4ª feira da 4ª Semana da Páscoa
Santa Catarina de Sena, Virgem e Doutora da Igreja, Memória
Antífona de entrada
Esta é uma das virgem sábias e prudentes, que foi ao encontro de Cristo com sua lâmpada acesa, aleluia.
Coleta
Ó Deus, inflamastes de amor divino Santa Catarina de Senana contemplação da paixão do Senhor e no serviço da vossa Igreja; concedei, por sua intercessão, que o vosso povo participe do mistério de Cristo e exulte sempre na revelação de sua glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — At 12, 24-13, 5a
Leitura dos Atos dos Apóstolos
Naqueles dias, 24 a palavra do Senhor crescia e se espalhava cada vez mais. 25 Barnabé e Saulo, tendo concluído seu ministério, voltaram de Jerusalém, trazendo consigo João, chamado Marcos.
13, 1 Na Igreja de Antioquia, havia profetas e doutores. Eram eles: Barnabé, Simeão, chamado o Negro, Lúcio de Cirene, Manaém, que fora criado junto com Herodes, e Saulo.
2 Um dia, enquanto celebravam a liturgia, em honra do Senhor, e jejuavam, o Espírito Santo disse: “Separai para mim Barnabé e Saulo, a fim de fazerem o trabalho para o qual eu os chamei”. 3 Então eles jejuaram e rezaram, impuseram as mãos sobre Barnabé e Saulo, e deixaram-nos partir.
4 Enviados pelo Espírito Santo, Barnabé e Saulo desceram a Selêucia e daí navegaram para Chipre. 5a Quando chegaram a Salamina, começaram a anunciar a Palavra de Deus nas sinagogas dos judeus. Eles tinham João como ajudante.
Palavra do Senhor.
Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 66(67), 2-3. 5. 6 e 8 (R. 4)
Que as nações vos glorifiquem ó Senhor, que todas as nações vos glorifiquem.
Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção, e sua face resplandeça sobre nós! Que na terra se conheça o seu caminho e a sua salvação por entre os povos.
Que as nações vos glorifiquem ó Senhor, que todas as nações vos glorifiquem.
Exulte de alegria a terra inteira, pois julgais o universo com justiça; os povos governais com retidão, e guiais, em toda a terra, as nações.
Que as nações vos glorifiquem ó Senhor, que todas as nações vos glorifiquem.
Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor, que todas as nações vos glorifiquem! Que o Senhor e nosso Deus nos abençoe, e o respeitem os confins de toda a terra!
Que as nações vos glorifiquem ó Senhor, que todas as nações vos glorifiquem.
Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não caminha entre as trevas, mas terá a luz da vida. (Jo 8, 12)
Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Jo 12, 44-50
O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João
Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 44 Jesus exclamou em alta voz: “Quem crê em mim não é em mim que crê, mas naquele que me enviou. 45 Quem me vê, vê aquele que me enviou. 46 Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas.47 Se alguém ouvir as minhas palavras e não as observar, eu não o julgo, porque eu não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo. 48 Quem me rejeita e não aceita as minhas palavras já tem o seu juiz: a palavra que eu falei o julgará no último dia. 49 Porque eu não falei por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, ele é quem me ordenou o que eu devia dizer e falar. 50 Eu sei que o seu mandamento é vida eterna. Portanto, o que eu digo, eu o digo conforme o Pai me falou”.
Palavra da Salvação.
Glória a vós, Senhor.
PALAVRA DE VIDA
Vê Aquele que me enviou… (Jo 12,44-50)
Sim, Jesus é de fato o espelho do Pai. Olhando para o Filho, é ao Pai que veremos. Se contemplamos o conhecido Ícone da Trindade, de Andrei Roublev, vemos que a figura do Filho, cabeça voltada para o Pai-Fonte, manifesta toda essa identificação. Em torno de um altar eucarístico, cuja frente se abre ao espectador, a Trindade convida ao banquete. E o olhar amoroso dos Três deixa perceber a profunda unidade entre as Pessoas divinas. A mesma Face, o mesmo Amor.
Mas não podemos deter-nos na pura estética dos ícones. Todo o Evangelho mostra em definitivo essa interação vital entre o Filho e o Pai. Ainda adolescente, Jesus já adverte Maria e José sobre sua imperiosa “necessidade” de comunhão: “Não sabíeis que devo ser para [as coisas de] meu Pai?” (Lc 2,49.) E pela vida afora, ele continuaria a insistir neste ponto: “Meu Pai trabalha continuamente, e eu também trabalho.” (Jo 5,17.) “Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou.” (Jo 5,23.) “Eu e o Pai somos um.” (Jo 10,30.) “Quem me vê, vê o Pai.” (Jo 14,9.)
De fato, ler o Evangelho e ficar preso apenas à figura de Jesus de Nazaré, sem perceber em sua pessoa a manifestação do amor do Pai, seria posicionar o Mestre entre outros sábios e profetas da História, outros taumaturgos ou líderes sociais. Ora, no coração de Jesus, está o coração de um Filho: exatamente o Filho que veio do Pai para reatar nossa filiação rompida pelo pecado.
Além de anunciar a Boa Nova e dar sua vida por nós, em sacrifício de redenção, Jesus Cristo cumpriu a missão inovadora de nos revelar o Pai. Como num jogo de espelhos, a imagem de Jesus que cura o enfermo e ressuscita o morto, remete ao Pai, que é fonte da vida. A figura de Jesus que ensina o Caminho aos homens remete ao Pai, que é a fonte da sabedoria eterna. Os gestos e palavras de Jesus, quando perdoa os pecadores, nos recordam que as entranhas do Pai têm infinita misericórdia, e Ele está pronto a se compadecer da mais repulsiva de nossas misérias…
Após a Encarnação do Verbo, o Cosmo nunca mais será o mesmo de antes. Mais que uma “trans-elementação”, toda a Criação foi injetada do divino. Depois que o Filho de Deus passou pela terra, podemos repetir sem hesitação: “O Pai nos visitou! Deus não abandonou o seu povo!”
E então? Depois de tudo isto, ainda poderíamos permanecer indiferentes? Fechados a tanto amor?
Orai sem cessar: “Meu Pai! Meu Deus! O rochedo que me salva!” (Sl 89,27)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.