Sábado – São João – Apóstolo e evangelista
(branco, glória, pref. do Natal – ofício da festa)
Antífona
– No meio da Igreja o Senhor abriu os seus lábios, encheu-o com o espírito de sabedoria e inteligência e o revestiu com um manto de glória (Eclo 15,5)
Coleta
– Ó Deus, que nos revelastes pelo apóstolo São João os mistérios do vosso Verbo, concedei-nos a graça de compreender e amar as maravilhas que, por sua pregação, nos fez conhecer. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos
1ª Leitura: 1 Jo 1,1-4
– Início da primeira carta de São João: 1Caríssimos, o que era desde o princípio, o que nós ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos tocaram da Palavra da Vida – 2de fato, a Vida manifestou-se e nós a vimos, e somos testemunhas, e a vós anunciamos a Vida eterna, que estava junto do Pai e que se tornou visível para nós –; 3isso que vimos e ouvimos, nós vos anunciamos, para que estejais em comunhão conosco. E a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo. 4Nós vos escrevemos estas coisas para que a nossa alegria fique completa.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.
Salmo Responsorial: Sl 97,1-2.5-6.11-12 (R: 12a)
– Ó justos, alegrai-vos no Senhor!
R: Ó justos, alegrai-vos no Senhor!
– Deus é Rei! Exulte a terra de alegria, e as ilhas numerosas rejubilem! Treva e nuvem o rodeiam no seu trono, que se apoia na justiça e no direito.
R: Ó justos, alegrai-vos no Senhor!
– As montanhas se derretem como cera ante a face do Senhor de toda a terra; e assim proclama o céu sua justiça, todos os povos podem ver a sua glória.
R: Ó justos, alegrai-vos no Senhor!
– Uma luz já se levanta para os justos, e a alegria, para os retos corações. Homens justos alegrai-vos no Senhor, celebrai e bendizei seu Santo nome!
R: Ó justos, alegrai-vos no Senhor!
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– A vós, ó Deus, louvamos, a vós, Senhor, cantamos, vos louva o exército dos vossos santos mártires!
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo João: Jo 20,2-8
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo João.
– Glória a vós, Senhor!
– No primeiro dia da semana, 2Maria Madalena saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”. 3Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. 4Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. 5Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou.
6Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão 7e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte. 8Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu e acreditou.
– Palavra da salvação.
– Glória a vós, Senhor!
Liturgia comentada
A pedra tinha sido retirada… (Jo 20,2-8)
Com a morte de Jesus no Calvário, uma noite escura descera sobre todos. Não era aquele o desfecho – apesar do tríplice aviso de Jesus! – que os seus discípulos viviam esperando. Sepultado o Mestre, rolada a pedra na caverna, Jesus parecia definitivamente fora de seu alcance…
Mas no domingo de manhã – “quando ainda estava escuro” – Maria Madalena se antecipa a todos e vê que a pedra tinha sido retirada. O túmulo estava aberto. Mas o Evangelista não chega a dizer se ela olhou no interior da caverna. Diz apenas que ela saiu correndo e foi a Simão Pedro.
Assim avisados, Pedro e João iniciam uma corrida até o jardim onde o corpo de Jesus fora depositado. Uma prova de atletismo em plena madrugada. E enquanto correm, pensamentos e emoções nublam ainda mais as suas almas, já ensombrecidas pelo drama do Calvário. Eles mesmos não conseguem imaginar aquilo que espera por eles. Não fazem ideia do que poderão ver…
Quando Pedro e João chegam ao sepulcro, de fato a pedra fora rolada pelo anjo (cf. Mt 28,2) e era possível acessar o interior da gruta. Como observa o monge ortodoxo André Scrima, tinha sido removido o último obstáculo para a “visão”. O Mestre não está ali, conforme se lê na inscrição atual da Basílica do Santo Sepulcro: “Non est hic”.
As bandagens que tinham envolvido o corpo de Jesus permanecem ali, no solo. São tiras de linho, que haviam sido embebidas em 30 kg de mirra líquida e aloés em pó (cf. Mt 19,39), piedosa oferenda de Nicodemos. Já no terceiro dia após o sepultamento, evidentemente o envoltório consolidado mostra-se como um casulo. Mas não há nada em seu interior. Sem desmanchar as bandagens que o envolviam, como a borboleta abandona seu casulo, o Senhor venceu a morte e ressuscitou.
Em seu Evangelho, São João registra em duas palavras o impacto que o invadiu de imediato: “viu e creu”! As bandagens e o sudário falavam por si. Se o corpo embalsamado tivesse sido roubado, como espalharam os adversários de Cristo (cf. Mt 28,13), não seria possível manter intactas as faixas de linho do embalsamamento. É este “casulo” que aparece nos ícones orientais da ressurreição, testemunhando aquilo que a mente humana não chega nunca a compreender.
Ainda hoje, porém, permanece para muitos a pedra da incredulidade, impedindo que os olhos da alma cheguem à visão do Ressuscitado. Aferrados à razão cega, não farão a experiência de João: ver e crer…
Orai sem cessar: “Vistes aquele a quem ama a minha alma?” (Ct 3,3)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.