Simeão disse a Maria: Este menino será motivo de queda e de ressurreição para muitos em Israel e sinal de contradição; uma espada traspassará tua própria alma (Lc 2,34s).
Coleta
– Ó Deus, junto ao vosso Filho exaltado na cruz, quisestes que a Mãe estivesse de pé sofrendo com ele. Concedei que à vossa Igreja, associada com Maria à paixão de Cristo, mereça participar da sua ressurreição. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: Hb 5,7-9
– Leitura da carta aos Hebreus: 7Cristo, nos dias de sua vida terrestre, dirigiu preces e súplicas, com forte clamor e lágrimas, àquele que era capaz de salvá-lo da morte. E foi atendido por causa de sua entrega a Deus. 8Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus por aquilo que sofreu. 9Mas, na consumação de sua vida, tornou-se a causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.
Salmo Responsorial: Sl 31,2-3a.3bc-4.5-6.15-16.20 R: 17b
– Salvai-me pela vossa compaixão, ó Senhor Deus!
R: Salvai-me pela vossa compaixão, ó Senhor Deus!
– Senhor, eu ponho em vós minha esperança; que eu não fique envergonhado eternamente. Porque sois justo, defendei-me e libertai-me; apressai-vos, ó Senhor, em socorrer-me!
R: Salvai-me pela vossa compaixão, ó Senhor Deus!
– Sede uma rocha protetora para mim, um abrigo bem seguro que me salve! Sim, sois vós a minha rocha e fortaleza; por vossa honra orientai-me e conduzi-me!
R: Salvai-me pela vossa compaixão, ó Senhor Deus!
– Retirai-me desta rede traiçoeira, porque sois o meu refúgio protetor! Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito, porque vós me salvareis, ó Deus fiel!
R: Salvai-me pela vossa compaixão, ó Senhor Deus!
– A vós, porém, ó meu Senhor, eu me confio, e afirmo que só vós sois o meu Deus! Eu entrego em vossas mãos o meu destino; libertai-me do inimigo e do opressor!
R: Salvai-me pela vossa compaixão, ó Senhor Deus!
– Como é grande, ó Senhor, vossa bondade, que reservastes para aqueles que vos temem! Para aqueles que em vós se refugiam, mostrando, assim, o vosso amor perante os homens.
R: Salvai-me pela vossa compaixão, ó Senhor Deus!
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Feliz a Virgem Maria, que, sem passar pela morte, do martírio ganha a palma, ao pé da cruz do Senhor!
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 2,33-35
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas
– Glória a vós, Senhor!
– 33O pai e a mãe ficavam admirados com aquilo que diziam do menino. 34Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe: “Este me nino será causa de queda e de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição 35– e a ti, uma espada traspassará tua alma! – e assim serão revelados os pensa mentos de muitos corações”.
– Palavra da salvação.
– Glória a vós, Senhor!
Liturgia comentada
Uma espada de dor… (Lc 2,33-35)
A contemplação das dores de Maria é bem mais que uma piedosa tradição do povo católico. Trata-se de um remédio para muitos males de nosso tempo, como a doença de buscar a felicidade a todo preço, em qualquer circunstância, como se fosse possível passar pela Terra sem sofrer.
Maria de Nazaré é uma Mulher escolhida por Deus para a missão única de ser a Mãe do Salvador. Mas esta escolha não faz dela um anjo, puro espírito, vacinado contra a dor. Não lhe dá privilégios neste vale de lágrimas onde vivemos. Ao contrário, profundamente humana, Maria participa em tudo da condição de nossa humanidade, com suas angústias, até o clímax do Calvário.
E exatamente por conhecer na sua própria carne a dor humana, Maria sabe fazer o papel de nossa intercessora junto a Jesus, sempre terna e compadecida diante de nossas dores, nossas perplexidades, nossas angústias… e até mesmo de nossos pecados…
Certo exagero em ver a Mãe de Deus como rainha coroada, cercada de anjos, pisando em nuvens, revestida de tons dourados, pode nos dar uma visão falsa de Maria. Não podemos esquecer a jovenzinha de Nazaré, a mãe que amamenta o filho, a dona de casa que cozinha, lava roupa e varre a casa. Esta é a Maria real. Esta é a Maria que sofre.
Vem deste Evangelho o costume de retratar Nossa Senhora das Dores com uma espada no coração. A dor que ela experimenta brota exatamente da profecia de que seu Filho será um “sinal de contradição”, isto é, levará as pessoas a tomar uma decisão: ser a favor ou contra Jesus Cristo.
Assim como a espada separa a carne que ela atinge, assim também a pessoa de Jesus exige um corte radical entre o pecado e a salvação, entre o erro e a verdade, entre as trevas e a luz. “Simeão define Jesus como o sinal colocado por Deus, que obriga inevitavelmente todo homem a se decidir: para a morte ou para a vida. Embora ele seja sinal de salvação, sempre encontrará oposição. E aqui serão reveladas as perplexidades, as dúvidas e as maldades ocultas no coração do homem.”
Assim, as palavras de Simeão a Maria já antecipam o anúncio da Paixão de Cristo: “Uma espada transpassará a tua alma”. E como ninguém está tão unido a Jesus quanto Maria, a rejeição contra o Filho há de ferir também o coração da Mãe. Mas Ela será sempre fiel a seu Filho, sem se fazer de vítima, ou usar do sofrimento como desculpa para compensações.
O sofrimento de Maria é uma COM-PAIXÃO. Ela sofre a Paixão de seu Filho. Somos chamados a sofrer a mesma dor, ao ver que Jesus é rejeitado, caluniado. Sofrer quando recusam a salvação por ele oferecida e ver desperdiçado o sangue derramado por todos nós.
Orai sem cessar: “Completo na minha carne o que falta à Paixão de Cristo… (Cl 1,24)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.