5ª feira da 24ª Semana do Tempo Comum
Memória Facultativa
São Roberto Belarmino, Bispo e Doutor da Igreja ou Santa Hildegarda de Bingen, Virgem e Doutora da Igreja
Antífona de entrada
Dai paz, Senhor, aos que em vós esperam, para confirmar a veracidade dos vossos profetas; escutai as preces do vosso servo e vosso povo Israel. (Cf. Eclo 36, 18)
Coleta
Ó Deus, vós que criais e governais todas as coisas, volvei para nós o vosso olhar e, para sentirmos a ação da vossa misericórdia, dai-nos a graça de vos servir de todo o coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — 1Cor 15, 1-11
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios
1 Irmãos, quero lembrar-vos do evangelho que vos preguei e que recebestes, e no qual estais firmes. 2 Por ele sois salvos, se o estais guardando tal qual vos foi pregado por mim. De outro modo, teríeis abraçado a fé em vão.
3 Com efeito, transmiti-vos, em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo tinha recebido, a saber: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; 4 que foi sepultado; que, ao terceiro dia, ressuscitou, segundo as Escrituras; 5 e que apareceu a Cefas e, depois, aos Doze. 6 Mais tarde, apareceu a mais de quinhentos irmãos, de uma vez. Destes, a maioria ainda vive e alguns já morreram. 7 Depois, apareceu a Tiago e, depois, apareceu aos apóstolos todos juntos. 8 Por último, apareceu também a mim, como a um abortivo.
9 Na verdade, eu sou o menor dos apóstolos, nem mereço o nome de apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus. 10 É pela graça de Deus que eu sou o que sou. Sua graça para comigo não foi estéril: prova é que tenho trabalhado mais do que os outros apóstolos – não propriamente eu, mas a graça de Deus comigo.
11 É isso, em resumo, o que eu e eles temos pregado e é isso o que crestes.
Palavra do Senhor.
Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 117(118), 1-2. 16ab-17. 28 (R. 1)
Dai graças ao Senhor, porque ele é bom!
Dai graças ao Senhor porque ele é bom. “Eterna é a sua misericórdia!” A casa de Israel agora o diga: “Eterna é a sua misericórdia!”
Dai graças ao Senhor, porque ele é bom!
A mão direita do Senhor fez maravilhas, a mão direita do Senhor me levantou, a mão direita do Senhor fez maravilhas! Não morrerei, mas ao contrário, viverei para cantar as grandes obras do Senhor.
Dai graças ao Senhor, porque ele é bom!
Vós sois meu Deus, eu vos bendigo e agradeço! Vós sois meu Deus, eu vos exalto com louvores!
Dai graças ao Senhor, porque ele é bom!
Vinde a mim, todos vós que estais cansados, e descanso eu vos darei, diz o Senhor! (Mt 11, 28)
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Lc 7, 36-50
O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas
Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 36 um fariseu convidou Jesus para uma refeição em sua casa. Jesus entrou na casa do fariseu e pôs-se à mesa. 37 Certa mulher, conhecida na cidade como pecadora, soube que Jesus estava à mesa, na casa do fariseu. Ela trouxe um frasco de alabastro com perfume, 38 e, ficando por detrás, chorava aos pés de Jesus; com as lágrimas começou a banhar-lhe os pés, enxugava-os com os cabelos, cobria-os de beijos e os ungia com o perfume.
39 Vendo isso, o fariseu que o havia convidado ficou pensando: “Se este homem fosse um profeta, saberia que tipo de mulher está tocando nele, pois é uma pecadora”.
40 Jesus disse então ao fariseu: “Simão, tenho uma coisa para te dizer”. Simão respondeu: “Fala, mestre!” 41 “Certo credor tinha dois devedores; um lhe devia quinhentas moedas de prata, o outro cinquenta. 42 Como não tivessem com que pagar, o homem perdoou os dois. Qual deles o amará mais?” 43 Simão respondeu: “Acho que é aquele ao qual perdoou mais”. Jesus lhe disse: “Tu julgaste corretamente”.
44 Então Jesus virou-se para a mulher e disse a Simão: “Estás vendo esta mulher? Quando entrei em tua casa, tu não me ofereceste água para lavar os pés; ela, porém, banhou meus pés com lágrimas e enxugou-os com os cabelos. 45 Tu não me deste o beijo de saudação; ela, porém, desde que entrei, não parou de beijar meus pés. 46 Tu não derramaste óleo na minha cabeça; ela, porém, ungiu meus pés com perfume. 47 Por esta razão, eu te declaro: os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados porque ela mostrou muito amor. Aquele a quem se perdoa pouco mostra pouco amor”. 48 E Jesus disse à mulher: “Teus pecados estão perdoados”. 49 Então, os convidados começaram a pensar: “Quem é este que até perdoa pecados?” 50 Mas Jesus disse à mulher: “Tua fé te salvou. Vai em paz!”
Palavra da Salvação.
Glória a vós, Senhor.
PALAVRA DE VIDA
Mostrou muito amor… (Lc 7,36-50)
Este Evangelho traz uma cena incômoda. Sem mais rodeios, São Lucas registra a “saia justa” em que Jesus se surpreende, quando uma mulher de má fama invade o banquete, em casa de um fariseu, e se põe a beijar os pés de Jesus, molha-os com suas lágrimas e enxuga-os com os próprios cabelos.
Em silêncio, o rígido anfitrião julga Jesus: “Não pode ser profeta o homem que se sujeita a essa relação impura”. Jesus, ao contrário, avalia tudo com outro olhar: “Ela muito amou…”
O legalismo dos fariseus manifesta uma fixação na pureza ritual, separando estritamente pessoas e objetos em duas classes: puros e impuros. Naturalmente, eles se julgavam puros. Jesus, ao contrário, toca os leprosos, acolhe os pecadores e revela seu infinito potencial de transformar nossa impureza em sanidade, mudar pecado em perdão. Ele diz explicitamente: “Eu vim para os pecadores!” (Mc 2,17)
Mas não podemos nos centrar no gesto de amor dessa mulher. Sim, ela muito amou, mas existe alguém que amou muito mais que ela: o próprio Deus! E é por meio de nossos pecados que esse amor se revela.
Eis o que diz André Louf: “Para a mulher pecadora, foram necessários o pecado e o perdão. Mas para Deus, igualmente – e São Paulo o diz de maneira explícita – era necessário o pecado do homem, o de Adão e o nosso, para conseguir revelar-nos o amor de Deus. ‘A prova de que Deus nos ama, é que Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores’ (Rm 5,8). Em sua Sabedoria misericordiosa, assim Deus o quis: o amor de Deus não é uma recompensa concedida àquele que é justo e não precisa de perdão. Ele é uma força que perdoa e restaura, que cobre uma multidão de pecados, que transborda e supera o fosso cavado entre Deus e sua criatura”.
Esta verdade paradoxal parece inteiramente fora do alcance do fariseu legalista. Cumpridor rigoroso de todos os preceitos, ele estaria pronto a oferecer um banquete material só para justos, mas Jesus Cristo oferece um banquete espiritual para todo pecador capaz de chorar seus pecados.
E o engano de Simão é denunciado à luz do sol quando o Mestre compara seu comportamento com o gesto da pecadora. Ele negara ao visitante a água para lavar os pés, o ósculo na face e o óleo perfumado; ela oferece lágrimas, beija os pés de Jesus e unge-os com uma essência preciosa (cf. Jo 12,3).
Quem muito ama, muito é perdoado… Quem muito ama, muito perdoa…
Orai sem cessar: “Nossas culpas pesam sobre nós, mas tu as perdoas…” (Sl 65,4)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.