Santos Miguel, Gabriel e Rafael, Arcanjos, Festa
Antífona de entrada
Bendizei ao Senhor, todos os seus Anjos, poderosos executores de suas ordens, sempre prontos para ouvir a sua voz. (Cf. SI 102, 20)
Glória
Glória a Deus nas alturas,
e paz na terra aos homens por Ele amados.
Senhor Deus, rei dos céus,
Deus Pai todo-poderoso.
Nós vos louvamos,
nós vos bendizemos,
nós vos adoramos,
nós vos glorificamos,
nós vos damos graças
por vossa imensa glória.
Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito,
Senhor Deus, Cordeiro de Deus,
Filho de Deus Pai.
Vós que tirais o pecado do mundo,
tende piedade de nós.
Vós que tirais o pecado do mundo,
acolhei a nossa súplica.
Vós que estais à direita do Pai,
tende piedade de nós.
Só Vós sois o Santo,
só vós, o Senhor,
só vós, o Altíssimo,
Jesus Cristo,
com o Espírito Santo,
na glória de Deus Pai.
Amém.
Coleta
Ó Deus, que organizais de modo admirável o ministério dos anjos e dos homens, concedei-nos, benigno, que sejamos protegidos na terra por aqueles que, no céu, estão sempre junto de vós para vos servir. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — Dn 7, 9-10. 13-14
Leitura da Profecia de Daniel
9 Eu continuava olhando até que foram colocados uns tronos, e um Ancião de muitos dias aí tomou lugar. Sua veste era branca como neve e os cabelos da cabeça, como lã pura; seu trono eram chamas de fogo, e as rodas do trono, como fogo em brasa. 10 Derramava-se aí um rio de fogo que nascia diante dele; serviam-no milhares de milhares, e milhões de milhões assistiam-no ao trono; foi instalado o tribunal e os livros foram abertos. 13 Continuei insistindo na visão noturna, e eis que, entre as nuvens do céu, vinha um como filho de homem, aproximando-se do Ancião de muitos dias, e foi conduzido à sua presença. 14 Foram-lhe dados poder, glória e realeza, e todos os povos, nações e línguas o serviam: seu poder é um poder eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não se dissolverá.
Palavra do Senhor.
Graças a Deus.
Ou:
Primeira Leitura — Ap 12, 7-12a
Leitura do Apocalipse de São João
7 Houve uma batalha no céu: Miguel e seus anjos guerrearam contra o Dragão. O Dragão lutou juntamente com os seus anjos, 8 mas foi derrotado, e não se encontrou mais o seu lugar no céu. 9 E foi expulso o grande Dragão, a antiga Serpente, que é chamado Diabo e Satanás, o sedutor do mundo inteiro. Ele foi expulso para a terra, e os seus anjos foram expulsos com ele. 10 Ouvi então uma voz forte no céu, proclamando: “Agora realizou-se a salvação, a força e a realeza do nosso Deus, e o poder do seu Cristo. Porque foi expulso o acusador dos nossos irmãos, aquele que os acusava dia e noite diante do nosso Deus. 11 Eles venceram o Dragão pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu próprio testemunho, pois não se apegaram à vida, mesmo diante da morte. 12a Por isso, alegra-te, ó céu, e todos os que viveis nele”.
Palavra do Senhor.
Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 137(138), 1-2a. 2bc-3. 4-5 (R. 1c)
Perante os vossos anjos vou cantar-vos, ó Senhor!
Ó Senhor, de coração eu vos dou graças, porque ouvistes as palavras dos meus lábios! Perante os vossos anjos vou cantar-vos e ante o vosso templo vou prostrar-me.
Perante os vossos anjos vou cantar-vos, ó Senhor!
Eu agradeço vosso amor, vossa verdade, porque fizestes muito mais que prometestes; naquele dia em que gritei, vós me escutastes e aumentastes o vigor da minha alma.
Perante os vossos anjos vou cantar-vos, ó Senhor!
Os reis de toda a terra hão de louvar-vos, quando ouvirem, ó Senhor, vossa promessa. Hão de cantar vossos caminhos e dirão: “como a glória do Senhor é grandiosa!”
Perante os vossos anjos vou cantar-vos, ó Senhor!
Bendizei ao Senhor Deus, os seus poderes, seus ministros que fazeis sua vontade! (Sl 102, 21)
Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Jo 1, 47-51
O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João
Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 47 Jesus viu Natanael que vinha para ele e comentou: “Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade”. 48 Natanael perguntou: “De onde me conheces?” Jesus respondeu: “Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi”. 49 Natanael respondeu: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel”. 50 Jesus disse: “Tu crês porque te disse: “Eu te vi debaixo da figueira? Coisas maiores que esta verás!” 51 E Jesus continuou: “Em verdade, em verdade, eu vos digo: Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”.
Palavra da Salvação.
Glória a vós, Senhor.
PALAVRA DE VIDA
De Nazaré pode sair algo de bom? (Jo 1,46-51)
Um messias de Nazaré?! Todos sabiam que o Messias viria de Belém, terra do rei Davi. O profeta cantara: “E tu, Belém, de modo algum és a menor… de ti sairá um príncipe. Que será o pastor do meu povo” (Mq 5,1). Não admira, pois, o ar de desprezo de Natanael…
Nosso ex-professor, Pe. Dante Angelelli, SCJ, fez parte de seus estudos em Nazaré, nos anos 30. Em seu livro de memórias, ele escreve: “A localização estratégica de Nazaré, dominando a planície de Esdrelon na rota da Síria, valeu-lhe a alcunha de ‘sentinela da Galileia’. A sua atuação na história, contudo, não faz jus a essa promoção honrosa. À vocação de heróis, periodicamente sacrificados, os nazarenos preferem a sujeição vitalícia aos invasores, mesmo que os demais israelitas os estigmatizassem de poltrões”.
O narrador, certamente, está lembrando que a terra da Galileia, com suas planícies muito acessíveis – diferentemente dos alcantis rochosos de Judá –, sempre foi o caminho mais fácil para os exércitos invasores, ali deixando a cultura pagã e um bom número de bastardos. Mas também é preciso lembrar que Nazaré era a aldeia próxima de Caná, terra de Natanael (possivelmente o noivo de Jo 2…), e todos conhecem as rixas e despeitos entre os vilarejos vizinhos. Daí, o beiço virado…
Temos ao menos dois pontos a refletir. Primeiro, a simplicidade de Deus. Seu Filho poderia crescer em Atenas, cercado de filósofos peripatéticos, falando um grego refinado. Poderia ter sido educado em Roma, capital do Império, aprendendo o alto latim dos discursos de Cícero ou os versos cantantes de Virgílio. Mas Deus situou seu Filho encarnado em uma aldeia do “Galil dos gentios”, aprendendo de José e de Maria o aramaico quase desconhecido. Neste idioma é que o Menino chamaria por seu Pai: “Abbá!”
Outro ponto é nossa facilidade em desprezar os mais simples, rir de seu sotaque, zombar de suas roupas. Em uma palavra: o preconceito. É necessário um elevado grau de autoconhecimento para perceber até que ponto nossas atitudes são condicionadas pelas imagens estereotipadas que nos foram gravadas. Em geral, não as percebemos, e nos parecem “naturais”.
Quanto mais nós fomos privilegiados, tanto mais podemos ser preconceituosos. Diplomas, conta bancária, nome de família, posição de destaque, cargos de mando – tudo isso vai colocando em nossos olhos “lentes” que deformam o real. E – consequência direta – elas erguem barreiras para uma convivência fraterna, mesmo no interior da comunidade cristã.
- “De Nazaré pode sair algo de bom?” Pode, sim. Claro que pode! Aliás, é das famílias mais pobres que sai a maioria das vocações consagradas, padres e freiras.
- “Então, os ricos são maus?”
- “Ih! Lá vem você com os seus preconceitos…”
Orai sem cessar: “__Se alguém é simples, venha aqui!” (Pr 9,4)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Nova Aliança.