4ª feira da 20ª Semana do Tempo Comum
Memória Facultativa
São João Eudes, Presbítero
Antífona de entrada
Olhai, ó Deus, que sois a nossa proteção, vede a face do eleito, vosso Ungido! Na verdade, um só dia em vosso templo vale mais do que milhares fora dele! (Cf. Sl 83, 10-11)
Coleta
Ó Deus, preparastes para quem vos ama bens que nossos olhos não podem ver; acendei em nossos corações a chama da caridade para que, amando-vos em tudo e acima de tudo, corramos ao encontro das vossas promessas que superam todo desejo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — Ez 34, 1-11
Leitura da Profecia de Ezequiel
1 A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: 2 “Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel! Profetiza, dizendo-lhes: Assim fala o Senhor Deus aos pastores: Ai dos pastores de Israel, que se apascentam a si mesmos! Não são os pastores que devem apascentar as ovelhas? 3 Vós vos alimentais com o seu leite, vestis a sua lã e matais os animais gordos, mas não apascentais as ovelhas. 4 Não fortalecestes a ovelha fraca, não curastes a ovelha doente, nem enfaixastes a ovelha ferida. Não trouxestes de volta a ovelha extraviada, não procurastes a ovelha perdida; ao contrário, dominastes sobre elas com dureza e brutalidade.
5 As ovelhas dispersaram-se por falta de pastor, tornando-se presa de todos os animais selvagens. 6 Minhas ovelhas vaguearam sem rumo por todos os montes e colinas elevadas. Dispersaram-se minhas ovelhas por toda a extensão do país, e ninguém perguntou por elas, nem as procurou. 7 Por isso, ó pastores, escutai a palavra do Senhor: 8 Eu juro por minha vida – oráculo do Senhor Deus – já que minhas ovelhas foram entregues à pilhagem e se tornaram presa de todos os animais selvagens, por falta de pastor; e porque os meus pastores não procuraram as minhas ovelhas, mas apascentaram-se a si mesmos e não as ovelhas, 9 por isso, ó pastores, escutai a palavra do Senhor!
10 Assim diz o Senhor Deus: Aqui estou para enfrentar os pastores e reclamar deles as minhas ovelhas. Vou tirar-lhes o ofício de pastor, e eles não mais poderão apascentar-se a si mesmos. Vou libertar da boca deles as minhas ovelhas, para não mais lhes servirem de alimento. 11 Assim diz o Senhor Deus: Vede! Eu mesmo vou procurar minhas ovelhas e tomar conta delas”.
Palavra do Senhor.
Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 22(23), 1-3a, 3b-4. 5. 6 (R. 1)
O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma.
O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha, e restaura as minhas forças.
O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma.
Ele me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei. Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança!
O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma.
Preparais à minha frente uma mesa, bem à vista do inimigo; com óleo vós ungis minha cabeça, e o meu cálice transborda.
O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma.
Felicidade e todo bem hão de seguir-me, por toda a minha vida; e, na casa do Senhor, habitarei pelos tempos infinitos.
O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma.
A palavra do Senhor é viva e eficaz: ela julga os pensamentos e as intenções do coração. (Hb 4, 12)
Evangelho — Mt 20, 1-16a
O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Mateus
Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: 1 “O Reino dos Céus é como a história do patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. 2 Combinou com os trabalhadores uma moeda de prata por dia, e os mandou para a vinha. 3 Às nove horas da manhã, o patrão saiu de novo, viu outros que estavam na praça, desocupados, 4 e lhes disse: ‘Ide também vós para a minha vinha! E eu vos pagarei o que for justo’.
5 E eles foram. O patrão saiu de novo ao meio-dia e às três horas da tarde, e fez a mesma coisa. 6 Saindo outra vez pelas cinco horas da tarde, encontrou outros que estavam na praça, e lhes disse: ‘Por que estais aí o dia inteiro desocupados?’ 7 Eles responderam: ‘Porque ninguém nos contratou’. O patrão lhes disse: ‘Ide vós também para a minha vinha’. 8 Quando chegou a tarde, o patrão disse ao administrador: ‘Chama os trabalhadores e paga-lhes uma diária a todos, começando pelos últimos até os primeiros!’
9 Vieram os que tinham sido contratados às cinco da tarde e cada um recebeu uma moeda de prata. 10 Em seguida vieram os que foram contratados primeiro, e pensavam que iam receber mais. Porém, cada um deles também recebeu uma moeda de prata. 11 Ao receberem o pagamento, começaram a resmungar contra o patrão: 12 ‘Estes últimos trabalharam uma hora só, e tu os igualaste a nós, que suportamos o cansaço e o calor o dia inteiro’.
13 Então o patrão disse a um deles: ‘Amigo, eu não fui injusto contigo. Não combinamos uma moeda de prata? 14 Toma o que é teu e volta para casa! Eu quero dar a este que foi contratado por último o mesmo que dei a ti. 15 Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence? Ou estás com inveja, porque estou sendo bom?’ 16a Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos”.
Palavra da Salvação.
Glória a vós, Senhor.
PALAVRA DE VIDA
Os últimos serão os primeiros… (Mt 20,1-16a)
Esta é uma daquelas parábolas que incomodam o cristão burguês, ocidental, sem excluir os moralistas e aqueles que procuram traduzir o Reino de Deus a partir de categorias humanas, como a isonomia salarial e a justiça meramente distributiva, enquadrando os Dez Mandamentos na moldura dos balanços contábeis.
Jesus de Nazaré tem o hábito de contar histórias que não se adaptam muito bem aos conceitos populares de mérito, merecimento, honestidade, dando-nos a falsa impressão de que ele aprova trapaças (cf. Lc 16) e favorece os preguiçosos (cf. Mt 20). E para agravar nosso espanto, Jesus faz de um ladrão o primeiro a entrar no Paraíso (cf. Lc 23,43).
A moral evangélica vira de cabeça para baixo os valores humanos, lembra Hébert Roux. Para este exegeta, seria inútil procurar nesta parábola algum ensinamento aplicável à economia social deste mundo em que vivemos. O dono da vinha se comporta de uma forma humanamente injusta, se a justiça consiste em ajustar os salários na proporção do trabalho realizado.
Daí a nossa estranheza diante da decisão do patrão – claramente manifesta – de pagar o mesmo salário a quem trabalhou menos, distribuindo com largueza “aquilo que lhe pertence”, isto é, a sua Graça salvadora. Se fôssemos cristãos, ficaríamos felizes por ver que não estaremos sozinhos no céu, mas também os que trabalharam menos serão alvo da mesma misericórdia que nós.
Ora, em sua divina soberania, Deus permanece absolutamente livre para acolher em seio aqueles que ele bem quiser. Afinal, só o Senhor conhece a realidade íntima de cada um; só ele conhece nossas feridas e pode avaliar o peso de nossas virtudes e de nossos pecados.
Mais uma vez, nota-se como pano de fundo a ilusão de que nós “mereceremos” o céu em consequência de nossas orações e jejuns, missões e trabalhos pastorais, ignorando que só por misericórdia sairemos ilesos da peneira do Juízo.
A verdade é que a separação que fazemos entre primeiros e últimos mais se assemelha à avaliação dos times de futebol e dos cantores da moda, aplaudindo o sucesso de uns e relegando os outros a uma condição marginal. Não é assim no Reino de Deus. Deus prefere os últimos…
Orai sem cessar: “São grandes, Senhor, as tuas misericórdias!” (Sl 119,156)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Com. Católica Nova Aliança.