Terça feira – São Jerônimo presbítero e doutor
(branco, pref. comum ou dos pastores – ofício da memória)
Antífona
– Feliz o homem que medita a lei do Senhor dia e noite sem cessar: dará seu fruto no devido tempo (Sl 1,2s).
Coleta
– Ó Deus, que destes ao presbítero São Jerônimo um profundo amor pela Sagrada Escritura, concedei que vosso povo seja alimentado cada vez mais com a vossa palavra e nela encontre a fonte da vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: Zc 8,20-23
– Leitura da profecia de Zacarias: 20Isto diz o Senhor dos exércitos: Virão ainda povos e habitantes de cidades grandes,21dizendo os habitantes de uma para os de outra cidade: ‘Vamos orar na presença do Senhor, vamos visitar o Senhor dos exércitos; eu irei também’. 22Virão muitos povos e nações fortes visitar o Senhor dos exércitos e orar na presença do Senhor. 23Isto diz o Senhor dos exércitos: Naqueles dias, dez homens de todas as línguas faladas entre as nações vão segurar pelas bordas da roupa um homem de Judá, dizendo: ‘Nós iremos convosco; porque ouvimos dizer que Deus está convosco’.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.
Salmo Responsorial: Sl 87,1-3.4-5.6-7 (R: Zc 8,23)
– Nós temos ouvido que Deus está convosco.
R: Nós temos ouvido que Deus está convosco.
– O Senhor ama a cidade que fundou no Monte santo; ama as portas de Sião mais que as casas de Jacó. Dizem coisas gloriosas da Cidade do Senhor.
R: Nós temos ouvido que Deus está convosco.
– “Lembro o Egito e Babilônia entre os meus veneradores. Na Filisteia ou em Tiro ou no país da Etiópia, este ou aquele ali nasceu”. De Sião, porém, se diz: “Nasceu nela todo homem; Deus é sua segurança”.
R: Nós temos ouvido que Deus está convosco.
– Deus anota no seu livro, onde inscreve os povos todos: “Foi ali que estes nasceram”. E por isso todos juntos a cantar se alegrarão; e, dançando, exclamarão: “Estão em ti as nossas fontes!”
R: Nós temos ouvido que Deus está convosco.
Aclamação ao santo Evangelho.
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Veio o Filho do Homem, a fim de servir e dar sua vida em resgate por muitos (Mc 10,45).
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 9,51-56
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas
– Glória a vós, Senhor!
– 51Estava chegando o tempo de Jesus ser levado para o céu. Então ele tomou a firme decisão de partir para Jerusalém 52e enviou mensageiros à sua frente. Estes puseram-se a caminho e entraram num povoado de samaritanos, a fim de preparar hospedagem para Jesus. 53Mas os samaritanos não o receberam, pois Jesus dava a impressão de que ia a Jerusalém. 54Vendo isso, os discípulos Tiago e João disseram: “Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para destruí-los?” 55Jesus, porém, voltou-se e repreendeu-os. 56E partiram para outro povoado.
– Palavra da salvação.
– Glória a vós, Senhor!
Liturgia comentada
Não o queriam receber… (Lc 9,51-56)
A caminho de Jerusalém, acompanhado de seus discípulos, Jesus de Nazaré passa pelo território pouco amistoso da Samaria e os habitantes locais, cuja inimizade em relação aos judeus era alimentada há séculos (cf. Eclo 50,28), recusam-lhe friamente a habitual hospitalidade oriental.
Na verdade, essa dolorosa experiência de rejeição seria experimentada pelo próprio Jesus com muita frequência. Até mesmo os seus conterrâneos e parentes mostraram cara feia para ele, talvez para confirmar o provérbio de que ninguém é profeta em sua própria terra (cf. Mc 6).
Confirmando a mesma rejeição, a frase lapidar de São João evangelista aparece no prólogo de seu Evangelho: “Ela [a Luz divina] veio para o que era seu, mas os seus não a acolheram”. (Jo 1,11)
Na verdade, não é fácil aceitar a recusa do bem que oferecemos com boa intenção. Pode até brotar um impulso de ódio no íntimo da pessoa que se vê rejeitada. Foi assim com os discípulos de Jesus: Tiago e João – logo em seguida apelidados de “filhos do trovão” – perguntam ao Mestre se deveriam mandar que o fogo do céu descesse sobre os samaritanos. E Jesus a reprovar os dois incendiários: “Não sabeis de que espírito estais animados!” Claro, não era o espírito de amor…
É verdade que os dois raivosos podiam achar uma “base escriturística” para sua reação de violência: no passado de Israel, o profeta Elias invocara o fogo do céu para queimar o novilho do sacrifício e, não contente com sua vitória sobre os 450 sacerdotes de Baal, mandou prendê-los e exterminá-los (cf. 1Rs 19). Claro, Deus imediatamente retirou Elias para a caverna do Horeb e ali o fez passar por uma reeducação, para aprender que o Senhor estava presente na brisa mansa, e não no fogo, no terremoto ou na ventania.
Também hoje, em pleno século XXI, a mensagem da Boa Nova oferecida à Humanidade continua a ser rejeitada. Os ministros de Deus experimentam uma reação de notável frieza (e até mesmo hostilidade!) diante do anúncio do Evangelho. Natural, sofrem com isso. Mas não deviam admirar-se com esta rejeição. O Mestre já havia antecipado esta situação com palavras bem claras: “O servo não é maior que o seu senhor. Se me perseguiram, perseguirão também a vós”. (Jo 15,20)
Diante dessa rejeição, muitos desanimam e acabam desertando de sua missão. Ao contrário, os santos sempre insistem, testemunham e prosseguem seu caminho, a exemplo do Mestre.
Orai sem cessar: “O que ouvi do Senhor, isso eu vos anunciei!” (Is 21,10)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança