6ª feira da 24ª Semana do Tempo Comum
Antífona de entrada
Dai paz, Senhor, aos que em vós esperam, para confirmar a veracidade dos vossos profetas; escutai as preces do vosso servo e vosso povo Israel. (Cf. Eclo 36, 18)
Coleta
Ó Deus, vós que criais e governais todas as coisas, volvei para nós o vosso olhar e, para sentirmos a ação da vossa misericórdia, dai-nos a graça de vos servir de todo o coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — 1Cor 15, 12-20
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios
Irmãos, 12 se se prega que Cristo ressuscitou dos mortos, como podem alguns dizer entre vós que não há ressurreição dos mortos? 13 Se não há ressurreição dos mortos, então Cristo não ressuscitou. 14 E se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é vã e a vossa fé é vã também. 15 Nesse caso, nós seríamos testemunhas mentirosas de Deus, porque teríamos atestado — contra Deus — que ele ressuscitou Cristo, quando, de fato, ele não o teria ressuscitado — se é verdade que os mortos não ressuscitam.
16 Pois, se os mortos não ressuscitam, então Cristo também não ressuscitou. 17 E se Cristo não ressuscitou, a vossa fé não tem nenhum valor e ainda estais nos vossos pecados. 18 Então, também os que morreram em Cristo pereceram. 19 Se é para esta vida que pusemos a nossa esperança em Cristo, nós somos — de todos os homens — os mais dignos de compaixão. 20 Mas, na realidade, Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram.
Palavra do Senhor.
Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 16(17), 1. 6-7. 8b e 15 (R. 15b)
Ao despertar, me saciará vossa presença, ó Senhor.
Ó Senhor, ouvi a minha justa causa, escutai-me e atendei o meu clamor! Inclinai o vosso ouvido à minha prece, pois não existe falsidade nos meus lábios!
Ao despertar, me saciará vossa presença, ó Senhor.
Eu vos chamo, ó meu Deus, porque me ouvis, inclinai o vosso ouvido e escutai-me! Mostrai-me vosso amor maravilhoso, vós que salvais e libertais do inimigo quem procura a proteção junto de vós.
Ao despertar, me saciará vossa presença, ó Senhor.
Protegei-me qual dos olhos a pupila e guardai-me à proteção de vossas asas. E verei, justificado, a vossa face e ao despertar me saciará vossa presença.
Ao despertar, me saciará vossa presença, ó Senhor.
Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois revelaste os mistérios do teu Reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores! (cf. Mt 11, 25)
Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Lc 8, 1-3
O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas
Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 1 Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa nova do Reino de Deus. Os doze iam com ele; 2 e também algumas mulheres que haviam sido curadas de maus espíritos e doenças: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios; 3 Joana, mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes; Susana, e várias outras mulheres que ajudavam a Jesus e aos discípulos com os bens que possuíam.
Palavra da Salvação.
Glória a vós, Senhor.
PALAVRA DE VIDA
Elas ajudavam com seus bens… (Lc 8,1-3)
Parece um detalhe ocasional, mas nos dá o que pensar. O fato registrado pelo evangelista é que Jesus e seu grupo, itinerantes e sem renda própria, recebiam ajuda material de algumas mulheres. Quem eram elas?
Eram mulheres agradecidas pela cura de enfermidades ou libertas de espíritos malignos, diz o texto. Uma delas, Madalena, seria gratificada com a primeira visão do Ressuscitado. Outra pertencia à corte judaica, casada com o procurador do tetrarca Herodes, sinal de que a Boa Nova já chegara ao meio palaciano. Seja como for, elas “financiavam” o projeto de Jesus.
Qual o significado da atitude dessas mulheres? É uma demonstração clara de “adesão” à mensagem de Jesus Cristo. Em uma sociedade onde as mulheres viviam à sombra, ficavam na cozinha durante os banquetes e não eram contadas nos recenseamentos, elas estão fazendo aquilo que podem para apoiar o Mestre e garantir sua atuação evangelizadora. Talvez vendam suas joias ou raspem a gaveta do marido, mas também elas estão evangelizando.
A história da Igreja registra muitos casos semelhantes. São Vicente de Paulo [1581-1660], o amigo dos pobres, via os ricos como instrumentos de Deus; convivia com a classe da nobreza para obter recursos em favor dos necessitados. Em vez de desperdiçar seu tempo atiçando a luta de classes, ele criou as “Damas da Caridade”, mulheres de posses que visitavam os pobres, prestando-lhes serviço.
Quando uma comunidade católica recolhe dinheiro e paga espórtulas aos sacerdotes e pregadores, ela demostra sua consciência de que também é responsável pela evangelização e pela vida da Igreja. Se o católico fosse menos apegado ao dinheiro, pagaria um dízimo suficiente não só para sustentar seus pastores, mas para eliminar a necessidade de cobrança de taxas para celebrações. Talvez sobrassem até mesmo uns trocados para melhorar a catequese…
Ainda há pessoas que ousam perguntar: – Quanto custa a missa? Qual é o preço do casamento? Como se a graça de Deus pudesse ser objeto de comércio… Esses males seriam sanados se nosso dízimo não fosse tão vergonhoso. Por outro lado, conheço párocos que vivem em extrema pobreza, mal sobrevivendo com o dízimo paroquial. Daí a triste possibilidade de um sacerdote recusar determinada paróquia porque… ali “o dízimo é pequeno”…
O costume do dízimo vem do antigo Israel, quando os membros do povo de Deus sustentavam a classe dos levitas (a única tribo que não tinha terras nem podia plantar e colher…), inteiramente dedicada ao Templo e ao culto litúrgico. Mas, atenção: o dízimo da Antiga Aliança não era um DEVER, mas um DIREITO! Só tinha esse direito o israelita que fizera Aliança com o Senhor Yahweh! Não se aceitaria de modo algum o dízimo de um estrangeiro ou de um escravo, pois o dízimo não era esmola, era o SINAL DA ALIANÇA.
Orai sem cessar: “__Como retribuir ao Senhor todo o bem que ele me fez?” (Sl 116,12)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.