Quarta feira – Santa Inês, virgem e mártir
(vermelho, pref. comum ou dos santos – ofício da memória)
Antífona
– A Virgem forte, oferta de pureza, oblação de castidade, agora segue o Cordeiro por nós crucificado.
Coleta
– Deus eterno e onipotente, que escolheis o que é fraco no mundo para confundir o que é forte, concedei benigno a nós, que celebramos o martírio de Santa Inês, a graça de imitar sua constância na fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: 1 Sm 17,32-33.37.40-51
– Leitura do primeiro livro de Samuel: Naqueles dias, 32Davi foi conduzido a Saul e lhe disse: “Ninguém desanime por causa desse filisteu! Eu, teu servo, lutarei contra ele”. 33Mas Saul ponderou: “Não poderás enfrentar esse filisteu, pois tu és só ainda um jovem, e ele é um homem de guerra desde a sua mocidade”. 37Davi respondeu: “O Senhor me livrou das garras do leão e das garras do urso. Ele me salvará também das mãos deste filisteu”. Então Saul disse a Davi: “Vai, e que o Senhor esteja contigo”. 40Em seguida, tomou o seu cajado, escolheu no regato cinco pedras bem lisas e colocou-as no seu alforje de pastor, que lhe servia de bolsa para guardar pedras. Depois, com a sua funda na mão, avançou contra o filisteu. 41Este, que se vinha aproximando mais e mais, precedido do seu escudeiro, 42quando pôde ver bem Davi desprezou-o, porque era muito jovem, ruivo e de bela aparência. 43E lhe disse: “Sou por acaso um cão, para vires a mim com um cajado?” E o filisteu amaldiçoou Davi em nome de seus deuses. 44E acrescentou: “Vem, e eu darei a tua carne às aves do céu e aos animais da terra!” 45Davi respondeu: “Tu vens a mim com espada, lança e escudo; eu, porém, vou a ti em nome do Senhor todo-poderoso, o Deus dos exércitos de Israel que tu insultaste! 46Hoje mesmo, o Senhor te entregará em minhas mãos, e te abaterei e te cortarei a cabeça, e darei o teu cadáver e os cadáveres do exército dos filisteus às aves do céu e aos animais da terra, para que toda a terra saiba que há um Deus em Israel. 47E toda esta multidão de homens conhecerá que não é pela espada nem pela lança que o Senhor concede a vitória; porque o Senhor é o árbitro da guerra, e ele vos entregará em nossas mãos”. 48Logo que o filisteu avançou e marchou em direção a Davi, este saiu das linhas de formação e correu ao encontro do filisteu. 49Davi meteu, então, a mão no alforje, apanhou uma pedra e arremessou-a com a funda, atingindo o filisteu na fronte com tanta força, que a pedra se encravou na sua testa e o gigante tombou com o rosto em terra. 50E assim Davi venceu o filisteu, ferindo-o de morte com uma funda e uma pedra. 51E, como não tinha espada na mão, correu para o filisteu, chegou junto dele, arrancou-lhe a espada da bainha e acabou de matá-lo, cortando-lhe a cabeça. Vendo morto o seu guerreiro mais valente, os filisteus fugiram.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.
Salmo Responsorial: Sl 144,1.2.9-10 (R: 1a)
– Bendito seja o Senhor, meu rochedo!
R: Bendito seja o Senhor, meu rochedo!
– Bendito seja o Senhor, meu rochedo, que adestrou minhas mãos para a luta, e os meus dedos treinou para a guerra!
R: Bendito seja o Senhor, meu rochedo!
– Ele é meu amor, meu refúgio, libertador, fortaleza e abrigo; É meu escudo: é nele que espero, ele submete as nações a meus pés.
R: Bendito seja o Senhor, meu rochedo!
– Um canto novo, meu Deus, vou cantar-vos, nas dez cordas da harpa louvar-vos, a vós que dais a vitória aos reis e salvais vosso servo Davi.
R: Bendito seja o Senhor, meu rochedo!
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Jesus pregava a Boa nova, o Reino anunciando, e curava toda espécie de doenças entre o povo (MT 4,23).
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 3,1-6
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.
– Glória a vós, Senhor!
– Naquele tempo, 1Jesus entrou de novo na sinagoga. Havia ali um homem com a mão seca. 2Alguns o observavam para ver se haveria de curar em dia de sábado, para poderem acusá-lo. 3Jesus disse ao homem da mão seca: “Levanta-te e fica aqui no meio!” 4E perguntou-lhes: “É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?” Mas eles nada disseram. 5Jesus, então, olhou ao seu redor, cheio de ira e tristeza, porque eram duros de coração; e disse ao homem: “Estende a mão”. Ele a estendeu e a mão ficou curada. 6Ao saírem, os fariseus com os partidários de Herodes, imediatamente tramaram, contra Jesus, a maneira como haveriam de matá-lo.
– Palavra da salvação.
– Glória a vós, Senhor!
Liturgia comentada
É permitido fazer o bem? (Mc 3,1-6)
As leis de trânsito proíbem avançar um sinal vermelho. Por acaso, este automóvel acaba de cruzá-lo. No banco de trás, uma criança gravemente ferida está sendo levada para o hospital. Depois de saber disto, você condenaria o motorista?
Apenas um exemplo, talvez um tanto tosco, para mostrar que as leis criadas pela sociedade (e mesmo pelas religiões!), muito necessárias para a ordem e a organização, não podem ser encaradas de modo absoluto. Os juízes costumam falar em “atenuantes”. No caso, porém, do homem curado na sinagoga, lembrado neste Evangelho, não é se trata de simples atenuante: nós estamos diante de um princípio maior: a vida do homem, o bem do homem, a salvação do homem.
A pergunta de Jesus deveria receber prontamente uma resposta positiva: sim, é permitido fazer o bem, mesmo em dia de sábado; mesmo quando o “trabalho” de curar parece infringir um antigo preceito, criado por Deus para que ao menos um dia por semana o homem não vivesse como escravo de sua profissão… ou de sua escravidão…
O próprio Jesus nos ensinou que Lei se resume em dois artigos: amar a Deus… amar o próximo… Usar qualquer alínea da lei como justificativa para deixar de amar torna-se um erro repelente. Deus quer conservar a vida, vida que tem n’Ele mesmo a sua fonte. Jesus, o Filho de Deus, não repetiria as palavras do chefe da sinagoga ao ver Jesus curar a mão direita do aleijado: “hoje é sábado; não é dia de cura; aguente firme com sua enfermidade até que o sábado acabe” (cf. Lc 13,14).
De fato, a vinda do Messias iria relativizar necessariamente preceitos anteriores ao tempo de plenitude (cf. Jo 1,16; Gl 4,4), quando as torrentes caudalosas da misericórdia divina arrombaram os estreitos tubulões dos decretos e das leis. Ainda hoje, aqueles que fazem da honestidade o ponto mais alto do podium espiritual, encontram sérias dificuldades diante de realidades novas como o perdão, o arrependimento, a vida nova.
Em meus saudosos tempos de Pastoral Carcerária, recebi críticas até de familiares pelo fato de estarmos levando o Evangelho a “bandidos” (como diziam eles), ignorando que eram “batizados” como nós. Uma pessoa muito próxima veio cobrar de mim: “Mas eles são criminosos! Roubaram…. Mataram…” Era como se os presos tivessem na testa um rótulo que nada podia apagar. Tentava-se cristalizar no crime o criminoso.
Claro: ela ignorava a misericórdia de Deus… Existe um abismo entre nossos pecados – maiores ou menores – e a infinita misericórdia do Deus Amor…
Orai sem cessar: “Senhor, tu me tomaste a mão direita!” (Sl 73,23)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.