Terça-feira – Santos Simão e Judas Apóstolos
(vermelho, glória, pref. dos apóstolos – ofício da festa)
Antífona
– Estes são os homens santos que o Senhor escolheu com verdadeiro amor; deu-lhes a glória eterna.
Coleta
– Ó Deus, pelos santos apóstolos, nos fizestes chegar ao conhecimento do vosso nome; concedei benigno, pela intercessão de São Simão e São Judas, que a vossa Igreja não cesse de crescer, com o aumento dos povos que creem em vós. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: Ef 2,19-22
– Leitura da carta de São Paulo aos Efésios: Irmãos, 19já não sois mais estrangeiros nem migrantes, mas concidadãos dos santos. Sois da família de Deus. 20Vós fostes integrados no edifício que tem como fundamento os apóstolos e os profetas, e o próprio Jesus Cristo como pedra principal. 21É nele que toda a construção se ajusta e se eleva para formar um templo santo no Senhor. 22E vós também sois integrados nesta construção, para vos tornardes morada de Deus pelo Espírito.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.
Salmo Responsorial: Sl 19A,2-3.4-5 (R: 5a)
– Seu som ressoa e se espalha em toda a terra.
R: Seu som ressoa e se espalha em toda a terra.
– Os céus proclamam a glória do Senhor, e o firmamento, a obra de suas mãos; o dia ao dia transmite esta mensagem, a noite à noite publica esta notícia.
R: Seu som ressoa e se espalha em toda a terra.
– Não são discursos nem frases ou palavras, nem são vozes que possam ser ouvidas; seu som ressoa e se espalha em toda a terra, chega aos confins do universo a sua voz.
R: Seu som ressoa e se espalha em toda a terra.
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– A vós, ó Deus, louvamos, a vós, Senhor, cantamos; vos louva, ó Senhor, o coro dos apóstolos! (Jo 17,17).
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 6,12-19
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas
– Glória a vós, Senhor!
– 12Naqueles dias, Jesus foi à montanha para rezar. E passou a noite toda em oração a Deus. 13Ao amanhecer, chamou seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu o nome de apóstolos: 14Simão, a quem impôs o nome de Pedro, e seu irmão André; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu; 15Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelota; 16Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, aquele que se tornou traidor. 17Jesus desceu da montanha com eles e parou num lugar plano. Ali estavam muitos dos seus discípulos e grande multidão de gente de toda a Judeia e de Jerusalém, do litoral de Tiro e Sidônia. 18Vieram para ouvir Jesus e serem curados de suas doenças. E aqueles que estavam atormentados por espíritos maus também foram curados. 19A multidão toda procurava tocar em Jesus, porque uma força saía dele, e curava a todos.
– Palavra da salvação.
– Glória a vós, Senhor!
Liturgia comentada
Uma força que curava a todos… (Lc 6,12-19)
Certamente, a missão primordial de Jesus consistiu em dar sua vida voluntariamente pela humanidade, reatando amorosamente nossa ligação com o Pai. Para atrair o povo a Deus, Jesus também ensinava e nos transmitia um conjunto de verdades em cujo coração está a revelação da paternidade divina: Deus é Pai. Yahweh é Abbá.
Dentro desse contexto, como entender a figura do Jesus Médico? Segundo as palavras dele mesmo, os gestos de cura e de libertação são “sinais” de que o Reino de Deus já estava entre nós. Daí o teor de sua resposta a João, através dos discípulos do Batizador: “Ide contar a João o que vistes e ouvistes: cegos recuperam a vista, paralíticos andam, leprosos são purificados e surdos ouvem, mortos ressuscitam e aos pobres se anuncia a Boa Nova”. (Lc 7,22) A Boa Notícia oferecida por Jesus ia muito além da simples salvação das almas…
Ao longo da História, em diferentes religiões e grupos humanos, sempre existiram pessoas com excepcionais dons de cura, utilizando ou não elementos da matéria, como vegetais e minerais, e adotando variadas técnicas. Em Jesus, porém, atuava uma força ou poder [dýnamis, no texto grego de São Lucas 6,19] que superava toda experiência anterior e ia muito além de uma faculdade meramente humana.
Caso exemplar foi o daquela mulher que há 12 anos sofria de uma hemorragia e, tocando, pelas costas, a túnica de Jesus, foi prontamente curada. E Jesus declara: “Alguém me tocou. Eu senti uma força [égnon dýnamin] saindo de mim” (cf. Lc 8,46). Logo, trata-se de uma cura “involuntária” realizada no simples contato com o Filho de Deus.
Em certas passagens do Evangelho, registra-se uma espécie de “estremecimento” [cf. gr. embrimómenos], certo “frisson” no corpo de Jesus, no momento de uma cura. Do mesmo modo, ao contemplar a multidão sem pastores, Jesus experimenta uma reação física de compaixão [cf. Mt 6,36: esplagnísthe]. Não será exagero entender que é exatamente o amor – um amor entranhado, visceral! – que leva Jesus a curar e regenerar o físico e o espiritual nas pessoas que atravessavam seu caminho.
A leitura atenta dos Evangelhos mostra que poder similar foi confiado por Jesus a sua Igreja. Nos Atos dos Apóstolos este dom é inegável. Não devemos deixá-lo na sombra…
Orai sem cessar: “Não temerei mal algum, pois estás comigo!” (Sl 23,4)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.